quinta-feira, abril 30, 2009

[Segurança na NET] A todos os pais, adolescentes e demais.


É sobre isto que tenho andado a escrever todas as semanas ...
A segurança na internet é de facto importante e preocupante, dado que as nossas crianças e jovens, não "ligam" nenhuma a estas coisas ...
É o celebre pensamento: a mim nunca me acontece isso !
Divulguem o mais que puderem.








[SEGURANÇA NA INTERNET] A todos os pais, adolescentes e demais

Após deixar os livros no sofá ela decidiu lanchar e entrar online.
Assim, ligou-se com o seu nome de código (nick):* **Docinho14.*
Procurou na sua lista de amigos e viu que* **Meteoro123* estava ligado.
Enviou-lhe uma mensagem instantânea:
*Doçinho14*: Oix. Que sorte estares aí! Pensei que alguém me seguia na Rua hoje. Foi mesmo esquisito!
*Meteoro123:* Lol. Vês muita TV. Por que razão alguém te seguiria? Não moras num local seguro da cidade?
*Docinho14*; Com certeza. Lol. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando me virei.
*Meteoro123:* A menos que tenhas dado o teu nome online. Não fizeste isso, pois não?
*Docinho14*: Claro que não. Não sou idiota, já sabes.
*Meteoro123:* Jogaste vólei depois das aulas, hoje?
*Docinho14*: Sim e ganhamos!
*Meteoro123:* Óptimo! Contra quem?
*Docinho14*: Contra as Vespas do Colégio da Sagrada Família. LOL. Os uniformes Delas são um nojo! Pareciam abelhas. LOL
*Meteoro123:* Como se chama a tua equipa?
*Docinho14*: Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigres nos uniformes. São impecáveis.
*Meteoro123:* Jogas ao ataque?
*Docinho14*: Não, jogo à defesa. Olha: tenho que ir. Tenho que fazer os TPC antes que cheguem os meus pais. Xau!
*Meteoro123:* Falamos mais tarde. Xau.
Entretanto,* **Meteoro123* foi à lista de contactos e começou a pesquisar sobre o* **Perfil dela.*
Quando apareceu, copiou-o e imprimiu-o.
Pegou na caneta e* **anotou o que sabia de Docinho* até agora.
Seu nome:* **Susana* aniversário: Janeiro 3, 1993. Idade.: 13. Cidade onde vive: Porto.
*Passatempos*: vólei, inglês, natação e passear pelas lojas.
Além desta informação sabia que vivia no centro da cidade porque lho tinha contado recentemente.
*Sabia que** **estava sozinha até às 6.30 todas as tardes* até que os pais voltassem do trabalho.
*Sabia que* jogava vólei às quintas-feiras de tarde com a equipa do colégio, os Gatos de Botas. O seu número favorito, o 4, estava estampado na sua camisola.
*Sabia que* estava no oitavo ano no colégio da Imaculada Conceição. Ela tinha contado tudo em conversas online.
Agora tinha informação suficiente para encontrá-la.* **Susana* não contou aos pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que ralhassem com ela e a impedissem de voltar dos jogos de vólei a pé.
Os pais sempre exageram e os seus eram os piores. Ela teria gostado não ser filha única. Talvez se tivesse irmãos, os seus pais não tivessem sido tão super protectores.
Na quinta-feira,* **Susana já se tinha esquecido* que alguém a seguira.
O seu jogo decorria quando,* **de repente, sentiu que alguém a observava.* Então lembrou-se. Olhou e viu um homem que a observava de perto. Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando o viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente desapareceu o medo que sentira.
Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador. Ela apercebeu-se do seu sorriso mais uma vez quando passou ao lado. Ele acenou com a cabeça e ela devolveu-lhe o sorriso. Ele confirmou o seu nome nas costas da camisola.* **Sabia que a tinha encontrado.*
Silenciosamente, caminhou a uma certa distância* **atrás dela.* Eram só uns quarteirões até casa dela. Quando viu onde morava voltou ao parque e entrou no carro. Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de* **ir à Casa da menina.* Foi a um café e sentou-se.
Mais tarde, essa noite,* **Susana* ouviu vozes na sala. 'Susana, vem cá!', chamou o seu pai.
Parecia perturbado e ela não imaginava porquê.
Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. 'Senta-te aí', disse-lhe o pai, '
*este senhor* acaba de nos contar uma história muito Interessante sobre ti'.* **Susana* sentou-se.
Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa?* **Nunca o tinha visto* senão nesse mesmo dia!
'Sabes quem sou eu?'* **perguntou o homem.*
*'Não',* respondeu Susana.
'Sou polícia e teu amigo do Messenger* **- Meteoro123'.*
*Susana ficou pasmada.*
'É impossível!* **Meteoro123* é um rapaz da minha idade! Tem 14 e mora em Braga!'.
*O homem** **sorriu.* 'Sei que te disse tudo isso, mas não era verdade.
Repara, Susana, há gente na Internet que se faz passar por miudos; eu era um deles. Mas enquanto alguns o fazem para molestar crianças e jovens, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores.
Vim para te ensinar que é muito perigoso falar online.
Contaste-me o suficiente sobre ti para eu te achar facilmente.
Deste-me o nome da tua escola, da tua equipa e a posição em que jogas. O número e o teu nome na camisola fizeram com que te encontrasse facilmente.
*Susana gelou*. 'Quer dizer que não mora em Braga?'.
*Ele* riu-se: 'Não, moro no Porto. Sentiste-te segura achando que morava longe, não é?' 'Tenho um amigo cuja filha não teve tanta sorte: foi assassinada enquanto estava sozinha em casa.
*Ensinam-se as crianças e jovens a não dizer a ninguém quando estão sozinhos, porém contam isso a toda a gente pela internet.*
*As pessoas maldosas enganam e fazem-se passar por outras para tirar informação de aqui e de lá online.*
*Antes de dares por isso, já lhes contaste o suficiente para que te possam achar sem que te apercebas.*
*Espero que tenhas aprendido uma lição disto e que não o faças de novo.*
*Conta aos outros sobre isto para que também possam estar seguros'. 'Prometo que vou contar!'.*
*AGORA: Por favor, divulga isto aos teus amigos para que não forneçam informações sobre si próprias.*

