quarta-feira, dezembro 07, 2005

Madre Teresa de Calcutá


"Não posso dar-me ao luxo da política. Fiquei 5 minuntos a escutar um político e morreu-me 1 velhinho em Calcutá. "

Madre Teresa de Calcutá

enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, novembro 28, 2005

Um questão de consciência ...

Sou casado, tenho um filho, um emprego estável, e muitas actividades associadas á Igreja, Catequese, Escuteiros, etc ...
Às vezes sinto dúvidas se não estarei a trocar alguns valores como estes que passo a publicar. Escrito por Èlio Fraga:

"O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo atrás do futuro e se esquecendo do agora. Na luta para edificar este futuro, ele renuncia ao presente. Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil actividades — tudo com o objectivo de garantir o seu amanhã. É com que prazer e orgulho, a cada ano, ele preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho. Lote, casa, apartamento, — tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro da sua família. Se ele parte um dia, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixar ninguém desamparado. E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só — é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para fazer em casa, em vez de ficar com os filhos; e é um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda — afinal, ele é um executivo dinâmico, faz parte do mundo competitivo, não pode fraquejar.
No entanto, esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efectivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda — mais precisamente, naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê “relação dos dependentes”. Aqueles que dependem dele, os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor de seu tempo. Os filhos são novos demais, não estão interessados em lotes, casas, salas para alugar, aumento da renda bruta — nada disso. Eles só querem um pai com quem possam conviver, dialogar, brincar.
Os anos vão passando, os meninos vão crescendo, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho - vulgo construção do futuro - que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os levou ou buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir à coroação da menina — pois um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. São coisas de desocupados. Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão “entregues” - o pai para um lado, a mãe para o outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. E é esta convivência que solidifica a fraternidade entre os irmãos, abre seu coração, elimina problemas, resolve as coisas na base do entendimento.
Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, porque correm de um lado para o outro o dia inteiro — ginástica, natação, judo, balé, aula de música, curso de Inglês, terapia, lição de piano, etc. — e só se encontram de passagem em casa, um chegando, o outro saindo. Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam — e, para ver os pais, quase é preciso marcar hora.

Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar — e que tem sido repetida exaustivamente em paróquias, encontros familiares, movimentos e entidades — é esta: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos. Dos 18 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objectivo único e prioritário: construir o futuro para três filhos e minha mulher. Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa, e apaixonante na dedicação à profissão escolhida — que foi, na verdade, mais importante do que minha família. E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês, que me conhecem muito bem. Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda do Luiz Otávio. De que valem casa, carros, sala, lote, e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente? Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio, e desses bens todos não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou, e o dinheiro passou a ter um peso mínimo e relativo em tudo. Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado, para que serve ele? Para que ser escravo dele? Eu trocaria — explodindo de felicidade — todas as linhas da declaração de bens por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha: o nome do meu filho na relação dos dependentes. E como me doeu retirar essa linha, na declaração de 1983, ano-base de 82."


Enfim, coisas da vida ...

terça-feira, novembro 15, 2005

Uma refelxão séria

Este pequeno texto que li num blogue, deixou-me a pensar.
Não será este um dos grandes problemas da nossa Igreja actual?
Olharmos para fora e esquecermos como somos por dentro?


O mundo cá dentro
"Num tempo em que decorre em Lisboa a terceira sessão do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, valeria a pena dirigir esse objectivo para os próprios cristãos. Pensar a evangelização como destinada à conversão do mundo descrente e como privilégio de cristãos cientes da imensidão da sua fé, é um tremendo equívoco. São os cristãos os primeiros a precisar de se reconverter permanentemente à radicalidade do Evangelho e a fazê-lo em diálogo com este mundo. Amando-o e não ensinando-o."
in
http://palombellarossa.blogspot.com/

Acho que vale a pena pensarmos e discutirmos esta temática que é tão importante e, em minha opinião, vital para o futuro da Igreja ...

Enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, novembro 14, 2005

A força de Fátima

São impressionantes, para um católico, mas igualmente para qualquer outro cidadão de outra religião, ou ateu, ou simplesmente desatento, as imagens de fé que levaram, no sábado, centenas de milhares de pessoas a acompanhar a imagem de Nossa Senhora de Fátima pelas ruas de Lisboa.Não é vulgar, nem comum, em país algum, que uma procissão, numa capital despovoada, ao final da tarde, com um tempo pouco agradável, junte tantos fiéis, homens da Igreja, católi-cos serenos ou afastados das igrejas, e dos rituais domini-cais, para seguir com fé e evi-dente crença a manifestação que deu lugar à consagração da cidade a Nossa Senhora. E as imagens mostraram pessoas de todas as idades, jovens e idosos, classes distintas, raças diferen-tes, mas todos unidos pela mes-ma devoção. É bom que a Igre-ja, e as suas imagens, saiam dos seus redutos e locais de culto para se misturarem com os cidadãos comuns, anónimos, e que pela magnitude evidencia-da, não se reproduz, de nenhu-ma forma, no que se vê, diaria-mente ou aos domingos, nas missas rezadas nas dezenas de igrejas da capital. Foi inédito, grandioso, elevado e regenera-dor, particularmente num mo-mento do País e dos portugue-ses em que nada dá esperança, em que o futuro é uma incógni-ta e em que as dificuldades se avolumam. É nisto que a religião católica, como outras, noutras partes do mundo, se eleva e transforma as pessoas. Nossa Senhora de Fátima tem uma força popular explicável, e que todos os anos se renova no seu santuário, mas que desta vez desceu à capital e produziu o milagre de juntar mais fiéis do que, eventualmente, alguma vez se concentraram em Fátima. Portugal é um país católico, mas tímido nessa demonstração, no seu dia-a-dia, mas que aparece em momentos excepcionais e quando a grandeza da ocasião chama por si. No sábado, Lisboa foi um santuário improvisado, repleto, mostrando que tem uma fé inabalável na Igreja Católica Romana e na Mãe de Cristo. Calem-se, por um momento, os que achavam o contrário, e que no seu pessimismo agnóstico e militante tentavam reduzir a Igreja a um bastião ultrapassado e sem futuro. Lisboa católica provou estar viva e empenhada e com uma fé inabalável.
in http://dn.sapo.pt/2005/11/14/opiniao/a_forca_fatima.html

enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, novembro 09, 2005

A FRASE

"É mais fácil encontrar alguém sem as mínimas condições de subsistência nos Estados Unidos do que na maior parte dos países da Europa. Em contrapartida, é muito mais fácil encontrar um desempregado na Europa do que nos Estados Unidos"
José Manuel Fernandes, PÚBLICO, 8-11-2005


Enfim, coisas da vida ...

terça-feira, novembro 08, 2005

frase do dia

"Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos." Martin Luther King

enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, outubro 19, 2005

Professor ateu

Um dia, na sala de aula, o professor estava explicando a teoria da evolução aos alunos.
Ele perguntou a um dos estudantes:
- Tomás, vês a árvore lá fora?
- Sim, respondeu o menino.
O Professor voltou a perguntar:
- Vês a Relva?
E o menino respondeu prontamente:- Sim.
Então o professor mandou Tomás sair da sala e lhe disse para olhar pra cima e ver se ele viu o céu.
Tomás entrou e disse:- Sim, professor, eu vi o céu.
- Viste a Deus? Perguntou o professor.
O menino respondeu que não.
O professor, olhando para os demais alunos disse:
-É disso que eu estou falando! Tomás não pode ver a Deus, porque Deus não está ali !Podemos concluir então que Deus não existe.
Nesse momento Pedrinho se levantou e pediu permissão ao professor para fazer mais algumas perguntas a Tomás.
- Tomás,vês a relva lá fora?
- Sim.
- Vês as árvores?
- Sim.
- Vês o céu?
- Sim.
- Vês o professor?
- Sim.
- Vês o cérebro dele?
- Não - disse Tomás.
Pedrinho então, dirigindo-se aos seus companheiros, disse:
- Colegas, de acordo com o que aprendemos hoje, concluímos que o professor não tem cérebro.

Enfim, coisas da vida ...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Castro pide ayuda a la Iglesia para frenar la creciente «plaga» de abortos en Cuba


El cardenal Bertone revela los detalles de su largo encuentro con el dictador comunista el pasado martes

Es una noticia insólita que el cardenal Tarsicio Bertone ha revelado al diario «La Stampa»: Fidel Castro les ha pedido «ayuda para combatir la plaga de abortos, que es una de las causas de la crisis demográfica y una consecuencia del turismo sexual».

Roma- El cardenal visitó La Habana la semana pasada, acompañando a los dos obispos genoveses destinados por la Santa Sede para la diócesis de Santa Clara. Bertone aprovechó el viaje para entrevistarse con Castro, un encuentro que se produjo el 11 de octubre, se alargó por encima de las dos horas y se saldó con un intercambio de regalos. El purpurado portó una medalla de plata con el rostro de Juan Pablo II, regalo «oficial» de la Santa Sede para los jefes de Estado en los últimos tiempos. Castro correspondió a la ofrenda con una montaña de productos «Made in Cuba»: un centenar de cigarros puros, un cuadro de arte abstracto y una caja de botellas de ron.

Más apertura. Como impresión dominante, Bertone se trajo de Cuba el pesimismo de una nación que arrastra el escándalo del turismo sexual. «Es normal que Castro esté preocupado y yo me avergüenzo del comportamiento de algunos italianos en el extranjero». En la entrevista al diario «La Stampa», el purpurado aseguró que la Iglesia se ha ofrecido a colaborar para ayudar a la población y reconoció que al menos las libertades religiosas están mejorando. «Sobre el aborto y la baja natalidad, la Iglesia puede contribuir mucho en un país que a estas alturas está completamente abierto: un alto funcionario nos acogió en la puerta de la catedral y participó en la ceremonia. Han eliminado las cuotas de acceso al seminario, la ordenación de sacerdotes es libre, así como la elección de los fieles», explicó satisfecho. En su testimonio, Bertone describe a un Castro irreconocible, preocupado por los problemas de la Iglesia, por la salud de Benedicto XVI, por los avatares del Cónclave, un dictador que incluso «acogió en silencio mi bendición sobre su persona y el pueblo cubano». Además, el icono del comunismo caribeño habría dejado una sorprendente valoración de Benedicto XVI: «Es un Papa que me gusta. Una buena persona, algo que he entendido enseguida mirando su rostro, el rostro de un ángel». Castro habría pedido ante la delegación vaticana una visita del Papa a la isla, algo a lo que Bertone respondió haciendo hincapié en que el Pontífice tiene 78 años y limitará mucho los desplazamientos trasatlánticos. «El difunto Juan Pablo II tenía cincuenta y ocho años cuando inició su papado, pero este Pontífice tiene veinte más y son muchos quienes esperan su visita», explicó Bertone. En la Santa Sede se considera improbable que el Papa haga más de un viaje intercontinental por año.

