terça-feira, novembro 24, 2009

Frase de Semana

"Daqui a cem anos, não valerá mais a pena viajar, pois o mundo está ficando cada vez mais uniforme"(Paul Bowles)

De facto, com a globalização e a massificação do comércio, indústria e serviços, principalmente nas áreas industrializadas, cada vez mais tudo parece igual.
Vejam por exemplo o caso dos centros comerciais?
A qualquer espaço que se desloquem, as estabelecimentos são sempre os mesmos ... certo?

Enfim, coisas da vida ...

terça-feira, novembro 17, 2009

Tentações!

Um vídeo bastante engraçado, onde a tentação da carne está presente ...
Reparem nas expressões faciais fantásticas destas crianças!
Simplesmente lindo!
Enfim, coisas da vida ...
(fonte: @joaolima via twitter)

quinta-feira, novembro 12, 2009

Representantes de Facebook, YouTube e Wikipedia no Vaticano

Assembleia da Comissão Episcopal Europeia para os Meios de Comunicação

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 11 de Novembro de 2009 (
ZENIT.org).- Os bispos europeus conversam estes dias com representantes do Facebook, YouTube, Identi.ca e Wikipedia.

O contexto é a assembleia plenária da Comissão Episcopal Europeia para os Meios de Comunicação, que acontece de 12 a 15 de Novembro no Vaticano, com o tema “Cultura de Internet e comunicação na Igreja”.

A CEEM é uma comissão especializada do Conselho de Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que acompanha a evolução da mídia e das comunicações eclesiais, sustenta a ação das Conferências Episcopais neste campo e define, a pedido da CCEE, orientações em matéria de política midiática.

Neste encontro –informa a CCEE– participam os bispos responsáveis pelas comissões episcopais para as comunicações sociais, acompanhados por especialistas, responsáveis de imprensa e porta-vozes das conferências episcopais da Europa, num total de 100 delegados.

“Quais são as implicações da presença da internet para a missão da Igreja hoje? Onde se encontra e qual é esta nova cultura veiculada pela internet? Como se insere na rede a pastoral quotidiana de nossas dioceses e de nossas paróquias? Como a Igreja pode fazer passar a mensagem cristã na cultura atual, marcada pela interatividade?”. A questões como essas se dirige a assembleia.

Como introdução deste encontro, os bispos serão iniciados no mundo da internet e nas mudanças em curso não apenas na rede (com a passagem à web 2.0 e à “nuvem”), mas também na sociedade, e em particular entre os jovens. A necessidade de fazer sentir o efeito de interpretar as culturas midiáticas atuais na sua especificidade.

Os bispos da Europa dialogarão com quem faz a comunicação e produz a cultura hoje. Com representantes de redes sociais como Facebook, de motores de busca como Google-YouTube, de microblogging como Idêntica, e da enciclopédia social Wikipedia.

A assembleia se centrará na ideia que está na base da criação de uma empresa multimídia, e na maneira como as pessoas (em especial os jovens) utilizam estes sites. Em seguida se discutirá o desenvolvimento da empresa.

A geração web é seguramente a que é mais sensível à presença constante da internet no cotidiano. Um sociólogo ajudará os participantes a compreender melhor o tipo de relação que os jovens mantêm com a Internet.

Na internet existe outra cultura, paralela e geralmente ignorada pela Igreja, mas não pelos “aficcionados em informática”. É o mundo dos hackers. Através do testemunho de um jovem suíço e de um responsável na luta contra a criminalidade na rede, da Interpol, os participantes tentarão compreender o fenómeno.

Irá se falar também dos limites tecnológicos e jurídicos da internet, além de como se defender em caso de ataque na rede.

As informações introdutórias da assembleia destacam que os meios de comunicação convertem-se cada dia mais em um espaço social e cultural através do qual passam todas as práticas individuais e sociais. Inclusive as práticas religiosas não escapam da presença na Internet.

Os dias do evento estarão preenchidos por conferências, debates, momentos de oração e celebrações eucarísticas.

fonte: Zenit

quinta-feira, novembro 05, 2009

Redes sociais não obrigam a reclusão

Interessante este ponto de vista, eu sempre tive essa ideia!

O fim das relações humanas tal como as conhecemos tem sido preconizado por muitos investigadores que culpam o uso da Internet, das redes sociais e de meios de comunicação como o email e o instant messaging. Um estudo agora divulgado pelo Pew Internet and American Life Project mostra que acontece precisamente o contrário.

Em vez do isolamento social, estas redes potenciam o aumento da comunicação e até do número de pessoas com quem se interage, no mundo da Internet mas também no mundo real.

O uso da Internet e de redes sociais não retirou as pessoas dos parques, dos cafés e de outros locais de convívio, mostra o estudo. Os utilizadores de sites de redes sociais têm até mais propensão para frequentar bares, indica o estudo que mostra que apesar do aumento dos contactos telefónicos, preferencialmente nas redes móveis, o contacto face a face continua a ser o mais importante para as pessoas se manterem em contacto.

O cidadão típico vê cada membro do seu grupo de amigos mais próximos cerca de 210 dias por ano.

Em termos de caracterização, os dados da Pew Internet mostram também que o uso de redes sociais está disseminado em termos etários, não ficando centrado nas gerações mais jovens..

A idade média dos usuários activos do Twitter é de 31 anos. No Facebook, é de 33, um número que cresceu desde a última análise, em Maio, quando se fixava nos 26 anos.

