sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Faz amanhã 33 anos que ...

Pois é meus caros amigos(as) faz precisamente amanhã 33 anos, que no Hospital Infante D. Pedro pelas 16h45m estava a nascer aqui o "je" e a dar uma trabalheira desgraçada à minha fantástica mãe, porque nasci com mais de 4kg e era um bocadito para o grande!

A minha vida tem sido repleta de coisas fabulosas e de acontecimentos extraordinários.
Só tenho mesmo a agradecer a Deus, com um hino de louvor por tudo aquilo que vai colocando na minha vida (pais, mulher, filho, família, amigos, companheiros e alguns colegas), enfim ... são tantas coisas boas que de facto não me lembro de nada assim de menos bom, sinceramente!


Sou um felizardo eu sei!

Ofereço-vos então esta música que representa um pouco, ou se calhar muito, daquilo que é a minha vida! Claramente, sinto-me um instrumento, apesar de muito desafinado, nas mãos de Deus.

Deliciem-se e olhem sejam muito felizes, olhando sempre as coisas pelo lado positivo.

Renasçe em Mim
(grupo das terças)

Se um dia ficasse sem ti,
Olharia as estrelas do céu,
P’ra lembrar que viveste por mim.
E p’ra sempre guardar-te,
Para sempre lembrar-te,
Na marca de um gesto meu.

Renasce em mim,
Mostra como ama alguém,
Que precisa de mim
P’ra mostrar o melhor que Deus tem.


O que eu sinto não posso explicar,
É difícil saber e dizer;
O que eu tenho não posso negar,
Qu’é aquilo que eu quero,
É aqui que eu desejo
E não vou abandonar.

Reviver o que vivi,
Renascer contigo,
Conquistar o teu espaço astral,
Pois quem ama não teme o bem e o mal.


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quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Carnaval Católico na Região dos Açores

Deixo-vos aqui a reportagem da RTP Açores acerca do carnaval católico patrocionado e realizado pela rádio XTOFM, ou melhor dizendo, pelo meu amigo "virtual" Pe. Jason.
Pelo que pude perceber e pela conversa que tive com o padre, a adesão da comunidade foi fantástica e tudo correu "às mil maravilhas".

Os meus parabéns ao Pe. Jason.


Na Linha Da Utopia [07.02.2008]

A gratuitidade

1. É a generosidade e o despojamento abnegado que farão de cada pessoa uma dádiva para o mundo. Na mensagem de Bento XVI para a começada preparação da Páscoa 2008, é sublinhando esse valor da “oferta” como escola de vida. Uma vida que, na base de a ler como construção constante, dará as garantias da estabilidade assente na vivência do dia-a-dia. É a esse valor da renovação permanente que este tempo quaresmal pré-primaveril nos vai chamando. Numa consciência de que todas as coisas são breves e tudo fica no mundo, sendo a única via do futuro a identificação absoluta com a esperança que, procurando a identificação original, brota do invisível de Deus.

2. Neste estímulo à gratuitidade, em última análise, ninguém tem a exclusividade dos bens e ao mesmo tempo todos os bens são de todos e de cada um. Não há incompatibilidades… É uma forma de dizer em que o “destino universal dos bens” apela a uma finalidade última dignificante de todas as coisas. Na referida mensagem é sublinhado que «não somos proprietários mas administradores dos bens que possuímos: assim, estes não devem ser considerados propriedade exclusiva, mas meios através dos quais o Senhor (“pai criador”) chama cada um de nós a fazer-se intermediário da sua providência junto do próximo».

3. É mesmo a identidade do ser “administrador” a nossa condição humana. Parece que, pelos sinais que o mundo continua a dar, não temos sido tão bons administradores, da ordem material (do pão e água para todos) à ordem espiritual (a fome de dignidade humana que paira em tantas concepções que excluem). Ao olharmos para a questão ecológica que nos coloca num obrigatório patamar de comunidade global, a natureza dá-nos esse sinal de uma gratuidade a redescobrir e não mais uma táctica para explorar. Talvez tenhamos sido mais “exploradores” que gestores. Dirigindo-se à comunidade, Bento XVI lembra que «quando se oferece gratuitamente a si mesmo, o cristão testemunha que não é a riqueza material que dita as leis da existência, mas o amor». Assim seja!