Cal y arena. Por su parte, el purpurado llevó hasta Cuba nuevas señales de reconciliación entre la dictadura y la Santa Sede, cuyas relaciones diplomáticas cumplen setenta años en estas fechas. «Apreciamos la ayuda enviada a Venezuela a cambio de petróleo», explicó el cardenal, ofreciendo la dosis de arena que suele administrar la retórica vaticana para descargar después la pala de cal: «Lamentablemente, el cincuenta por ciento del turismo en la isla es sexual, una vergüenza. Ya va siendo hora de acabar con ella».

in La Razon de 14.10.2005

Este tópico serve para demonstrar aos meus amigos pró-aborto que a temática do aborto contráriamente aquilo que querem fazer passar não tem ligação directa com a Igreja. Ou seja, passa muito para além das questões religiosas, tem isso sim a ver com questões de ética e moral social / pessoal.
Serve ainda para verificarmos que não é uma luta esquerda / direita.

enfim, coisas da vida

sexta-feira, outubro 07, 2005

Jesus Cristo era um homem como outro ?

Com 33 anos, "Jesus Cristo era um homem como outro homem". Com "os traços físicos de um judeu, de olhos cinzentos e cabelos pretos e não loiro de olhos azuis", afirma o teólogo Joaquim Carreira das Neves. Os erros de representação da figura de Cristo são, na sua opinião, habituais porque "a Igreja se serviu dos seus pintores para o representarem à maneira ocidental, anglo-saxónica".
Pelo facto de não haver fotografias de Cristo, "não se sabe se era bonito ou feio", lembra Carreira das Neves. "A Bíblia não descreve fisicamente os seus heróis, mas sabemos que, por volta dos 30 anos, Jesus era um homem cheio de saúde", diz. No entanto, para adivinhar os seus traços físicos, "basta pensar num judeu e num árabe, porque entre um e outro encontram-se os traços que terá tido", explica.
Um dos erros mais frequentes na descrição da sua vida é, de acordo com o teólogo, "a ideia de que era pobre". Isto porque "Jesus vivia no seio de uma família de classe média", afirma. O seu pai, José, terá mesmo sido carpinteiro "Trabalhava a madeira, um material mais digno do que o ferro."
Da infância e da juventude de Jesus Cristo não há registos. "O que sabemos é aquilo que aconteceu depois de completar 27 anos", conta Carreira das Neves. "É um facto que foi baptizado e discípulo de São João Baptista, e que continuou a sua obra depois de este ter sido preso", diz Carreira das Neves."
Do que há certeza é de que foi crucificado", avança o teólogo. Porque "todos os crucificados eram malditos, ele era um maldito, amaldiçoado por causa da nossa maldição, para retirar de nós o pecado", explica.
De acordo com Carreira das Neves, é também certo que Jesus Cristo foi flagelado "Condenaram-no por ser blasfemo, porque perdoou pecados, porque fez milagres ao sábado e porque era contra a lei do divórcio." Na base da sua condenação esteve também "o facto de ter pregado o reino de Deus". Por isso, "não foi condenado por ser malfeitor", assegura.
Carreira das Neves condena "tanto romance e tanta ficção" à volta da figura de Cristo. Na sua opinião, livros como o Código Da Vinci têm sucesso porque há neles "um Jesus feito à imagem e semelhança das pessoas". Essa procura não faz sentido, pensa o teólogo, que tece duras críticas aos livros de Paulo Coelho - escritor brasileiro, autor de Brida e O Alquimista -, por considerar que "não têm dignidade e que as pessoas que o lêem estão demasiado voltadas para um Deus feminino".
Ficção é também, na sua opinião, "o que se diz por aí das viagens que Jesus Cristo terá feito e dos anos que terá vivido no Nepal ou na China". Segundo Carreira das Neves, "não temos fontes que nos garantam que estudou ciência mágica, como se diz".
Os dados biográficos que existem de Cristo são poucos "As cartas de São Paulo são um dos registos mais fiéis que temos, mas São Paulo não se interessou pela pessoa histórica de Jesus, mas pela sua obra." Por essa razão, "não conseguimos dizer com certeza se era bonito, feio, inteligente, ou como era o seu cabelo".
Para explicar às crianças a vida de Jesus Cristo "é preciso muita pedagogia", considera Carreira das Neves. Isto porque "habitualmente só lhes falamos de coisas bonitas, não se fala de sangue nem de morte", explica. Assim, "não é raro celebrar um baptismo em que uma criança de três anos foge de perto dos pais para ir ver a imagem de Cristo morto e perguntar "Quem fez mal a este senhor?", diz. Para o teólogo, "os pais devem recorrer à criatividade para lhes explicar a morte de Cristo".
in jn online de 07.10.05

Enfim coisas da vida ...

terça-feira, outubro 04, 2005

Onde está o aborto?