“Todas as evidências apontam numa direcção. As redes sociais de cada individuo são potenciadas pelas novas tecnologias de comunicação. É um erro acreditar que o uso da Internet e telefones móveis empurram as pessoas para uma espiral de isolamento”, refere Keith Hampton, autor do estudo.

fonte: tek sapo

quarta-feira, novembro 04, 2009

António Lobo Antunes

Mais uma vez, trago aqui para este espaço, uma fantástica entrevista dirigida pelo excelente jornalista Mário Crespo, a um grande senhor das artes portuguesas, António Lobo Antunes.
Cada vez vejo mais o escritor a transformar-se em filósofo, antropólogo diria mesmo teólogo, serei somente eu a ter esta visão?
Enfim, coisas da vida ...



terça-feira, novembro 03, 2009

Solenidade de Todos os Santos ?

Grande Solenidade. A de todos aqueles que se encontram na morada do Pai. A do convite à Santidade, convite esse dirigido a todos nós. Dia de Festa, de Alegria. Dia para celebrar mesmo! Dia para celebrar com familiares, amigos, com todos os que se sentem salvos pelo Amor de Deus.
Tenho saudades deste Dia. É verdade que já tenho alguns anos. É verdade que muita coisa mudou. A sociedade de hoje já não é o que era nos meus tempos de meninice e de juventude. A correria, o lucro, a globalização vieram trazer coisas novas que não existiam nos "tempos de antigamente".
Os Domingos e Dias santificados eram para descansar, para louvar a Deus e para dedicar à família. Sobretudo os mais velhos. Recordo-me de todas as tardes de Domingo irmos até à casa dos meus avós. Essa "romaria" era sagrada.
A tarde do Dia de Todos os Santos era destinada a ser passada na eira dos meus avós maternos. Fazia-se o magusto e provava-se a "agua-pé". Toda a família estava reunida. E éramos muitos: os meus avós tiveram 15 filhos. Com bastante antecedência era recolhida pelos pinhais a caruma ("munha", como se dizia naquela zona) necessária para encher a eira a fim de assar as castanhas necessárias para satisfezer a todos. A "água-pé" era da boa! Ríamos, conversávamos, contávamos anedotas, cantávamos... No fim, depois de bem comidos e bem bebidos, restava a cinza. Era usada para nos "mascararmos". Que tardes! Já noite adentro, íamos descansar. No dia seguinte, manhã cedo, havia que levantar para ir à Missa de "Fiéis Defuntos".
E hoje? Para aproveitarmos o feriado do dia 1 de Novembro, e termos o maior número de pessoas possível, lá vamos nós em procissões até aos cemitérios. É uma correria de manhã, uma correria à tarde... Ninguém quer ser apontado por não estar presente.
E o convívio? E a solidariedade? E, depois, queixam-se de que o "halloween" veio estragar tudo! Nós, padres, estragámos o Dia de Todos os Santos! Na correria para os cemitérios, esquecemos a caminhada festiva para a Casa do Pai que se pode concretizar na alegria de estarmos juntos a estreitar os laços de amizade e da fraternidade.
Hoje não celebrei os "Fiéis Defuntos". Dei um presente àquela que foi instrumento nas mãos de Deus para me dar a vida material e espiritual. Obrigado por seres para mim exemplo de caminhada dura para a Casa do Pai. Obrigado por rezares para que eu seja fiel à santidade que Deus me ofereceu.

destaques feitos por mim, retirado do blog: Migalhas também são pão

quarta-feira, outubro 28, 2009

O Deus e a Bíblia de Saramago na SIC-Notícias

Apesar de não dizer nenhuma novidade, ao menos as "bocas" do escritor José Saramago sobre Deus e Bíblia vieram trazer de novo à luz dos média uma temática que precisa de ser mais e melhor debatida.
Entrevistas / debates com personalidades de qualidade científica (teológica, bíblica, filosófica, antropológica, sociológica, etc.) impar no panorâma nacional, fazem falta aparecer nos meios de comunicação social.

A Sic Notícias presenteou-nos com um debate de qualidade fantástica, com um dos maiores biblistas nacionais, o capuchinho Fernando Ventura (que tive a honra e o prazer imenso de ter como antigo professor) e do professor economista José Manuel Pureza. Deliciem-se com o manjar de palavras e sabedoria que Fernando Ventura em 20 minutos apresentou.

Esta é a minha sugestão de reflexão/análise para hoje


Enfim, coisas da vida ...

terça-feira, outubro 27, 2009

Alvin Toffler e a educação

Este escritor futurista norte-americano debate a função e o papel da escola nos dias de hoje.
Um ponto de vista interessante, apesar de polémico.
"Nós não precisamos de reformar o sistema de ensino, precisamos de o substituir imediatamente" - Alvin Toffler citando Bill Gattes.
Não percam este pequeno excerto de 6 minutos.

Enfim, coisas da vida ...


segunda-feira, outubro 26, 2009

Atenção reforçada ao mundo digital

Iniciou-se esta Segunda-feira no Vaticano a assembleia plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais (CPCS) ... A reunião magna acontece após o anúncio, em Março deste ano, da intenção de se redigir um novo documento sobre as relações entre Igreja e media.
Na abertura dos trabalhos, o presidente do CPCS, D. Claudio Celli, afirmou ter chegado o momento de “olhar atentamente para a imprensa católica e o mundo da Internet”.
(...)
No Vaticano, por estes dias, debate-se um novo documento para um tempo em que a Igreja não tem necessidade de reivindicar um espaço no mundo dos media, porque tem diante de si, em larga medida, um campo livre, com as novas tecnologias. O texto sobre os novos desafios mediáticos terá como objectivo introduzir a comunicação da Igreja no mundo do digital.

artigo completo aqui na Agência Ecclesia

sexta-feira, outubro 23, 2009

SENHOR, QUE EU VEJA

Este desejo é expresso em público, com voz firme e confiante, por Bartimeu. Dirige-se a Jesus que ia a sair de Jericó a caminho de outras terras. É feito por um cego que estava na valeta, à margem, a pedir esmola.