4. Afinal, muito e sempre acima de qualquer codificação ou instituição está essa força (e)terna que (lhes dá razão e que) assumiu SER PESSOA no tempo para nos conduzir pelos caminhos desse “reino” não da terra, mas dos “céus”. Que bom seria se todos os olhares críticos não perdessem tempo e mergulhassem nessa compreensão misteriosa do essencial! Também aqui, este “tempo de revisão” quer ser “meio” para um chegar pascal!

Alexandre Cruz [07.02.2008]

[Imagem gratuidade ] fonte: http://victorix.no.sapo.pt/encontros/gratuidade.htm

DIÁLOGO IGREJA MUNDO, DIFICIL MAS INDISPENSÁVEL

O Vaticano II também teve presente nos seus objectivos situar a Igreja numa relação positiva com a sociedade.
A Igreja não podia encontrar-se consigo própria num projecto de renovação, se omitisse ou menosprezasse a relação com as pessoas, a natureza criada, os dinamismos sociais e culturais emergentes e influentes. Ela é para os cristãos, segundo o desígnio de Deus, um dom que, em Jesus Cristo, é feito aos homens e mulheres de todos os tempos, para que todos, pela sua fé, encontrem e usufruam caminhos de salvação, de felicidade e de paz.
As comunidades cristãs sentiram-se assim, de modo discreto mas eficiente, um fermento novo no seio da comunidade humana, de que também eram membros. O seu modo de viver era contagiante e provocava, nas pessoas atentas às suas atitudes e compromissos de vida, sentimentos novos, até ali impensáveis, entre os quais a vontade de seguir por igual caminho.
Olhar o mundo das pessoas, com um olhar positivo como Deus o olha, acorda apelos e sentimentos de responsabilidade. Sempre foi para a Igreja um caminho de renovação, de resposta válida e de presença significativa, estar atenta e solidária com os problemas das pessoas, quer estes se traduzam em alegrias ou tristezas, vitórias ou derrotas, certezas ou dúvidas. A novidade de Deus e dos seus dons revela-se no confronto com as realidades que afectam, de modo positivo ou negativo, a vida das pessoas concretas, em cada tempo, lugar ou condição.
Quando a atitude da Igreja foi de serviço inquestionável ao mundo pela sua vida, propostas e contributos dos seus membros e das suas comunidades, estimuladas por um poder que era serviço à maneira de Cristo, ainda que minoritária, ela tornou a mensagem evangélica nas comunidades humanas com as quais coexistia, fermento de amor, reconciliação, justiça, verdade, liberdade e paz. Quando se identificou com o mundo e pensou que o ideal era que todo o mundo fosse Igreja, ela foi perdendo a força de ser luz que ilumina e sal que dá sabor. Quando entrou em competitividade com novos grupos humanos e dinamismos culturais que já não podia controlar, e os identificou, errada e apressadamente, como inimigos e concorrentes, ela caiu na tentação de ser também oposição e levantou muros que ainda hoje persistem e ganham nova virulência.
Só quando tomou consciência de que o caminho a percorrer passa por um diálogo que respeita e sabe acolher, escuta e não impõe, mais que razões intelectuais tem força de vivência pessoal e comunitária, sobretudo uma proposta do que acredita e vive do que uma linguagem seca e hermética de princípios friamente enunciados, encontrou de novo o rumo de ser um dom e um serviço a todos.
O contexto em que a Igreja viveu e educou os seus membros durante séculos não se pode apagar, nem esquecer. É um dado histórico que mostra que não é fácil, ainda hoje, percorrer um caminho com novos contornos e novas exigências, mesmo quando descoberto como o mais acertado e sintonizado com a vocação e missão da Igreja no Mundo.
A reflexão conciliar sobre as relações Igreja com o mundo contemporâneo, foi um salto qualitativo importante pela visão que trouxe e pelas exigências de conversão que comporta. Um caminho permanente e consequente que leva os membros da Igreja a um modo de ser, estar, ver e agir, ante as realidades humanas, cuja orientação, a autonomia do mundo reivindica como direito e dever seu. Podem fazer-se coisas aparentemente novas, eivadas do espírito velho que disfarça o poder em serviço. Esse não é o caminho conciliar. Igreja ao ritmo do Vaticano II, deve repensar a sua relação com o mundo.