". No excesso de ruído que nos invade está instalada a confusão geral sobre o aborto. Desde as variáveis de nome para atenuar agressividades ou acentuar perspectivas ideológicas, passando por alterações no enfoque da duração do feto, início de vida, até à definição de vida humana, pessoa, licitude e descriminalização. E nada disto é simples nos envolvimentos filosóficos, biológicos, legais e humanos que acarreta, seja qual for a opinião de quem, em última análise, suporta as consequências últimas desta complexa teia: a mulher. Ou melhor, a vida inocente que em nada disto tem a palavra, como não teve na chamada à existência.Estamos perante uma situação humana que não pode flutuar ao vento dos humores e engenhos políticos circunstanciais que engrenam, com jogos de poder, estratégias de agenda política ou cartazes de comício. A vida humana é, em si, suficientemente sagrada para se preservar de gritarias e falácias, onde se diz mais o que convém dizer, do que aquilo que mais respeita a pessoa. Andámos, nos últimos tempos, com atabalhoamentos de calendário do Referendo sobre o aborto, sem o povo perceber se o que está em causa é o Presidente da República (este ou o próximo), o Governo, as oposições, o tapete político para exigir pronunciamentos que embaracem as próximas presidenciais (já suficientemente baralhadas), com uma pressa enervada em referendar o que o povo já referendou. (Se o povo tivesse dito sim ao aborto, quem se atreveria a exigir agora outro Referendo? Que aconteceu realmente de novo de então para cá, que vicie e anule a escolha popular que já foi feita?).Sem nada disto resolvido, uma outra questão (lebre?) se levantou: ”decidir o aborto em duas semanas”, como é titulado a quatro colunas na imprensa. E uma chuva de novas confusões cai sobre a opinião pública. A Ordem dos Médicos acha a medida do Governo “bem intencionada mas impraticável”. Outros ginecologistas e obstetras têm diferente opinião, chegando a dizer-se que “seria um escândalo haver médicos que de manhã são objectores de consciência nos hospitais públicos, e à tarde deixam de o ser nas clínicas privadas”. De que aborto estamos a falar? Já houve referendo e não notámos nada? Já está decidido o que “deve” ser? Já se legisla com presunção de vitória?De tudo isto, o mais grave é desordem à volta da palavra aborto - como se se tratasse duma ligeira indisposição digestiva após alguma refeição mais lauta.Estamos perante uma questão humana gravíssima – a vida - que se não pode envolver em desarrumações de consciências elásticas, acomodadas a todas as situações."
António Rego in http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=23625

Acho que este assunto está de volta à ribalta, será para nos distraírmos todos à volta do aborto e esquecermos os problemas reais do país?
Não é que a questão do aborto, seja de menor importância, antes pelo contrário - deve ser dado o máximo interesse e estudo aprofundado - mas no entanto acho que o país atravessa uma crise profunda ao qual os nossos políticos se esquecem de debater e passar para a acção no terreno.

Enfim coisas da vida ...

De volta ao CyberEspaço

Depois de um período de interregno devido a questões laborais, às férias e aos estudos , venho retomar o meu / vosso blog.

Bem hajam ...

enfim coisas da vida

quinta-feira, maio 12, 2005

Pressão para PS mudar lei do aborto depois do referendo "ter abortado"

O PS já disse que, pelo menos para já, não vai desistir da ideia de realização de um novo referendo ao aborto (depois da consulta de 1998) e que só em último caso aceita pensar numa mudança da lei sem recurso a uma consulta aos portugueses. Mas há quem entenda que esse tal último caso já foi ultrapassado. É o caso do grupo de cerca de meia centena de cidadãos subscritores de um documento favorável à alteração imediata da lei pelos deputados, e que ontem foi dizer de sua justiça ao grupo parlamentar maioritário no Parlamento, o do PS. "Viemos manifestar ao PS a nossa preocupação pela situação em que se encontra o processo legislativo", afirmou o Procurador Geral Adjunto Eduardo Maia Costa aos jornalistas depois de se ter encontrado com Alberto Martins (presidente da bancada socialista), Sónia Fertuzinhos e Ana Catarina Mendes (duas das vice-presidentes).Maia Costa e a jornalista Diana Andringa, bem como a dirigente do Bloco de Esquerda Manuela Tavares, foram alguns dos representantes do grupo de cidadãos na reunião com os deputados socialistas, realizada ao início da tarde."O processo para a realização de um referendo está bloqueado. O Presidente da República [Jorge Sampaio] impediu a realização de um novo referendo este ano e para o ano que vem haverá novo Presidente da República, que não sabemos que posição vai tomar", adiantou Maia Costa. Recorde-se que de acordo com a Constituição e Lei do Referendo, cabe ao chefe de Estado a decisão final sobre a convocação de uma consulta popular.Assim sendo, "o que é preciso é resolver esta situação na Assembleia da República" e, dentro do Parlamento, cabe ao "grupo parlamentar do PS desbloquear a situação". "O processo do referendo ao aborto abortou e agora é preciso retomar o processo legislativo".Ou seja, defendeu Maia Costa, pegar na lei de despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas, já aprovada na generalidade pelos deputados, e aprová-la desde já em votação final global, de forma a tomar letra de lei. Sem que, como há sete anos, se recorra previamente a uma auscultação dos portugueses.Maia Costa disse que o grupo de cidadãos não pretende encontrar-se com mais nenhum grupo parlamentar, na tentativa de resolver o assunto. "O PCP e os Verdes já aderiram a esta posição e também o Bloco de Esquerda decidiu apoiar a via parlamentar". O documento apresentado aos socialistas é subscrito por nomes como os do sociólogo Boaventura Sousa Santos, a ex-deputada socialista e Bastonária da Ordem dos Arquitectos, Helena Roseta, o cientista Alexandre Quintanilha, a jornalista Paula Moura Pinheiro, a escritora Maria Teresa Horta e a pintora Paula Rego.O PS promete insistir no referendo a partir de 15 de Setembro."
in diário de notícias de 12 de Maio de 2005
Sinceramente não percebo o que é que falta ao PS para não tentar aprovar a liberalização da possibilidade das mulheres puderem matar os seus filhos, através de decreto de lei na assembleia da republica, se é isso mesmo que eles pretendem.
Acho uma falta de coerência a tentativa de enganar o povo com um suposto referendo, sendo que a vontade do partido (ou pelo menos de algumas mentes brilhantes do partido) é a liberalização da morte assistida para os filhos que estão no ventre materno.
Tenham coragem e assumam-se não se escondam atrás de falsos moralismos, senhores socialistas.
Tendo certo que depois da lei aprovada, o vosso objectivo atingiu o fim, e nunca mais haverão mães a sofrerem por causa de terem engravidado, nunca mais haverá abortos clandestinos e nem morrerão mulheres por causa essa mesma causa, nunca mais as meninas de 15/17 anos terão filhos nem sofrerão por os terem morto!
Será atingida a perfeição e os problemas relacionados com a maternidade/paternidade responsável nunca mais ocorrerão neste país à beira mar plantado.
Enfim, coisas da vida ... (muito tristes por sinal)