*CUIDADO COM AS INFORMAÇÕES QUE PASSAS NO HI5, NO MSN OU AINDA OUTROS.* 

sexta-feira, abril 17, 2009

Laurinda Alves na linha de partida

Os jornalistas ajudaram o BE a nascer, amamentaram-no, mudaram-lhe as fraldas, disfarçaram-lhe as traquinices

Uf! Finalmente temos todos os cabeças de lista para as eleições europeias conhecidos. Custou, mas foi. E o meu coração está habitado por alegria e paz. Talvez por isso afirmo: previa pior e acho que os portugueses terão a possibilidade de escolher entre candidatos de qualidade bem acima da média - admita-se que bastante baixa... - da classe política portuguesa.
Realmente Miguel Portas, Ilda Figueiredo, Vital Moreira, Paulo Rangel, Nuno Melo e Laurinda Alves asseguram respeitabilidade, animação, combate duro, energia a rodos, boa televisão - o que não é pouco nos tempos que correm.
Laurinda Alves? Perguntará o amigo leitor, pensando talvez que acrescentei um nome feminino para cumprir a lei das quotas. Ou, pior ainda, pensando que é um lapso meu. Não, amável leitor. Laurinda Alves existe: é uma brilhante jornalista, que se revelou politicamente no combate do referendo ao aborto (do lado da penalização), que é uma pessoa decente e representa um novo partido (sabia isso ao menos, leitor desatento?) que se chama Movimento Esperança Portugal. O MEP tem como ambição situar-se numa zona entre o PS e o PSD; por isso, num lugar mais congestionado do que a famosa Praça do Marquês de Pombal, antes do túnel, que revelou um triste Frei Tomás do início do século XXI em que se transformou um catãozeco do final do século XX.
Falemos pois um pouco do MEP. Começando por registar que a comunicação social lhe não tem dado atenção rigorosamente nenhuma - o que, registado, me permite abrir a boca com surpresa. Pois então entra no mercado um novo produto para concorrer com os que já por aí andam, velhos e relhos, e nem assim merece a atenção de uma reportagem, a graça de uma entrevista, o favor de uma curta notícia?
Isto é, em minha opinião, um mau sinal e um contributo para a perpetuação do oligopólio em que se transformou o sistema político-partidário português. Na semana passada avancei que os votantes em eleições internas dos partidos correspondem mais ou menos ao número de eleitos para órgãos autárquicos e de assessores. Ajuda amiga permite-me afirmar que acertei. Tomando o PSD como exemplo, tem cerca de 30.000 eleitos e... cerca de 30.000 votantes nas eleições internas. E, a propósito, o nosso pequenino torrão à beira-mar plantado elege 70.000 autarcas de quatro em quatro anos!
Em qualquer mercado minimamente eficiente, a entrada de um novo player é saudada pelos consumidores, pois irão beneficiar de ideias novas, concorrência acrescida, menores custos e melhor serviço. Os media, que para si definiram o estatuto de "provedores da cidadania" e de "látego de infiéis", deveriam ter pegado neste novo partido e levá-lo ao colo até que pudesse estar em condições de sobreviver. Pelo menos, deveriam fazer-lhe promoção no valor equivalente ao subsídio que os seus concorrentes recebem do Estado e que para ele não existe.