As suas limitações não o bloqueiam, nem os preconceitos sociais nem a repreensão de alguns acompanhantes de Jesus. O seu gesto manifesta uma “cegueira” lúcida que vê mais longe e uma coragem ousada que rasga horizontes. A sua atitude fica registada como um símbolo para toda a humanidade em todos os tempos.


“Que eu veja, Senhor” – continuam a clamar os que amam, estudam e trabalham pelo progresso que humaniza a vida; os que se dedicam à investigação científica que desvenda os segredos da natureza; os que, incansavelmente e com desvelo, exercem a biomedicina e cuidam da pessoa doente e das circunstâncias em que está envolvida.

“Senhor, que eu veja” - exclamam os que sonham uma ordem política e económica, alicerçada na ética da responsabilidade comum e no destino universal dos bens e querem contribuir positivamente para despertar a consciência social dos cidadãos; os que acreditam na força das organizações e na eficácia das iniciativas que, à maneira de fermento, vão provocando um modo de ser e agir mais humanizados.


“Que eu veja, Senhor” – desejam os que estão constituídos em responsáveis pelo bem público integral e pretendem encontrar vias acessíveis e eficazes para o promover; os que têm a missão de, à maneira de Jesus, procurar as melhores formas de dar a conhecer os valores do Evangelho, de colaborar para que todas as pessoas tomem consciência da sua dignidade e possam caminhar na vida “de cabeça erguida e rosto descoberto”.


Bartimeu, o filho do homem apreciado pela honradez, tal é o significado do seu nome, faz o pedido da visão num contexto de diálogo profundo, depois de aceitar o chamamento e a ajuda que outros lhe ofereciam, de atirar fora a capa do resguardo, de se erguer com vigor e de, confiante, ir ter com Jesus. Gestos humanos indispensáveis para começar a ver com luz nova – a da fé - que enche de alegria, beleza e verdade a vida inteira.


Georgino Rocha

Back to real life

Este post serve somente para avisar que estou vivo, e a restante família se encontra espectacularmente bem!
Depois de 2 meses em que passei:
I. pelo nascimento do meu filhote Vasco
II. pelo acolhimento desse novo membro da família em casa com tudo o que isso implica. Desde a ajuda à mamã que com dificuldade e cansaço vai fazendo um ENORME trabalho, passando pela proximidade que adquiri com o meu Afonsito. Se já eramos unha e carne antes do nascimento do Vasco, agora somos muito mais do que isso.
III. por uns dias de férias em família extraordinários no Algarve, que nos ajudaram a carregar baterias, a viver momentos fantásticos, a nos tornarmos ainda mais cúmplices, a sermos cada vez mais famílias.
Volto outra vez à realidade que também é ESPECTACULAR.
Por isso, volto outra vez à vida activa e à cidadania participativa.

Enfim, coisas da vida ...

quinta-feira, agosto 20, 2009

Bem-vindo ao mundo Vasco!

Eis o dia que fez o Senhor!
Nele exultemos e nos alegremos!
Aleluia!

É este refrão do salmo 118 que mais me vem ao pensamento, para exprimir a alegria que sinto ao ser pai pela segunda vez.
Para a família Gonçalves Marques, hoje é Domingo de Páscoa!

Pois é, hoje (20 de Agosto - Dia de S. Bernardo) pelas 00h10m nasceu no Hospital Infante D. Pedro o meu Vasco!
A mãe está muito bem e ele está um rapagão, todo jeitoso!
O pai e o irmão mais velho, estão também muito bem, graças a Deus.

Um abraço a tod@s e obrigado pela força que nos transmitiram neste momento de enorme ansiedade / alegria para nós pais!

terça-feira, agosto 18, 2009

[Músicas da minha vida] - Paixão (Blackout)

Inicio agora uma nova rúbrica, as "músicas da minha vida".
Para começar, só poderia ser com uma sonoridade que me acompanha à uns largos anos e que não dispenso no "ambiente de trabalho" dos meus computadores.
Enfim, coisas da vida ...


sexta-feira, agosto 14, 2009

Alice Vieira acerca das leituras e dos livros

Deixo aqui uma sugestão de audição, para se ouvir nesta altura de verão!
Alice Vieira, fala acerca de leituras, livros e educação, numa entrevista / tertúlia com Inês Pedrosa, directora da casa Fernando Pessoa. Especialmente no momento em que ela fala acerca da educação, ela diz umas verdades muito tristes e bastantes preocupantes.
Enfim, coisas da vida ...

quinta-feira, junho 18, 2009

[João Paulo II] Amar não é pecado

Façam um favor a vocês mesmos e leiam este artigo fantástico, um tema bastante interessante e que irá certamente fazer correr muita tinta!
Enfim, coisas da vida ...