quarta-feira, maio 11, 2005

PCP abstém-se em estudo do aborto

"O PCP foi a única força política que se absteve na votação sobre se o Parlamento deveria ou não avançar com um estudo sobre a realidade do aborto em Portugal. Uma iniciativa que está para avançar desde 2002, e que ontem finalmente foi aprovada, com os votos favoráveis dos deputados do PS, PSD, CDS/PP e Bloco de Esquerda, na Comissão Parlamentar de Saúde, presidida pelo deputado Rui Cunha (PS).No rápido debate que antecedeu a votação, Manuel Pizarro, deputado do PS, disse ser o seu partido "favorável a que o estudo seja prosseguido", lembrando que essa mesma decisão já tinha sido tomada. Na anterior Legislatura a iniciativa acabou por não tomar forma devido à dissolução do Parlamento e realização de eleições antecipadas.Pelo PSD, Carlos Miranda defendeu "não só que o estudo seja realizado, mas que o seja no mais curto espaço de tempo possível". Também Teresa Caeiro, do CDS/PP pediu que a investigação seja realizada "com a maior celeridade possível", apontando a necessidade de acompanhamento permanente do assunto pelos deputados da Comissão de Saúde. Também Ana Drago, do Bloco de Esquerda, considerou "urgentíssima" a realização do estudo, lembrando que já foi aprovado "em Setembro de 2002", sem que ainda esteja feito. Sem argumentar, Bernardino Soares, líder da bancada comunista, limitou-se a anunciar a abstenção do seu partido nesta matéria.Rui Cunha lembrou que as verbas já estão orçamentadas (80 mil contos), e que agora cabe ao presidente do Parlamento, Jaime Gama, dar sequência ao processo, abrindo um concurso público."

E a saga continua. Agora esperemos que essa tal equipa de trabalho, consiga na realidade tirar a fotocópia da sociedade portuguesa relativamente a esta problemática e que de uma vez por todas não se escondam por detrás de pseudo-estatísticas que na sua maioria são forjadas.
Claro está que, os elementos que formarão a tal equipa em muito vai influênciar os resultados. Vamos esperar e ver.

Enfim coisas da vida ...

terça-feira, maio 10, 2005

Deputados avançam hoje com estudo sobre o aborto

Os partidos vão hoje aprovar na Comissão Parlamentar de Saúde a realização de um "estudo sobre a realidade do aborto em Portugal". Um estudo que visa conhecer não apenas a realidade do aborto clandestino em Portugal, mas também acompanhar a situação relacionada com o planeamento familiar, a educação sexual nas escolas e o estado de preparação dos estabelecimentos de saúde para realizarem interrupções voluntárias da gravidez (que em certos casos excepcionais são já permitidas pela lei actual). O estudo, que em 2002 foi impulsionado por Helena Roseta, nunca chegou a avançar. Nas gavetas do Parlamento está já há muito o caderno de encargos, elaborado pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), e que de uma verba estimada inicialmente em 1,5 milhões de euros se fixou entretanto em 400 mil euros. Na semana passada, a Comissão da Saúde ouviu a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que fez o historial do processo. Hoje, vai deliberar. Rui Cunha, deputado do PS e presidente da Comissão, disse ontem ao DN que "na semana passada os partidos deram a entender estar de acordo com o estudo". Sónia Fertuzinhos disse que "a luta pela despenalização do aborto não encerra tudo o que é necessário fazer", justificando o sim do Parlamento à abertura de um concurso para se avançar com a pesquisa sobre a realidade do aborto em Portugal. Ana Manso, deputada do PSD, considerou que "independentemente de vir ou não a haver referendo, é saudável e importante saber a dimensão do problema em Portugal".