António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro
[Imagem: escultura em bronze nos palácios do Vaticano] fonte: Fernando Cassola Marques, Agosto 2002

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Frase da Semana

"A Luz moderada faz ver, a excessiva faz cegar"
Pe António Vieira

Na Linha Da Utopia [06.02.2008]

As cinzas

1. Os símbolos pertencem à vida. Eles estão por toda a parte, das coisas mais simples como os emblemas da praça pública ou de instituições às realidades mais profundas da existência humana e das religiões. Os estudiosos da identidade humana das sociedades falam do “símbolo” como inerente a uma consciência de “pertença”, não se podendo silenciar, por mais racionalista que se seja, a face simbólica da própria vida. Pode até ser com outros nomes, mas desde que exista uma sensibilidade humana que se projecta, a dimensão simbólica, que nos transporta sempre para “algo mais”, convive com o nosso dia-a-dia.

2. Desde os tempos mais antigos que a própria força da natureza apela à compreensão do universo e do lugar das pessoas no mundo. Se com a força da primavera nasce uma nova natureza, o mundo da sabedoria bíblica, que procura a primazia única de cada ser humano, irá propor que se renasça também para uma Vida Nova. Este dinamismo pedagógico, como caminho de revisitação da fonte original e revisão de vida em cada momento presente, atravessa os séculos, afirmando-se como um factor estimulante de melhoria, de progresso, de transformação da vida pessoal e social.

3. Não compreender e não se perguntar pelo dinamismo esperançoso destes tempos pedagógicos é viver “longe” da raiz, onde não se procura um sentido comunitário aperfeiçoado para a vida no tempo e espaço que nos são dados viver. Que sentido tem o Natal sem o compreender da sua origem reveladora? Que lugar de significado terá a Páscoa se não se abrir o “coração” a um caminho de transformação? Talvez das coisas mais importantes da vida seja compreender-se que os dinamismos da existência que sentimos foram vividos, acolhidos e superados por pessoas e(m) comunidades antes de nós. Também desta forma estamos unidos à humanidade. Claro, não basta cumprir por “cumprir”, é o sentido profundo com que se vive…para se viver no mais e melhor de cada dia.

4. Há tempos dávamos conta de uma nova área de estudo chamada “reflexologia”… Vamos chamando novos nomes, cheios de markting, para “coisas” antigas. Por um lado, dilui-se o património de “sentido” de que somos herdeiros; por outro, por outras palavras, vamos sempre lá parar, pois na reflexologia procura-se compreender a dimensão espiritual da vida e o seu fazer-se história (de salvação). Estes dias marcam o início de um tempo de reflexão: é Quaresma, tempo como caminho de preparação da Páscoa para os que livremente se enraízam no cristianismo. Quem lá adiante festejar Páscoa, acolhe um convite que começou da forma mais interpelante: com as “Cinzas”. Não são cinzas de pessimismo, de tristeza, de tempo negativo. Nada disso. São tomada de consciência profunda da nossa condição humana. Um “choque” estratégico e despertador que quer sensibilizar para o aperfeiçoamento de vida. Só assim, lá adiante será Páscoa; na diversidade corajosa, a “passagem”!

Alexandre Cruz [06.02.08]
[imagem Cinzas] fonte: salecinzas.wordpress.com/

Na Linha Da Utopia [05.02.2008]

António Vieira faz 400 anos

1. António Vieira nasceu há 400 anos, em Lisboa. Originariamente mestiço, foi a 6 de Fevereiro de 1608 que chegou a este mundo o homem que atravessaria o século XVII semeando até ao limite a confiança que o desmotivado país bem precisava. Criador de pontes pelos mares que viaja sete vezes rumo ao Brasil (passando por Cabo Verde), inaugura um novo estilo de pertença em que a “língua” e a “cultura” são o lugar do encontro do essencial humano (até ao fim, 17 de Junho 1697, na Baía – Brasil).

2. O tempo de Vieira acolhe os impactos de profundas transformações ao nível do que hoje chamamos de “comunidade internacional”: a cisão europeia das “reformas”; a nova “imagem” de um mundo agora com quatro continentes; as confirmadas descobertas cosmológicas de Galileu; um paradigma de abordagem centralizado na Razão instrumental em detrimento da Revelação; a concepção de uniformidade político-religiosa de estado que “obriga” à expulsão dos judeus; a generalizada exploração desumana de escravos, …

3. A realidade portuguesa não se afirmava com melhores cenários. Fruto do fechamento (com D. João III) de que a Inquisição (instituída em 1536) seria sinal simbólico, a par do desvio da “matriz global” das descobertas portugueses para as “areias marroquinas” (Alcácer Quibir, 1578), Portugal viveria no tempo seiscentista um cenário de crise, insegurança, incerteza na perca da identidade pelo tomar dos reis de Espanha (em 1580). Este contexto da perca da independência, também por uma certa nobreza ociosa, seria o terreno de um tempo adiado, descomprometido, desmotivado, corrupto, morto.