"Está circulando a notícia de que o papa João Paulo II, falecido em 2005, tinha uma amiga íntima com a qual se correspondia com freqüência e com a qual se encontrava com certa constância. A correspondência de Karol Wojtyla com essa mulher, cujo nome é Wanda Poltawska, teria durado 55 anos', escreve José Lisboa Moreira de Oliveira, doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, e gestor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília, em artigo que nos foi enviado e que publicamos a seguir. O autor foi assessor nacional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.
(clique para vêr o artigo completo)


terça-feira, junho 16, 2009

Jesus quer a rosa

Que bom seria que nós cristãos conseguissemos falar assim de Cristo e acima de tudo ensinarmos nas nossas catequeses, homilias, aos nossos amigos que "JESUS QUER A ROSA".
Enfim, coisas da vida ...


retirado do blog: Canto de Jo

sexta-feira, junho 05, 2009

HOME O Mundo é a nossa casa

HOME, filme da autoria do realizador francês Yann Arthus-Bertrand, é constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária.
Não percam, imagens fabulosas ...

terça-feira, junho 02, 2009

O SOPRO DE JESUS

Jesus escolhe o gesto do sopro para comunicar o Espírito Santo, o dom de Deus por excelência. Comunica-o aos discípulos, fazendo deles apóstolos, comunica-o à Igreja a fim de ultrapassar as fronteiras da sinagoga e se abrir sem medos à universalidade da missão; comunica-o a cada um de nós para que – como São Paulo – vivamos para o Senhor e para os outros e não apenas para nós mesmos.

Antes de fazer o gesto, Jesus identifica-se. Mostra as mãos onde se mantém as cicatrizes da crucifixão e apresenta o lado com as marcas da flagelação. Sou eu mesmo e não um fantasma – afirma. Vivo uma vida nova que não se parece em nada com a vida material ou virtual. Compreendei o gesto que vos faço. Acolhei e apreciai o Espírito que vos confio em nome do Pai. Deixai-vos guiar por Ele, pois fica constituído em memória permanente e viva de quanto vos transmiti e em garante fiel de quanto vos vai ser pedido para realizardes a missão que vos entrego.

O sopro de Jesus é para os discípulos o que o alento de Deus foi no alvor da criação, dando vida a todas as coisas e gerando a harmonia do universo; é para os profetas o que a brisa suave foi para Elias, atestando a presença qualificada de Deus junto de quem permanece fiel, mesmo no meio da perseguição; é para a Igreja ao longo da história o que foi para os membros da primeira comunidade cristã: agente de transformação, força de comunhão que vai integrando diferenças legítimas, linguagem de comunicação que a todos quer fazer chegar a novidade de Jesus, em favor da humanidade inteira.

Mas quantas vezes, os ruídos se infiltraram e surgiram os monólogos e as deturpações, a comunhão cedeu lugar à desunião e ao mútuo desconhecimento, a renovação foi suplantada pela manutenção e conservação das tradições, a brisa suave foi varrida pela tempestade violenta das guerras, sem conta, o alento criador foi usurpado pelas forças da morte, de todos os naipes.

O sopro de Jesus tem sempre uma importância vital para os discípulos, a Igreja enquanto comunidade instituída, a humanidade com família de irmãos. Ele é Espírito e não os espíritos, as forças ocultas e malfazejas, as correntes dinâmicas de esoterismo, os estados sentimentais e fundamentalistas.

O sopro de Jesus constitui o gesto da nossa marca e do nosso estilo. Faz-nos apelos à intervenção coerente, lúcida e realista, numa sociedade cheia de luzes e sombras.

P. GEORGINO ROCHA

sexta-feira, maio 22, 2009

Fantástico

O Vaticano decidiu marcar o 43º dia Mundial das Comunicações Sociais da melhor maneira. Para isso, lançou o portal Pope2You. É um serviço fantástico, inovador e bastante arrojado. A Igreja a potenciar ao máximo as multiplataformas da web 2.0. PARABÉNS!
Enfim, coisas da vida ...

LINK: http://pope2you.net/

terça-feira, maio 19, 2009

Educação dos filhos na actualidade

Esta imagem representa o novo paradigma da educação e da responsabilidade parental na metodologia educativa.
Enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, maio 18, 2009

CONVITE

Lançamento do livro do, Rui Marques, "Esperança em Movimento", que é na próxima segunda-feira, dia 18, pelas 18h30, na Livraria Bertrand do Fórum Aveiro. A tua presença é uma honra! Eu vou lá estar, certamente ...
Enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, maio 13, 2009

Eleições Europeias - MEP

Deixo aqui a declaração final da Laurinda Alves, no debate na RTP, com os cabeças de lista às eleições europeias.  Como ela afirma mesmo no final, existe uma regra"matemática infalível que prova que quando dividimos, multiplicamos!".
Vamos estando atentos ao que se vai escrevendo e falando sobre estas eleições que se irão realizar no próximo dia 7 de Junho.


Enfim, coisas da vida ...

quinta-feira, abril 30, 2009

[Segurança na NET] A todos os pais, adolescentes e demais.


É sobre isto que tenho andado a escrever todas as semanas ...
A segurança na internet é de facto importante e preocupante, dado que as nossas crianças e jovens, não "ligam" nenhuma a estas coisas ...
É o celebre pensamento: a mim nunca me acontece isso !
Divulguem o mais que puderem.