in http://dn.sapo.pt de 10.05.2005

segunda-feira, maio 09, 2005

António Costa também admite lei do aborto sem referendo

António Costa, o número dois do Governo, é mais uma voz socialista a admitir que a despenalização do aborto pode ser aprovada no Parlamento, sem referendo. Em entrevista ao programa "Diga Lá Excelência", da Rádio Renascença, RTP e Público, Costa assume que "era bom que a questão se resolvesse por referendo, mas é evidente que nada pode ficar bloqueado, nem é legítimo que se bloqueie a possibilidade da convocação do referendo ad eternum." Para o ministro de Estado e da Administração Interna, "tem de haver alteração da lei, e por via do referendo, tão depressa quanto possível"; caso contrário, o PS "não vai deixar-se bloquear nessa questão". Na semana passada, Jorge Coelho, numa posição concertada com José Sócrates, já tinha defendido a hipótese do PS abdicar do referendo e mudar a lei no Parlamento.
in http://dn.sapo.pt de 09.06.05

sexta-feira, maio 06, 2005

ABORTIVO

Apesar do eventual mau gosto da metáfora, é inevitável constatar que a forma como o Partido Socialista conduziu o processo do referendo sobre o aborto foi claramente...abortiva. Não cometerei a injustiça de dizer que o foi deliberadamente, apenas por mesquinhos cálculos de táctica política, embora estes tenham acabado por prevalecer sobre as convicções e a vontade de solucionar um problema que se arrasta penosamente, desde há longo tempo, na sociedade portuguesa. Em todo o caso, a inépcia demonstrada pelo Governo e pelo grupo parlamentar do PS na condução do processo só podia ter levado ao impasse a que se chegou. O PS tinha a obrigação de prevenir as dificuldades técnicas e políticas que se colocavam ao timing desejado para o referendo, quer do ponto de vista do calendário e das nor- mas constitucionais existentes, quer no que se refere às posições do Presidente da República ou do maior partido da oposição, o PSD. Mas o PS não o fez. Fez mais - e pior. Introduziu uma confusão suplementar com a referência às dezasseis semanas não previstas na pergunta do referendo sobre o aborto. Voltou atrás, mas demasiado tarde. Foi assim que o PSD e Sampaio puderam lavar as mãos da incomodidade, remetendo o momento de superá-la para as calendas gregas. E é por isso que, como pretende Jorge Coelho, resta agora ao PS submeter-se aos desígnios iniciais do PCP e do Bloco, abdicando do referendo e fazendo aprovar uma nova lei despenalizadora no Parlamento.
O PS insiste em apresentar um novo projecto de referendo em Setembro, sujeitando-se a uma polémica bizantina e caricata sobre o tempo de duração das sessões legislativas. Mas quando se chega a este ponto, em que a árvore do formalismo especioso das controvérsias constitucionais oculta a floresta das questões políticas e sociais (como é o caso do aborto), só podemos chegar mesmo a outras soluções abortivas.

Vicente Jorge Silva - www.dn.pt de 06.05.05

Coelho é um brincalhão

Jorge Coelho é um brincalhão. Porque só mesmo o seu apuradíssimo sentido de humor o terá levado a levantar a hipótese de o PS avançar com uma nova lei para o aborto dispensando a realização de um referendo. É verdade que na sua intervenção na Quadratura do Círculo, onde expôs esta ideia peregrina, ele colocou muitos "ses" a tal hipótese. Só "se houver bloqueamentos"; só se se verificar que "não é possível realizar" o referendo; só depois "de se tentar tudo". Aliás, Jorge Coelho até disse que estava a falar a título pessoal, e não em nome do PS. Infelizmente, não me recordo da última vez em que as opiniões pessoais de Jorge Coelho não coincidiram com as do PS.Por isso, com "ses" ou sem "ses", em nome "pessoal" ou em nome do partido, a ideia de resolver a liberalização do aborto entre as quatro paredes do Parlamento fica a badalar no ar, como uma ameaça - evidentemente, é essa a jogada política do bem-humorado Coelho. É a sua forma sibilina de pressionar o PSD a avançar para a revisão constitucional e de empurrar Jorge Sampaio para uma resolução do caso antes de apagar a luz de Belém. É pura malandragem política. O que se aceita em quase todos os assuntos, mas não quando está em causa algo tão dramático como o aborto, que envolve os valores fundamentais a vida e a liberdade dos indivíduos.A partir do momento em que o referendo de 1998, embora não vinculativo, decidiu a vitória do "não", avançar agora com uma lei liberalizadora que ignorasse quem votou há sete anos seria um golpe inadmissível na democracia portuguesa, uma jogada palaciana digna da mais saloia extrema-esquerda. Ontem, em declarações ao DN, Francisco Louçã afirmava "não se adia uma lei justa". O profeta Louçã tem todo o direito às suas convicções. Mas eu dispenso bem a imposição dos seus conceitos de "justiça". É lamentável ver o PS - perdão, Jorge Coelho - partilhar estas tristes teses.
João Miguel Tavares - in Jornal www.dn.pt de 06.05.05