Em segundo lugar a origem do MEP. Rui Marques é o seu líder. Ganhou notoriedade com o barco que foi a Timor, foi alto-comissário para os Emigrantes, começou na Rádio Renascença e está ligado à Igreja Católica. Imagino que nos quadros do novo agrupamento estejam muitas pessoas que ganharam o apetite da coisa pública no referendo sobre o aborto. De um lado e do outro, esse referendo permitiu revelar novos rostos, novas personalidades, e por acréscimo pessoas que estavam a lutar por aquilo em que acreditavam e não por uma talhada no melão da coisa pública. Eram genuínos, idealistas, vinham da sociedade civil e podiam servir para regenerar os partidos. Infelizmente, pelas razões que expliquei na passada semana, foram considerados em regra como ameaça às sinecuras, como incómodas cabeças pensantes, e os partidos - que os usaram na campanha - puseram-nos de quarentena, assobiaram para o lado, esqueceram-nos e continuaram na mesma, como a lesma. Estou convencido que por trás do MEP está assim uma vocação, uma frustração e uma convicção.
Em terceiro lugar, o posicionamento. Historicamente essa era a posição desejada pela Igreja Católica para os partidos democratas-cristãos. E ainda hoje os que sobrevivem na fidelidade ao seu ideário original por este tipo de espaço se mexem. O lugar faz sentido, na medida em que pretende associar o conservadorismo dos valores morais com o progressismo das preocupações sociais, mas fazendo isso a sério e não apenas para piscar o olho ao eleitorado de quatro em quatro anos. O espaço está congestionado, mas a fragilidade e falta de valores e de princípios dos partidos velhos, transformados que estão em máquinas de alocação de postos e postas, abre uma janela de oportunidade. Já sei, o PRD também, etc. e tal. Só que estes agora parecem-me sinceros...
Por tudo isto, estão todos na linha de partida e a corrida pode começar. Peço, pois a especial atenção para Laurinda Alves e para o MEP. Peço aos holofotes dos telejornais que lhes dêem alguma luz. Sugiro aos plumitivos que estudem e comentem o recém-nascido. Podem dizer que é lindo, ou feio, que tem boa ou má pinta, digam bem ou digam mal, mas não ajudem a criar (ou consolidar) a profecia disparatada de que em Portugal não é possível criar novos partidos. O Bloco de Esquerda aí está a demonstrar - apesar dos seus erros, da tendência catónica e do radicalismo populista inconsequente - que novas caras, novos métodos, novas estratégias e novas ideias e posicionamentos conseguem ter sucesso.
Dizia-me um grande intelectual há anos, e ele conhece-os, que os jornalistas eram (e devem continuar a ser) sobretudo do BE. Talvez por isso, ajudaram-no a nascer, amamentaram-no, mudaram-lhe as fraldas, disfarçaram as traquinices, fizeram-lhe bli, bli, bli no labiozinho e não se cansaram de nos dizer - embevecidos - que começou a falar cedo e bem.
Talvez fosse assim boa ideia fazerem o mesmo ao MEP. Seria justo. E, se calhar, também seria divertido.
José Miguel Júdice , in Jornal Público de 17.04.2009
(destaques feitos por mim)