[SEGURANÇA NA INTERNET] A todos os pais, adolescentes e demais

Após deixar os livros no sofá ela decidiu lanchar e entrar online.
Assim, ligou-se com o seu nome de código (nick):* **Docinho14.*
Procurou na sua lista de amigos e viu que* **Meteoro123* estava ligado.
Enviou-lhe uma mensagem instantânea:
*Doçinho14*: Oix. Que sorte estares aí! Pensei que alguém me seguia na Rua hoje. Foi mesmo esquisito!
*Meteoro123:* Lol. Vês muita TV. Por que razão alguém te seguiria? Não moras num local seguro da cidade?
*Docinho14*; Com certeza. Lol. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando me virei.
*Meteoro123:* A menos que tenhas dado o teu nome online. Não fizeste isso, pois não?
*Docinho14*: Claro que não. Não sou idiota, já sabes.
*Meteoro123:* Jogaste vólei depois das aulas, hoje?
*Docinho14*: Sim e ganhamos!
*Meteoro123:* Óptimo! Contra quem?
*Docinho14*: Contra as Vespas do Colégio da Sagrada Família. LOL. Os uniformes Delas são um nojo! Pareciam abelhas. LOL
*Meteoro123:* Como se chama a tua equipa?
*Docinho14*: Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigres nos uniformes. São impecáveis.
*Meteoro123:* Jogas ao ataque?
*Docinho14*: Não, jogo à defesa. Olha: tenho que ir. Tenho que fazer os TPC antes que cheguem os meus pais. Xau!
*Meteoro123:* Falamos mais tarde. Xau.
Entretanto,* **Meteoro123* foi à lista de contactos e começou a pesquisar sobre o* **Perfil dela.*
Quando apareceu, copiou-o e imprimiu-o.
Pegou na caneta e* **anotou o que sabia de Docinho* até agora.
Seu nome:* **Susana* aniversário: Janeiro 3, 1993. Idade.: 13. Cidade onde vive: Porto.
*Passatempos*: vólei, inglês, natação e passear pelas lojas.
Além desta informação sabia que vivia no centro da cidade porque lho tinha contado recentemente.
*Sabia que** **estava sozinha até às 6.30 todas as tardes* até que os pais voltassem do trabalho.
*Sabia que* jogava vólei às quintas-feiras de tarde com a equipa do colégio, os Gatos de Botas. O seu número favorito, o 4, estava estampado na sua camisola.
*Sabia que* estava no oitavo ano no colégio da Imaculada Conceição. Ela tinha contado tudo em conversas online.
Agora tinha informação suficiente para encontrá-la.* **Susana* não contou aos pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que ralhassem com ela e a impedissem de voltar dos jogos de vólei a pé.
Os pais sempre exageram e os seus eram os piores. Ela teria gostado não ser filha única. Talvez se tivesse irmãos, os seus pais não tivessem sido tão super protectores.
Na quinta-feira,* **Susana já se tinha esquecido* que alguém a seguira.
O seu jogo decorria quando,* **de repente, sentiu que alguém a observava.* Então lembrou-se. Olhou e viu um homem que a observava de perto. Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando o viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente desapareceu o medo que sentira.
Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador. Ela apercebeu-se do seu sorriso mais uma vez quando passou ao lado. Ele acenou com a cabeça e ela devolveu-lhe o sorriso. Ele confirmou o seu nome nas costas da camisola.* **Sabia que a tinha encontrado.*
Silenciosamente, caminhou a uma certa distância* **atrás dela.* Eram só uns quarteirões até casa dela. Quando viu onde morava voltou ao parque e entrou no carro. Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de* **ir à Casa da menina.* Foi a um café e sentou-se.
Mais tarde, essa noite,* **Susana* ouviu vozes na sala. 'Susana, vem cá!', chamou o seu pai.
Parecia perturbado e ela não imaginava porquê.
Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. 'Senta-te aí', disse-lhe o pai, '
*este senhor* acaba de nos contar uma história muito Interessante sobre ti'.* **Susana* sentou-se.
Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa?* **Nunca o tinha visto* senão nesse mesmo dia!
'Sabes quem sou eu?'* **perguntou o homem.*
*'Não',* respondeu Susana.
'Sou polícia e teu amigo do Messenger* **- Meteoro123'.*
*Susana ficou pasmada.*
'É impossível!* **Meteoro123* é um rapaz da minha idade! Tem 14 e mora em Braga!'.
*O homem** **sorriu.* 'Sei que te disse tudo isso, mas não era verdade.
Repara, Susana, há gente na Internet que se faz passar por miudos; eu era um deles. Mas enquanto alguns o fazem para molestar crianças e jovens, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores.
Vim para te ensinar que é muito perigoso falar online.
Contaste-me o suficiente sobre ti para eu te achar facilmente.
Deste-me o nome da tua escola, da tua equipa e a posição em que jogas. O número e o teu nome na camisola fizeram com que te encontrasse facilmente.
*Susana gelou*. 'Quer dizer que não mora em Braga?'.
*Ele* riu-se: 'Não, moro no Porto. Sentiste-te segura achando que morava longe, não é?' 'Tenho um amigo cuja filha não teve tanta sorte: foi assassinada enquanto estava sozinha em casa.
*Ensinam-se as crianças e jovens a não dizer a ninguém quando estão sozinhos, porém contam isso a toda a gente pela internet.*
*As pessoas maldosas enganam e fazem-se passar por outras para tirar informação de aqui e de lá online.*
*Antes de dares por isso, já lhes contaste o suficiente para que te possam achar sem que te apercebas.*
*Espero que tenhas aprendido uma lição disto e que não o faças de novo.*
*Conta aos outros sobre isto para que também possam estar seguros'. 'Prometo que vou contar!'.*
*AGORA: Por favor, divulga isto aos teus amigos para que não forneçam informações sobre si próprias.*

*CUIDADO COM AS INFORMAÇÕES QUE PASSAS NO HI5, NO MSN OU AINDA OUTROS.* 

sexta-feira, abril 17, 2009

Laurinda Alves na linha de partida

Os jornalistas ajudaram o BE a nascer, amamentaram-no, mudaram-lhe as fraldas, disfarçaram-lhe as traquinices