terça-feira, abril 05, 2005

Editorial do Jornal Expresso do dia 1 de Abril de 2005

«Para nós, é necessário que haja uma linha clara, nítida, que separe a vida da morte.»
A TERRÍVEL batalha jurídica que se desenrolou nos Estados Unidos, com os tribunais a legislarem sobre o corte ou não corte do fio que ligava uma mulher à vida, e a luta que decorre em Portugal a propósito da marcação da data do referendo do aborto, trouxeram de novo à actualidade o debate sobre a vida humana.
A questão coloca-se de forma muito simples: uns defendem que não é legítimo intervir sobre a vida de um ser humano, desde o momento da concepção até ao momento da morte, outros consideram que essa intervenção é legítima.
Os primeiros condenam, por exemplo, o aborto e a eutanásia.
Os segundos aceitam-nos.
O EXPRESSO, não sendo um jornal confessional, como é sabido, tem-se mantido intransigentemente contrário à manipulação da vida.
Para nós, é necessário que haja uma linha clara, nítida, que separe a vida da morte - e que na transposição dessa linha não exista intervenção de ninguém.
Ora os que defendem a eutanásia e o aborto estão a admitir que a linha que protege a vida não é nítida, que o início da vida e o momento da morte são discutíveis, que um ser com menos de 12 semanas não pode ser considerado um ser humano e que um homem ainda vivo pode já «merecer» estar morto - sendo admissível, por isso, o golpe de misericórdia.
ESTA aceitação da ideia de que à volta da vida não deve haver uma linha inviolável mas uma nebulosa, e que são legítimas as intervenções nessa zona no sentido de interromper a vida ou apressar a morte, é um passo terrivelmente perigoso.
Porque, além da eutanásia e do aborto, abre o campo a outras enormidades como a pena de morte.
Ou a pensamentos ainda mais tenebrosos como este: se uma pessoa deixou de trabalhar e de ser produtiva, se se tornou um estorvo para os seus familiares, porquê mantê-la viva?
Se a eutanásia é permitida, por que não alargar esse conceito aos velhos que só representam encargos para a sociedade e um peso insuportável para os parentes?
ACEITAR a manipulação da vida é um risco tremendo.
Aqueles que, por razões ideológicas ou porque consideram que isso é «moderno», defendem «causas» como a eutanásia e o aborto, deveriam pensar um pouco mais a fundo até onde isso nos poderá levar.

Não poderia concordar mais com este pequeno, grande texto. Para onde é que nós caminhamos sociedade?

Enfim, coisas da vida ... "não tenhais medo, abri as portas a Cristo" (JPII)




Não tenhais medo, abri as portas a Cristo !

terça-feira, março 29, 2005

quarta-feira, março 23, 2005

Amanhã, poderá ser tarde demais

Recebi este excelente email e trasncrevo-o para aqui, leiam, muito interessante.

"Olá, Já vai para 15 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca.Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Aqui,qualquer projecto demora 2 anos a concretizar-se, mesmo que a idéia sejabrilhante e simples. É regra.Então, nos processos globais, nós (portugueses, brasileiros, americanos,australianos, asiáticos, etc) ficamos aflitos para obter resultadosimediatos, numa ansiedade generalizada. Porém, o nosso sentido de urgêncianão surte qualquer efeito neste país. Os suecos discutem, discutem, fazem"n" reuniões e ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down".O pior é constatar que, no fim, acaba por dar tudo certo no tempo deles,coma maturidade da tecnologia e da necessidade; aqui, muito pouco se perde.
É assim:1. O país é cerca de 3 vezes maior que Portugal;2. O país tem 2 milhões de habitantes;3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (Lisboa,que tem 1 milhão);4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux,ABB, Nokia,...5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores paraos foguetes da NASA.
Digo a todos estes nossos grupos globais de trabalhadores: os suecospodem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto,vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha maiscultura coletiva do que eles. Vou contar-vos uma breve história, só paravos dar uma noção...
A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecosapanhava-me no hotel todas as manhãs. Era Setembro, frio, e a neve estavapresente. Chegávamos bem cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe daporta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia nãodisse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais deintimidade, uma manhã perguntei-lhe:
- Você tem lugar marcado para estacionar aqui? Chegamos sempre cedo,o estacionamento está vazio e você deixa o carro à ponta do parque.
Ele respondeu-me, simples, assim:
- É que, como chegamos cedo, temos tempo de andar. Quem chegar maistarde já vem atrasado, precisa mais de ficar perto da porta. Você nãoacha?
Nesse dia, percebi a filosofia sueca de cidadania! Serviu também pararever os meus conceitos. SLOW vs FAST.Há um grande movimento na Europa hoje, chamado SLOW FOOD. A Slow FoodInternational Association - cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede emItália (o site, é muito interessante. Veja-o). O que o movimento SLOW FOODprega, é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando osalimentos, "curtindo" a sua confecção, no convívio com a família, com osamigos, sem pressas e com qualidade. A idéia é a de se contrapor aoespírito do FAST FOOD e tudo o que ele representa como estilo de vida, emque o americano "endeusificou".A surpresa, porém, é que esse movimento SLOW FOOD serve de base a ummovimento mais amplo chamado SLOW EUROPE, como salientou a revistaBusiness Week na sua última edição europeia. A base de tudo, está noquestionar da"pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidadedo ter" em contraponto à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".
Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhemmenos horas, (35 h / semana) são mais produtivos que os seus colegasamericanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram asemana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade crescer nadamenos que 20%.
Esta chamada "slow atitude" está a chamar a atenção, até dos americanos,apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já).Portanto, esta "atitude sem-pressa" não significa, nem fazer menos, nemmenor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais"qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos pormenorese com menos "stress". Significa retomar os valores da família, dos amigos,do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente ereal, em contraste com o "global" - indefinido e anónimo.Significa a retoma dos valores essenciais do ser humano, dos pequenosprazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até dareligião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercivo, maisalegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde os seres humanos,felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.
Gostaria de que vocês pensassem um pouco sobre isto. Será que os velhosditados "Devagar se vai ao longe" ou "A pressa é inimiga da perfeição" jánão merecem a nossa atenção, nestes tempos de loucura desenfreada?Será que as nossas empresas não deveriam também pensar em programassérios de "qualidade sem-pressa", até para aumentar a produtividade equalidade dos nossos produtos e serviços, sem a necessária perda da"qualidade doser"?No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível. Um personagemcego, interpretado por Al Pacino, convida uma moça para dançar e elaresponde-lhe:- Não posso, porque o meu noivo deve chegar dentro de poucosminutos.- Mas, num momento, se vive uma vida. (responde ele, conduzindo-anum passo de tango). E esta pequena cena é, para mim, o momento maismarcante do filme.
Algumas pessoas correm atrás do tempo, mas parece que só o alcançamquando morrem enfartados, ou algo assim.Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro eesquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que existe.
TEMPO, toda a gente tem, por igual.Ninguém tem mais, nem menos, que 24 horas por dia.A diferença é O que cada um faz do seu tempo.Precisamos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse JohnLennon,"A vida, é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".
Parabéns por ter lido até o fim. Muitos não leram esta mensagem até aofim, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado.
Pense, e reflita até que ponto vale a pena deixar de "curtir" a suafamília, ou os seus amigos. Deixar de estar com a pessoa amada, ou passearna praia no fim de semana.
Amanhã, poderá ser tarde demais.