quinta-feira, abril 16, 2009

A CADA UM, CONFORME A SUA NECESSIDADE








Era assim entre os cristãos de Jerusalém. Os bens estão ao serviço das pessoas. O gosto legítimo de ter traz consigo o desejo de partilhar. A medida da distribuição é definida pelas necessidades e não pelas possibilidades. A atenção da comunidade centra-se nas pessoas individualizadas. A angariação de bens é fruto da consciência comum, da organização solidária, da funcionalidade da rede domiciliária. O exemplo destes cristãos fica como referência para todos os tempos.

A economia da comunhão tem aqui uma das suas principais fontes de inspiração: Ter em comum para chegar a cada um. De forma adequada, sem subterfúgios de qualquer espécie. Com honestidade consciente e transparente. O lucro, também legítimo eticamente, faz parte de um todo social que privilegia a pessoa na sua integralidade.

Aquele modo de proceder manifesta que todos se reconhecem membros da mesma família humana, que todos se amem com amor de doação, que todos estão dispostos a tudo em benefício de cada um. Manifesta igualmente que ninguém pensa que a posse legítima dos bens é apenas pertença privada ou serve somente para uso pessoal, mas antes que todos se consideram depositários e administradores de bens destinados a todos.

Os cristãos de Jerusalém adoptam este estilo de vida e de organização económica pela sua fé em Jesus ressuscitado. Se Jesus está vivo – e está, sem dúvida alguma -, os bens fazem parte do projecto de Deus e têm uma única finalidade: servir a dignidade do ser humano para que possa fazer desabrochar todas as suas capacidades e satisfazer todas as legítimas aspirações.

A fé em Cristo Jesus recria, dotando-a de uma força nova, a ética económica, seja qual for o modelo predominante, e abre horizontes de superação consistente a todas as crises. A relação com os bens está revestida desta novidade. Os cristãos são coerentemente testemunhas qualificadas dessa originalidade. De contrário, fica “congelado” o alcance da ressurreição de Jesus Cristo e hipotecada a força da esperança pascal.

P. Georgino Rocha

quarta-feira, abril 15, 2009

VOTOS DE PÁSCOA FELIZ DO PROFETA ELIAS

1. Lê-se num antigo conto judaico que vivia numa aldeia uma família pobre: pai, mãe e uma filha pequena. O dinheiro não abundava, mas nunca ninguém os ouviu lamentar-se.

2. Aproximava-se entretanto a Páscoa, e a família não tinha meios para comprar as roupas novas requeridas para a festa. Na véspera da festa, a filha disse para o pai: «A Páscoa está a chegar; por que é que ainda não comprámos as roupas novas?» Retendo as lágrimas, o pai respondeu: «Não te preocupes, minha filha; o profeta Elias enviar-nos-á as roupas novas; não precisamos de as comprar». Mas a pequena, não totalmente satisfeita com a candura da promessa, adiantou: «Papá, e se eu escrevesse ao profeta Elias para lhe dizer aquilo de que precisamos?» O pai sorriu e disse: «Escreve, filha».