Uf! Finalmente temos todos os cabeças de lista para as eleições europeias conhecidos. Custou, mas foi. E o meu coração está habitado por alegria e paz. Talvez por isso afirmo: previa pior e acho que os portugueses terão a possibilidade de escolher entre candidatos de qualidade bem acima da média - admita-se que bastante baixa... - da classe política portuguesa.
Realmente Miguel Portas, Ilda Figueiredo, Vital Moreira, Paulo Rangel, Nuno Melo e Laurinda Alves asseguram respeitabilidade, animação, combate duro, energia a rodos, boa televisão - o que não é pouco nos tempos que correm.
Laurinda Alves? Perguntará o amigo leitor, pensando talvez que acrescentei um nome feminino para cumprir a lei das quotas. Ou, pior ainda, pensando que é um lapso meu. Não, amável leitor. Laurinda Alves existe: é uma brilhante jornalista, que se revelou politicamente no combate do referendo ao aborto (do lado da penalização), que é uma pessoa decente e representa um novo partido (sabia isso ao menos, leitor desatento?) que se chama Movimento Esperança Portugal. O MEP tem como ambição situar-se numa zona entre o PS e o PSD; por isso, num lugar mais congestionado do que a famosa Praça do Marquês de Pombal, antes do túnel, que revelou um triste Frei Tomás do início do século XXI em que se transformou um catãozeco do final do século XX.
Falemos pois um pouco do MEP. Começando por registar que a comunicação social lhe não tem dado atenção rigorosamente nenhuma - o que, registado, me permite abrir a boca com surpresa. Pois então entra no mercado um novo produto para concorrer com os que já por aí andam, velhos e relhos, e nem assim merece a atenção de uma reportagem, a graça de uma entrevista, o favor de uma curta notícia?
Isto é, em minha opinião, um mau sinal e um contributo para a perpetuação do oligopólio em que se transformou o sistema político-partidário português. Na semana passada avancei que os votantes em eleições internas dos partidos correspondem mais ou menos ao número de eleitos para órgãos autárquicos e de assessores. Ajuda amiga permite-me afirmar que acertei. Tomando o PSD como exemplo, tem cerca de 30.000 eleitos e... cerca de 30.000 votantes nas eleições internas. E, a propósito, o nosso pequenino torrão à beira-mar plantado elege 70.000 autarcas de quatro em quatro anos!
Em qualquer mercado minimamente eficiente, a entrada de um novo player é saudada pelos consumidores, pois irão beneficiar de ideias novas, concorrência acrescida, menores custos e melhor serviço. Os media, que para si definiram o estatuto de "provedores da cidadania" e de "látego de infiéis", deveriam ter pegado neste novo partido e levá-lo ao colo até que pudesse estar em condições de sobreviver. Pelo menos, deveriam fazer-lhe promoção no valor equivalente ao subsídio que os seus concorrentes recebem do Estado e que para ele não existe.
Em segundo lugar a origem do MEP. Rui Marques é o seu líder. Ganhou notoriedade com o barco que foi a Timor, foi alto-comissário para os Emigrantes, começou na Rádio Renascença e está ligado à Igreja Católica. Imagino que nos quadros do novo agrupamento estejam muitas pessoas que ganharam o apetite da coisa pública no referendo sobre o aborto. De um lado e do outro, esse referendo permitiu revelar novos rostos, novas personalidades, e por acréscimo pessoas que estavam a lutar por aquilo em que acreditavam e não por uma talhada no melão da coisa pública. Eram genuínos, idealistas, vinham da sociedade civil e podiam servir para regenerar os partidos. Infelizmente, pelas razões que expliquei na passada semana, foram considerados em regra como ameaça às sinecuras, como incómodas cabeças pensantes, e os partidos - que os usaram na campanha - puseram-nos de quarentena, assobiaram para o lado, esqueceram-nos e continuaram na mesma, como a lesma. Estou convencido que por trás do MEP está assim uma vocação, uma frustração e uma convicção.
Em terceiro lugar, o posicionamento. Historicamente essa era a posição desejada pela Igreja Católica para os partidos democratas-cristãos. E ainda hoje os que sobrevivem na fidelidade ao seu ideário original por este tipo de espaço se mexem. O lugar faz sentido, na medida em que pretende associar o conservadorismo dos valores morais com o progressismo das preocupações sociais, mas fazendo isso a sério e não apenas para piscar o olho ao eleitorado de quatro em quatro anos. O espaço está congestionado, mas a fragilidade e falta de valores e de princípios dos partidos velhos, transformados que estão em máquinas de alocação de postos e postas, abre uma janela de oportunidade. Já sei, o PRD também, etc. e tal. Só que estes agora parecem-me sinceros...
Por tudo isto, estão todos na linha de partida e a corrida pode começar. Peço, pois a especial atenção para Laurinda Alves e para o MEP. Peço aos holofotes dos telejornais que lhes dêem alguma luz. Sugiro aos plumitivos que estudem e comentem o recém-nascido. Podem dizer que é lindo, ou feio, que tem boa ou má pinta, digam bem ou digam mal, mas não ajudem a criar (ou consolidar) a profecia disparatada de que em Portugal não é possível criar novos partidos. O Bloco de Esquerda aí está a demonstrar - apesar dos seus erros, da tendência catónica e do radicalismo populista inconsequente - que novas caras, novos métodos, novas estratégias e novas ideias e posicionamentos conseguem ter sucesso.
Dizia-me um grande intelectual há anos, e ele conhece-os, que os jornalistas eram (e devem continuar a ser) sobretudo do BE. Talvez por isso, ajudaram-no a nascer, amamentaram-no, mudaram-lhe as fraldas, disfarçaram as traquinices, fizeram-lhe bli, bli, bli no labiozinho e não se cansaram de nos dizer - embevecidos - que começou a falar cedo e bem.
Talvez fosse assim boa ideia fazerem o mesmo ao MEP. Seria justo. E, se calhar, também seria divertido.
José Miguel Júdice , in Jornal Público de 17.04.2009
(destaques feitos por mim)