4. É neste amplo e complexo enquadramento que melhor se poderá compreender o cidadão do mundo que foi o padre António Vieira. Missionário Jesuíta, pregador pedagogo público (na base da força que tinha o Sermão no barroco da época), embaixador de D. João IV, Vieira das terras do Brasil em edificação comunitária, prima pelo essencial da humanidade e da religião: vive o espírito cristão “ecuménico” (na defesa e reintegração dos judeus) e antecipa (a par de Bartolomeu de Las Casas e Montaigne) o patamar da dignidade humana universal. Para todos os seres humanos: escravos e índios, dizendo que estes também estão inscritos nos livros de Deus. Uma autêntica revolução na mentalidade da época!

5. Continuamente desmontando a visão eurocêntrica do mundo, Vieira projecta Portugal numa História do Futuro, em identidade universalista, ao tempo um factor motivador fundamental à própria consolidação da Restauração de 1640. Em tudo busca a unidade humana: «Se a fortuna os fez escravos, a natureza fê-los homens: e porque há-de poder mais a desigualdade da fortuna para o desprezo, que a igualdade da natureza para a estimação? Quando os desprezo a eles, mais me desprezo a mim» (Sermões do Rosário, Sermão XXVII). Dizem alguns estudiosos que até pela literatura (quanto mais pela identidade) é com pena que Vieira se estuda muitíssimo pouco em Portugal e muito se estuda no Brasil. Pena para nós! Talvez o futuro esteja mesmo lá (Eduardo Lourenço).

Alexandre Cruz [05.02.2008]
[imagem Logotipo do ano Vieirino] fonte:
http://www.anovieirino.com/

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Ponto de situação sobre publicidade abusiva

Na sequência de reunião tida com empresa que promove publicidade à Media Markt e a Junta Central do Corpo Nacional de Escutas - Escuteiros Católicos Portugueses, dá-se conhecimento de circular com ponto de situação.

Cliquem no LINK para acederem ao documento.

Para quem não está a par do que aconteceu, fica aqui um link para um texto colocado aqui no blog sobre esta temática "Eu é que não sou parvo"

Enfim, coisas da vida ...

FABULOSO... não percam!

Um resumo muito breve (em 90 segundos) da "história" das religiões monoteístas.
Vejam os últimos 5000 anos dessas religiões.

Está simples, directo e muito elucidativo.

sigam este LINK e cliquem em "play".

Enfim, coisas da vida ...

Uma pedrada por semana

Entendimento impossível ou horizonte onde todos caibam?

Uma mão amiga fez-me chegar a página de um jornal que se intitula “diário ateísta” e que, no título do pequeno artigo, logo se apressa a dizer que “os hospitais da UC são uma coutada da Igreja Católica. Apostólica Romana (ICAR)”. Tudo isto a propósito de alguns cartazes da pastoral da Saúde, colados nas salas de espera da consulta externa, com alusões explicitas à esperança que nos vem da Ressurreição do Senhor e ao sentido positivo da dor “perante a vida, perante os outros, perante si próprios”. Para o articulista, o escândalo é ainda maior frente a um outro cartaz, de um movimento que não conheço e se intitula “Evangelização e Serviço integral dos doentes de família”, que cita Isabel Leseur escrevendo como “a dor pode ser, como aliada dos desígnios de Deus, ocasião de conversão, interiorização e salvação do homem”.
A tudo isto chama o diário ateísta “terrorismo psicológico” e faz invectivas contra a enfermeira que colou ali tais cartazes, desafiando os “propagandistas da fé” a reagir se aí aparecesse um cartaz esclarecedor que apenas dissesse a palavra de Nietzsche: “A única desculpa de Deus é não existir”.
Haverá aspectos pelos quais se poderia questionar a colagem destes cartazes naqueles lugares, mas que era bom ouvir antes os doentes e familiares presentes sobre a sua reacção. Com reacções assim, não parece possível o entendimento. Um raciocínio unidimensional será sempre paralelo a toda a possibilidade de encontro esclarecedor, enriquecedor e respeitador de cada um. Onde não há Deus, poderá acaso haver horizontes humanos largos onde todos caibam?