3. A menina pegou num lápis e numa folha de papel e escreveu: «Elias, para a Páscoa, manda-nos, por favor, um casaco para o papá, uma saia para a mamã, e uns sapatos brancos para mim». Estava para ir meter a carta no correio, quando parou e perguntou: «Papá, de que me vale pôr a carta no correio, se não sei o endereço do profeta Elias?» Respondeu o pai: «Atira-a pela janela, porque o profeta Elias irá recolhê-la onde ela cair».

4. A menina fez como o pai lhe tinha dito. E cheia de uma fé simples e ingénua, ficou à espera de ver realizado o seu pedido.

5. Passava naquela altura debaixo da janela um homem rico que, ao ver cair ao chão aquela folha de papel, a apanhou e viu o que nela estava escrito. E disse de si para consigo: «Esta noite é festa e não posso desiludir esta pobre família e, sobretudo, a fé da menina». Pôs então numa linda caixa as roupas pedidas na carta, e deixou a caixa junto da porta daquela casa, com um cartão que dizia: «Votos de Páscoa Feliz do profeta Elias».

6. É desarmante a inocência da menina desta história! No meio da pobreza e das lágrimas a custo retidas dos seus pais, ela acredita na alegria, e acaba por conseguir vestir de festa aquela casa. Na tradição bíblica e judaica, Elias é o precursor do Messias. Por isso, em cada festa da Páscoa, que os judeus celebram em família pela noite dentro, a porta da casa fica aberta para que Elias possa entrar; na mesa da Ceia há sempre um lugar a mais, destinado a Elias; nesse lugar, é colocado o respectivo talher e uma taça já cheia de vinho, à espera de Elias.

7. O Livro do Apocalipse (21,4), no seguimento de Isaías 25,8, põe Deus a «enxugar cada lágrima dos nossos olhos». A expressão é ousada, pois não fala de olhos sem lágrimas, mas de olhos cujas lágrimas são enxugadas. Atente-se na diferença: os nossos olhos podem manter-se enxutos por cínica indiferença perante o sofrimento dos outros, ou por um esforço estóico para suportar o nosso próprio sofrimento, ou porque já não há mais lágrimas para chorar. Mas uma lágrima enxugada é diferente de olhos enxutos. As lágrimas representam a nossa história de sofrimento. Dizer que as lágrimas são enxugadas significa dizer que no nosso tempo entra um tempo novo, o futuro-presente de Deus, onde o sofrimento será apagado pelas mãos carinhosas de Deus.

8. Viver a Páscoa, que é o tempo em que vamos, não significa indiferença ou estoicismo, mas, antes, enxugar carinhosamente as lágrimas que correm pelo rosto dos nossos irmãos. O tempo em que vamos é (pode ser) uma viagem para a alegria. E cada um de nós pode ser o precursor desse tempo novo. «Votos de Páscoa Feliz do profeta Elias».

António Couto

sexta-feira, abril 03, 2009

Agostinho da Silva: qual o seu legado?


Filósofo, poeta, ensaísta, teólogo, fundador de universidades. Agostinho da Silva marcou o séc. XX português e o seu espírito livre continua a contagiar todos aqueles que se cruzam com a sua obra.
“O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos depois da sua morte” é o tema do colóquio que decorre hoje na Faculdade de Letras de Lisboa. 
Agostinho da Silva faleceu a 3 de Abril de 1994 deixando ainda muita obra por publicar e divulgar. 
(clique para lêr mais sobre o assunto)


Página no sapo dedicada ao grande HOMEM (
http://agostinhodasilva.no.sapo.pt/)

sexta-feira, março 13, 2009

Eterna Saudade

E já lá vão quatro anos ... as saudades são muitas, mas as tuas palavras que tantas vezes conversámos, ficam para sempre. Lembro-me tão bem das nossas tardes que passávamos a trabalhar na terra. Quase que diariamente. algo que acontece na minha vida, me lembra de ti, porque de facto, passamos grandes e bons momentos, 
Que bom é sentir que descendo de um grande Homem. Gosto muito de ti Avô. 
Obrigado por teres marcado tão profundamente a minha vida e aí onde estiveres com a tua "Maria", vão olhando aqui por nós em baixo, pois faz-nos bem sentirmos que somos uma família.
Obrigado Senhor ... 
Enfim, coisas da vida!