quinta-feira, abril 16, 2009

A CADA UM, CONFORME A SUA NECESSIDADE








Era assim entre os cristãos de Jerusalém. Os bens estão ao serviço das pessoas. O gosto legítimo de ter traz consigo o desejo de partilhar. A medida da distribuição é definida pelas necessidades e não pelas possibilidades. A atenção da comunidade centra-se nas pessoas individualizadas. A angariação de bens é fruto da consciência comum, da organização solidária, da funcionalidade da rede domiciliária. O exemplo destes cristãos fica como referência para todos os tempos.

A economia da comunhão tem aqui uma das suas principais fontes de inspiração: Ter em comum para chegar a cada um. De forma adequada, sem subterfúgios de qualquer espécie. Com honestidade consciente e transparente. O lucro, também legítimo eticamente, faz parte de um todo social que privilegia a pessoa na sua integralidade.

Aquele modo de proceder manifesta que todos se reconhecem membros da mesma família humana, que todos se amem com amor de doação, que todos estão dispostos a tudo em benefício de cada um. Manifesta igualmente que ninguém pensa que a posse legítima dos bens é apenas pertença privada ou serve somente para uso pessoal, mas antes que todos se consideram depositários e administradores de bens destinados a todos.

Os cristãos de Jerusalém adoptam este estilo de vida e de organização económica pela sua fé em Jesus ressuscitado. Se Jesus está vivo – e está, sem dúvida alguma -, os bens fazem parte do projecto de Deus e têm uma única finalidade: servir a dignidade do ser humano para que possa fazer desabrochar todas as suas capacidades e satisfazer todas as legítimas aspirações.

A fé em Cristo Jesus recria, dotando-a de uma força nova, a ética económica, seja qual for o modelo predominante, e abre horizontes de superação consistente a todas as crises. A relação com os bens está revestida desta novidade. Os cristãos são coerentemente testemunhas qualificadas dessa originalidade. De contrário, fica “congelado” o alcance da ressurreição de Jesus Cristo e hipotecada a força da esperança pascal.

P. Georgino Rocha

quarta-feira, abril 15, 2009

VOTOS DE PÁSCOA FELIZ DO PROFETA ELIAS

1. Lê-se num antigo conto judaico que vivia numa aldeia uma família pobre: pai, mãe e uma filha pequena. O dinheiro não abundava, mas nunca ninguém os ouviu lamentar-se.

2. Aproximava-se entretanto a Páscoa, e a família não tinha meios para comprar as roupas novas requeridas para a festa. Na véspera da festa, a filha disse para o pai: «A Páscoa está a chegar; por que é que ainda não comprámos as roupas novas?» Retendo as lágrimas, o pai respondeu: «Não te preocupes, minha filha; o profeta Elias enviar-nos-á as roupas novas; não precisamos de as comprar». Mas a pequena, não totalmente satisfeita com a candura da promessa, adiantou: «Papá, e se eu escrevesse ao profeta Elias para lhe dizer aquilo de que precisamos?» O pai sorriu e disse: «Escreve, filha».

3. A menina pegou num lápis e numa folha de papel e escreveu: «Elias, para a Páscoa, manda-nos, por favor, um casaco para o papá, uma saia para a mamã, e uns sapatos brancos para mim». Estava para ir meter a carta no correio, quando parou e perguntou: «Papá, de que me vale pôr a carta no correio, se não sei o endereço do profeta Elias?» Respondeu o pai: «Atira-a pela janela, porque o profeta Elias irá recolhê-la onde ela cair».

4. A menina fez como o pai lhe tinha dito. E cheia de uma fé simples e ingénua, ficou à espera de ver realizado o seu pedido.

5. Passava naquela altura debaixo da janela um homem rico que, ao ver cair ao chão aquela folha de papel, a apanhou e viu o que nela estava escrito. E disse de si para consigo: «Esta noite é festa e não posso desiludir esta pobre família e, sobretudo, a fé da menina». Pôs então numa linda caixa as roupas pedidas na carta, e deixou a caixa junto da porta daquela casa, com um cartão que dizia: «Votos de Páscoa Feliz do profeta Elias».

6. É desarmante a inocência da menina desta história! No meio da pobreza e das lágrimas a custo retidas dos seus pais, ela acredita na alegria, e acaba por conseguir vestir de festa aquela casa. Na tradição bíblica e judaica, Elias é o precursor do Messias. Por isso, em cada festa da Páscoa, que os judeus celebram em família pela noite dentro, a porta da casa fica aberta para que Elias possa entrar; na mesa da Ceia há sempre um lugar a mais, destinado a Elias; nesse lugar, é colocado o respectivo talher e uma taça já cheia de vinho, à espera de Elias.