António Marcelino in Jornal
Correio do Vouga
[imagem Painel de azulejos no átrio dos H.U.C. ] fonte: http://www.huc.min-saude.pt/

[Dias Positivos] - Ali ao lado.

Dizem que a identidade portuguesa afirmou-se em oposição a Castela. E que de lá, nem bom ares, nem bons maridos ou esposas, a julga pelo ditado. Mas saber o que passa no país vizinho ajuda a entender o nosso, muito mais do que o que se passa na França, que durante séculos foi o ideal dos intelectuais lusos, ou na cultura de língua inglesa.
E nada melhor para saber o que se de passa para lá de Vilar Formoso do que ler jornais espanhóis, coisa que faço a um ritmo semanal, para ver se os ares mudam.Ora, por estes dias, em vésperas de eleições legislativas, o tema do aborto anda na rua. Muito pouco, a julgar pelos manifestantes que apareceram nas rua de Madrid e Barcelona, no dia 23 de Janeiro, mas o suficiente para um jornal português atribuir à notícia uma página, enquanto atribuíra apenas umas linhas à manifestação de 2 milhões de pessoas, em Madrid, a favor da família. No jornal espanhol que leio à quinta-feira, escrevia-se: “Fracaso de la movilización apoyada por el PSOE a favor del «aborto libre y gratuito»”. O jornal português parece que viu o que não viram os espanhóis.
Já que falamos deste tema, quando se aproxima o primeiro aniversário do referendo, refira-se que em Espanha a imprensa mostrou que há clínicas a fazerem abortos de fetos de sete meses...Convém estarmos atentos à Espanha. Os países pequenos andam sempre a reboque dos vizinhos grandes.

Jorge Pires Ferreira - Director-adjunto do semanário
Correio do Vouga
[imagem Cartoon ] fonte: http://bocadosdegente.blogspot.com/

Na Linha Da Utopia [31.01.2008]

O novo poder da Informalidade?

1. A época histórica que vivemos vai-se mostrando já tão diferente do passado recente. Melhor ou menos melhor, isso será outra questão. Em tempos diferentes, não chega, pois, clonar as mesmas respostas do tempo que já lá vai. Pode ser que o conteúdo seja o mesmo e, em última instância, o essencial da VIDA permanece; mas a forma, a roupagem terá de corresponder aos tempos novos da actualidade. O mundo que não nasceu como hoje o vemos, diz-nos que as próprias formas sociais foram, a certa altura, reinventadas a partir de uma nova “informalidade” encontrada.

2. Hoje procuram-se “regulações” para novas realidades até há 10 ou 15 anos inexistentes, como por exemplo todo o mundo da revolução das tecnologias das comunicações ou mesmo nas fronteiras abertas dos países nas novas áreas de comunidade (da Europeia consagrada à africana em formação). Os próprios pesos institucionais de formas cristalizadas no tempo estão a receber o desafio de uma abertura e flexibilidade sem precedentes, o que em última análise pode gerar uma instabilidade de ausência de referências. As instituições basilares da convivência humana família, escola, trabalho, política, vão sentindo esses impactos.

3. Talvez estejamos no “terminar” de um processo histórico dos últimos dois séculos da Razão de Estado. Pensávamos que com o Estado de Direito e toda a forma de organização social tudo estava encontrado, mas os impulsos da actual globalização e transnacionalização dos processos vai obrigando a REVER. Nestes processos de revisão ao encontro das pessoas concretas da sua situação e dignidade (o que por vezes as instituições não conseguem), a informalidade parece que vai ganhando o jogo afirmando-se com um potencial redescoberto e obrigando a descer (novamente) a Razão ao encontro da Existência humana.

4. Um autor dos anos 30, Paul Hazard, refere que «outrora, estudava-se muito o século XVII; hoje [em 1934], estuda-se muito o século XVIII». Talvez tenhamos dado prevalência ao institucional em vez da primazia às pessoas... Os tempos actuais são de reencontro com as pessoas, e as instituições que não o conseguirem perdem o significado social. Estará em andamento uma desinstaladora revolução da informalidade? Talvez, não sabemos. Uma coisa é certa, tempos de mudança profundamente complexos. Cada vez mais, e sem alarmes, nada será como dantes. Tudo dependerá dos valores profundos em que alicerçar a vida e a comunidade. Mais importante que nunca! A própria indiferença também é “sinal”…

Alexandre Cruz [31.01.08]

[imagem Paul Hazard ] fonte: http://en.wikipedia.org
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