terça-feira, fevereiro 17, 2009

O horror do vazio

Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.
(destaques feitos por mim)
Meus caros, acho que vou ter de começar a comprar o JN ás segundas-feiras, tão somente para lêr as espantosas crónicas que o grande jornalista Mário Crespo escreve. De facto são uma preciosidade e de uma acutilância enorme. Não percam...
Enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Ateus

E a luta interior de José Saramago com Deus, continua!
Desta vez, num texto curto de facil leitura, apresenta a sua concepção das religiões, fundamentado numa afirmação do grande teólogo das Religiões - Hanz Kung. De facto, nota-se um certo mal estar e uma postura anti-religiosa neste seu texto, mas, no entanto, a tentativa de explicação do sobrenatural é fantástica.
Penso que vale a pena lêr e meditar, obrigando a nós - crentes - a repensar seriamente na abordagem e na maneira como transmitimos à sociedade a "nossa" vivência religiosa. Pois, com as "nossas" atitudes pode muito bem levar a estas conclusões, ou não ? ! ...
Enfim, coisas da vida ...

Enfrentemos os factos. Há anos (muitos já), o famoso teólogo suíço Hans Küng escreveu esta verdade: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros”. Jamais se disse nada tão verdadeiro. Aqui não se nega (seria absurdo pensá-lo) o direito a adoptar cada um a religião que mais lhe apeteça, desde as mais conhecidas às menos frequentadas, a seguir os seus preceitos ou dogmas (quando os haja), nem sequer se questiona o recurso à fé enquanto justificação suprema e, por definição (como por demais sabemos), cerrada ao raciocínio mais elementar. É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia.

Será isto possível?

Na continuação do "post" anterior em que o jornalista Mário Crespo explana as suas ideias, deixo-vos aqui mais uma notícia escandalosa e que revela a qualidade dos nossos políticos. 
Ai Portugal, Portugal ... de que é que estás à espera ....
Enfim, coisas da vida ...

«A jornalista Felícia Cabrita, que tem publicado as principais informações sobre o caso no semanário Sol, afirma que continua com dúvidas. “Temos um Governo totalitário e todos sabemos que o SIS, ao contrário do que deveria acontecer, recebe ordens directas do Governo”, diz. E revela que já adoptou alguns procedimentos de segurança, como a mudança frequente de telemóvel. A jornalista garante ainda que “a direcção do jornal sofreu pressões de um alto responsável do PS para não continuar a publicar notícias sobre o Freeport”. 0 director, José António Saraiva, confirmou à SÁBADO as alegadas pressões, mas recusou divulgar o seu autor: “Foi alguém muito próximo do primeiro-ministro, mas que não pertence ao Governo.” No dia i5 de janeiro, dois dias antes de o Sol ter publicado a segunda notícia sobre o caso, a direcção do jornal terá recebido o telefonema do alto responsável socialista: “Impressionou-me muito porque a pessoa em causa estava até dentro da situação financeira debilitada do jornal e das negociações que estavam a acontecer com os accionistas”, adianta José António Saraiva. “Disse-me que tudo dependia do que viéssemos a publicar nessa edição”. E se não publicassem nada a situação financeira do jornal ficaria resolvida nesse fim-de-semana. A ameaça, garante, passaria por “estrangular financeiramente o jornal”.» in Sociedade Aberta

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Está bem... façamos de conta

"Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que
Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos."

Mário Crespo, jornalista - in Jornal de Notícias

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Os jovens! Que espera deles a sociedade e a Igreja?.