7. O Livro do Apocalipse (21,4), no seguimento de Isaías 25,8, põe Deus a «enxugar cada lágrima dos nossos olhos». A expressão é ousada, pois não fala de olhos sem lágrimas, mas de olhos cujas lágrimas são enxugadas. Atente-se na diferença: os nossos olhos podem manter-se enxutos por cínica indiferença perante o sofrimento dos outros, ou por um esforço estóico para suportar o nosso próprio sofrimento, ou porque já não há mais lágrimas para chorar. Mas uma lágrima enxugada é diferente de olhos enxutos. As lágrimas representam a nossa história de sofrimento. Dizer que as lágrimas são enxugadas significa dizer que no nosso tempo entra um tempo novo, o futuro-presente de Deus, onde o sofrimento será apagado pelas mãos carinhosas de Deus.

8. Viver a Páscoa, que é o tempo em que vamos, não significa indiferença ou estoicismo, mas, antes, enxugar carinhosamente as lágrimas que correm pelo rosto dos nossos irmãos. O tempo em que vamos é (pode ser) uma viagem para a alegria. E cada um de nós pode ser o precursor desse tempo novo. «Votos de Páscoa Feliz do profeta Elias».

António Couto

sexta-feira, abril 03, 2009

Agostinho da Silva: qual o seu legado?


Filósofo, poeta, ensaísta, teólogo, fundador de universidades. Agostinho da Silva marcou o séc. XX português e o seu espírito livre continua a contagiar todos aqueles que se cruzam com a sua obra.
“O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos depois da sua morte” é o tema do colóquio que decorre hoje na Faculdade de Letras de Lisboa. 
Agostinho da Silva faleceu a 3 de Abril de 1994 deixando ainda muita obra por publicar e divulgar. 
(clique para lêr mais sobre o assunto)


Página no sapo dedicada ao grande HOMEM (
http://agostinhodasilva.no.sapo.pt/)

sexta-feira, março 13, 2009

Eterna Saudade

E já lá vão quatro anos ... as saudades são muitas, mas as tuas palavras que tantas vezes conversámos, ficam para sempre. Lembro-me tão bem das nossas tardes que passávamos a trabalhar na terra. Quase que diariamente. algo que acontece na minha vida, me lembra de ti, porque de facto, passamos grandes e bons momentos, 
Que bom é sentir que descendo de um grande Homem. Gosto muito de ti Avô. 
Obrigado por teres marcado tão profundamente a minha vida e aí onde estiveres com a tua "Maria", vão olhando aqui por nós em baixo, pois faz-nos bem sentirmos que somos uma família.
Obrigado Senhor ... 
Enfim, coisas da vida!

terça-feira, fevereiro 17, 2009

O horror do vazio

Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.
(destaques feitos por mim)
Meus caros, acho que vou ter de começar a comprar o JN ás segundas-feiras, tão somente para lêr as espantosas crónicas que o grande jornalista Mário Crespo escreve. De facto são uma preciosidade e de uma acutilância enorme. Não percam...
Enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Ateus

E a luta interior de José Saramago com Deus, continua!
Desta vez, num texto curto de facil leitura, apresenta a sua concepção das religiões, fundamentado numa afirmação do grande teólogo das Religiões - Hanz Kung. De facto, nota-se um certo mal estar e uma postura anti-religiosa neste seu texto, mas, no entanto, a tentativa de explicação do sobrenatural é fantástica.
Penso que vale a pena lêr e meditar, obrigando a nós - crentes - a repensar seriamente na abordagem e na maneira como transmitimos à sociedade a "nossa" vivência religiosa. Pois, com as "nossas" atitudes pode muito bem levar a estas conclusões, ou não ? ! ...
Enfim, coisas da vida ...

Enfrentemos os factos. Há anos (muitos já), o famoso teólogo suíço Hans Küng escreveu esta verdade: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros”. Jamais se disse nada tão verdadeiro. Aqui não se nega (seria absurdo pensá-lo) o direito a adoptar cada um a religião que mais lhe apeteça, desde as mais conhecidas às menos frequentadas, a seguir os seus preceitos ou dogmas (quando os haja), nem sequer se questiona o recurso à fé enquanto justificação suprema e, por definição (como por demais sabemos), cerrada ao raciocínio mais elementar. É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia.

Será isto possível?

Na continuação do "post" anterior em que o jornalista Mário Crespo explana as suas ideias, deixo-vos aqui mais uma notícia escandalosa e que revela a qualidade dos nossos políticos. 
Ai Portugal, Portugal ... de que é que estás à espera ....
Enfim, coisas da vida ...

«A jornalista Felícia Cabrita, que tem publicado as principais informações sobre o caso no semanário Sol, afirma que continua com dúvidas. “Temos um Governo totalitário e todos sabemos que o SIS, ao contrário do que deveria acontecer, recebe ordens directas do Governo”, diz. E revela que já adoptou alguns procedimentos de segurança, como a mudança frequente de telemóvel. A jornalista garante ainda que “a direcção do jornal sofreu pressões de um alto responsável do PS para não continuar a publicar notícias sobre o Freeport”. 0 director, José António Saraiva, confirmou à SÁBADO as alegadas pressões, mas recusou divulgar o seu autor: “Foi alguém muito próximo do primeiro-ministro, mas que não pertence ao Governo.” No dia i5 de janeiro, dois dias antes de o Sol ter publicado a segunda notícia sobre o caso, a direcção do jornal terá recebido o telefonema do alto responsável socialista: “Impressionou-me muito porque a pessoa em causa estava até dentro da situação financeira debilitada do jornal e das negociações que estavam a acontecer com os accionistas”, adianta José António Saraiva. “Disse-me que tudo dependia do que viéssemos a publicar nessa edição”. E se não publicassem nada a situação financeira do jornal ficaria resolvida nesse fim-de-semana. A ameaça, garante, passaria por “estrangular financeiramente o jornal”.» in Sociedade Aberta