segunda-feira, janeiro 26, 2009

URGÊNCIAS DO TEMPO


A crise da economia instalou-se. Começou por desacelerar o ritmo anunciado, depois estagnou o crescimento previsto e entrou em recessão. Agora é mais do que se vê e ouve. Que virá a seguir?!

Tende a alargar-se a nível nacional e mundial. A economia real, a das pessoas que contam os cêntimos para custear as despesas obrigatórias, vai dando sinais alarmantes: os que chegam aos meios de comunicação de multidões e os que ficam nos grupos de atendimento caritativo da vizinhança ou de alguma associação humanista e cristã.

 

O tempo urge novas medidas. A consciência humana tem de mostrar a sua face social e fazer-se solidária. Os cidadãos devem fazer ouvir a sua voz humanista e reivindicar os valores em todas as iniciativas de superação. As empresas, na sua organização e produção, são chamadas a revalorizar a sua componente ética. As forças sociais e políticas hão-de convergir nas suas propostas de acção.

A Igreja, ao verificar como estão em jogo a pessoa e os direitos fundamentos que explicitam a sua dignidade, há-de posicionar-se correctamente, com firmeza e humildade, defendendo propostas que eliminem ou atenuem os sacrifícios das pessoas e das classes mais desfavorecidas, reforcem a participação de todos, desenvolvam a solidariedade entre os grupos sócio-profissionais, fomentem a cooperação no âmbito nacional e internacional.

A Igreja, dentro da sua missão específica, há-de opor-se a que sejam os empobrecidos a pagar “a factura da crise” e fomentar correntes de pensamento e de intervenção que evitem privatizar os benefícios e generalizar as perdas. Há-de, com lucidez e valentia, cultivar e promover o sentido do bem comum, ainda que contrariando os interesses privados, próprios ou alheios, praticar e difundir um estilo de vida sóbrio e solidário, educar para o uso dos bens, destacando o comércio justo e o consumo responsável num mundo de recursos escassos.

 

O tempo do mercado desregulado e da globalização comandada pela “mão invisível” de quem pode dispor dos mecanismos controladores; o tempo da colectivização anónima e despersonalizante e da centralização planificada e asfixiante da liberdade de iniciativa e de associação, esse tempo encurtou ou melhor devia ter “chegado ao fim”.

Uma nova forma de vida organizada está em construção. Uma cultura que privilegie os valores dignos da condição humana tem de ser preferida e desenvolvida. Uma religião que desvele à pessoa a sua autêntica “estatura e vocação” que germinalmente está em si mas precisa de desabrochar continuamente, deve ser encarada como um bem para a humanidade e um valor a integrar nos dinamismos da sociedade.

 

Entre o mercado livre e o Estado centralizador está a pessoa e a multiplicidade das associações em que expressa a sociabilidade e constrói a solidariedade, dimensões fundamentais para a sua realização humana. São estas que constituem parte indispensável do tecido social que dá consistência e vitalidade ao circuito económico: da extracção e produção de bens à sua comercialização e consumo ou conservação.

 

A urgência do tempo surge clara no episódio da prisão de João Baptista. Encarcerado por ordem de Herodes, cala-se a voz do profeta que reclama o direito e a justiça, que aponta o machado posto à raiz da árvore pronto para a cortar, que proclama estar presente Alguém que vem inaugurar uma “nova era”.

Este Alguém é Jesus Cristo que, sabendo do que haviam feito a João, irrompe em público com a boa nova de que é urgente uma mudança radical e total, a começar pelo interior de cada pessoa. A inteligência devia colocar-se ao serviço da verdade e procurá-la incansavelmente; o coração abrir-se a todos e estabelecer relações solidárias e fraternas de convivência; a vontade querer efectivamente o bem dos demais, tanto como se deseja o bem próprio; enfim, um olhar novo em que se espelha esta forma original de ser, de estar e de conviver ou seja um olhar que transmite a realidade nova vivida e anunciada por Jesus Cristo e confiada aos cristãos, seus discípulos.

 

Georgino Rocha (Pe.)

imagem_ CABEÇA DE JOÃO BATISTA
fonte: 
http://www.digrande.com.br/Passagens_Biblicas.htm 

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Yes we can

Apesar de todo o mediatismo que anda à volta do novo presidente dos EUA, tenho de admitir que a personalidade do Sr. Barack Obama me motiva e desperta em mim bastante interesse. De facto, ele gerou uma onde de pensamento "pela positiva" e uma movimento de esperança que penso ser necessário implementar em todo o mundo. Particularmente no nosso país é necessário dar ESPERANÇA A PORTUGAL.

terça-feira, janeiro 20, 2009

As declarações de D. José Policarpo

Um monte de sarilhos

Basta olhar para D. José Policarpo, conhecer minimamente o seu percurso e tê-lo ouvido ou lido em entrevistas nos media para qualquer um perceber que está perante o oposto de um incendiário. A imagem e a vida do patriarca de Lisboa, a par da forma como tem desempenhado o seu cargo, são testemunho bastante de que estamos perante um homem de tolerância e diálogo, que não precisa de justificações nem de defesa para compor esse perfil. Aliás, no seu alerta às jovens para os casamentos com muçulmanos, feito numa espécie de conversa de café - ou de casino, como foi precisamente o caso - pressente-se até alguma bonomia irónica. Se pretendesse dar peso e solenidade ao seu 'aviso', certamente não recorreia a uma expressão como "monte de sarilhos", nem poria Alá no lugar da palavra que os católicos usam para falar de Deus.

Dir-se-á que, na posição em que se encontra, D. José Policarpo deve ter sempre presente o que se passou com o Papa Bento XVI na Universidade de Ratisbona e evitar este tipo de considerações em público. É verdade. Mas os patriarcas - e, pelos vistos, até o Papa - também cometem erros de avaliação quanto ao efeito das suas palavras. Não admira, aliás, que tal aconteça, porque estão vigiados e escrutinados à lupa pela lógica do medo, ou do 'ai, que os muçulmanos ofendem-se!' com que a esquerda sectária e outros sectores e organizações influentes na política e nos media hoje disfarçam, se bem que mal, a sua militância ardente contra a Igreja Católica e todos os valores que esta defende.

Isto quando nenhuma voz se levanta e muito menos se indigna com o que dizem sobre os cristãos e a cultura ocidental certos imãs fundamentalistas que não fazem senão apelos directos e inflamados ao ódio. Incluindo em países europeus onde o Islão é ultraminoritário. Esses, sim, contribuem para envolver o mundo num "monte de sarilhos", mas não há jornal que os critique, ou televisão que os aponte. Nem a esquerda bem pensante levanta a voz para lhes denunciar o fanatismo.

Felizmente não há, que se saiba, clérigos desses em Portugal. E os líderes da comunidade muçulmana, apesar de quase empurrados pelo frenesim mediático para uma reacção com dureza, tiveram, neste caso como noutros já passados, a serenidade e o bom senso de relativizar o que só podia e devia ser relativizado. Se o fizeram foi certamente porque conhecem e respeitam o patriarca de Lisboa e o seu trabalho. Talvez mais e melhor do que muitos que, de forma oportunista, se armam em advogados dos muçulmanos sem terem procuração para tal.

:: Fernando Madrinha no jornal
Expresso 

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Filosofia de vida

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Um bom ano

Para iniciar o ano da melhor maneira, deixo-vos um vídeo extraordinário e que revela o que cada um de nós pode fazer para mudar o mundo, mesmo que sejamos "pequeninos" - o lema para este ano é nunca desistir dos nossos sonhos.
Votos de um excelente 2009.




Enfim, coisas da vida ...