É muito variado e, em alguns aspectos muito rico, o património de um país. Também o do nosso. Os jovens entram neste património e são nele parte privilegiada. Se eles forem o presente serão também o futuro. É tempo de os ouvir, conhecer o seu mundo, perceber os seus sonhos e projectos, ter em conta os seus pesadelos e frustrações, integrar a sua esperança, prestar atenção aos dinamismos sociais que os perturbam, reconhecer os valores que carregam, senti-los na verdade do que são, comunicam, propõem e exigem.

Realça-se a qualidade de alguns jovens, reconhecida por países diversos, no campo da investigação científica, do desporto, da arte. Faz-se em favor da gente nova um investimento na sua formação, vultuoso e justificado. Estão à vista as portas que se lhes abrem nos diversos graus de ensino, sem comparação com o que se passou em décadas anteriores. Muitos têm graus e diplomas, mas não têm trabalho. Por isso vão adiando, por vezes com raiva, e também com desilusão, as suas decisões vitais. Assim se tornam os eternos precários nos mundos mais diversos. Não falta entre eles quem consiga demarcar-se dos obstáculos e romper por caminhos novos de realização, de entrega e de não conformismo. Mas também não faltam os que resvalam para campos de exclusão social, revoltados contra uma sociedade desvirtuada, que não os toma a sério e não lhes dá saídas na vida. Há de tudo no mundo dos jovens e há jovens em todos os mundos desta sociedade, que os apoia, mas não os conhece nem os ama.

Não é muito diferente o panorama religioso. A fuga de muitos, a indiferença de muitos outros, a permanência de alguns que dizem ser ainda e sempre neste espaço onde melhor respiram, sonham e projectam. Mas não em todo o lado, nem com toda a gente, nem fazendo simplesmente o que os adultos residentes aí fazem ou lhes permitem fazer. Alguém já disse que, em tempos passados, a Igreja perdeu os operários porque não os entendeu, nem entrou nas suas lutas pela justiça. Pela mesma razão, diz-se agora, está perdendo a gente nova sempre que não entra no seu mundo e teima em lhes proporcionar esquemas, que já não se quadram com o mundo de novas possibilidades e horizontes que se lhes foi abrindo e por onde entraram sem regresso.Se falamos de crise social e eclesial ao falar dos jovens, ela atinge todos os meios onde se processa a sua vida: família, escola, lugares de trabalho e de lazer, as mais diversas associações e movimentos que lhe abrem portas, mas em que nem sempre são escutados e com tempo para dizerem o que pensam e querem e com gente que os tome a sério.
O mundo dos jovens é, por vezes, um mundo dentro de outro mundo, que lhes vai sendo cada vez mais alheio e distante. Assim se empobrece um património vivo.
Na sociedade, por si cheia de opções e contradições, interesses e preconceitos, com semeadores, alheios a projectos de bem comum, não se afigura fácil a recuperação dos jovens, mormente quando antes foram aliciados para objectivos determinados, com propostas e dádivas efémeras. A Igreja pode tentar sempre caminhos que tornem os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, que não tem que ser a de residência porque o seu mundo não é o do bilhete de identidade. Acolher, que é uma forma de amar, significa escutar, dar lugar, apreciar ideias e propostas, proporcionar vida em grupo, incentivar iniciativas próprias, tomar a sério, ser paciente e compreensivo. Tudo isto com gente, padres ou leigos, que permanecem novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho da libertação interior, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam. Os “sinais dos tempos” na sociedade e na Igreja surgem, também, através dos jovens. Menosprezar estes sinais ou não os saber discernir é perder ocasiões de renovação. Nem tudo nos jovens é lixo ou disparate. Neles há, também, pepitas de ouro, pistas de caminho, lampejos de esperança, gestos de generosidade que é preciso descobrir, apreciar e agradecer.

D. António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Falando ao espelho!

Que engraçado! ia jurar que este senhor é agora o primeiro-ministro!
Se calhar, está a falar ao espelho, fazendo a sua auto-avaliação? será?
Enfim, coisas da vida ...

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