E assim vai a vida ...

quinta-feira, março 17, 2005

Uma questão de fé

"Não preciso de qualquer outra fé,
além da fé nos seres humanos." - Pearl S. Buck

Encerrou recentemente o Congresso Portugal 2005: Que Crianças? Que Famílias, que ao longo de três dias reuniu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, dezenas de especialistas nacionais e estrangeiros de diversas áreas da infância e adolescência. Desde já ficam de parabéns todos os promotores do evento, sendo impossível não destacar o papel do prof. dr. Mário Cordeiro, pediatra, professor universitário, que tanto tem dado a Portugal e às suas crianças. Mas, quando pensamos no Portugal de 2005, só resta perguntar: que mais necessitam as nossas crianças, adolescentes e suas famílias? Muitas respostas foram ouvidas ao longo deste congresso, mas, entre outras coisas, talvez disto:- melhor planeamento familiar, para evitar, entre outras coisas, a enorme taxa de gravidez adolescente e o uso do aborto e da pílula do dia seguinte como forma de contracepção. Ter a ideia de que não é possível pensar a sexualidade sem a respectiva integração emocional (a maior condicionante de todos os comportamentos).- mais suporte às grávidas de risco, sobretudo às mais jovens e de mais frágil condição social e familiar (as que estão sozinhas ou sem estrutura familiar de apoio) e as em situação de desestruturação psíquica.- um período de licença de parto mais alargado, como em muitos outros países mais evoluídos, quer para as mães, quer para os pais (porque são estes tão esquecidos?), e a possibilidade de usufruir de tempos parciais de trabalho por opção, durante determinado período de tempo.- maior apoio aos pais, em centros de saúde e escolas (por exemplo), porque educar não é tarefa fácil e ninguém nasce ensinado, e porque, mais do que serem recriminados, há muitos que necessitam é de ser ajudados.- cidades, bairros e habitações de escala mais humanas, em que a relação com a natureza seja uma constante e não uma raridade ou uma mera questão de luxo. A actual (des)organização ambiental constitui um sério ataque à saúde mental das populações e tem tudo a favor para produzir um impacto grave no bem-estar dos mais novos e suas famílias.- mais tempo de relação entre todos, porque não é possível haver tempo de qualidade sem que exista quantidade, isto é, interagir, amar, conhecer o outro não é coisa que se construa à custa de um espaço reduzido de minutos ao final de um dia, quando todos estão demasiado cansados para se sentirem com ânimo e alegria para dar e receber. - locais mais seguros e de melhor qualidade para deixar os filhos, com alargamento das redes de creches e de jardins de infância, e que estas existam em espaços condignos com pessoal minimamente habilitado para o fazer e sem que se excedam os limites toleráveis para um número de crianças face ao de adultos.- amor incondicional dos seus pais ou dos adultos que delas cuidem e, em caso de impossibilidade manifesta de capacidade dos mesmos, delimitação rápida de um projecto de vida alternativo, coerente, e sem estar sujeito a repetidas inconstâncias. - presença de ambos os pais, se possível de forma constante e regular e, quando tal não for possível por separação ou divórcio, que seja mantida a possibilidade de a criança ou adolescente ter livre acesso a ambos, sem que se vejam directamente envolvidos em conflitos que não são os seus.- boa delimitação de regras e de limites, de forma a que a criança e o adolescente possam integrar as diferenças de gerações e de papéis e lidar com situações eventualmente de frustração, não correndo assim o risco de se organizarem numa estrutura omnipotente, que nos dias de hoje se pode já considerar um problema sério de saúde pública.- em situações graves de negligência, abuso ou maus tratos, intervenção atempada dos tribunais, com recurso a pareceres de especialistas da área, para que a justiça não seja algo sistematicamente adiado ou sem conexão com as verdadeiras necessidades emocionais das crianças.- utilização de estruturas de apoio residencial e ou educativo apenas em casos extremos e durante o menor tempo possível; contudo, partindo do princípio que algumas instituições deste género serão sempre possíveis, que estas se organizem num modelo compreensivo/reparador e não comportamental/punitivo (a maioria das que actualmente existem deviam, simplesmente, fechar).- escolas que saibam integrar e desenvolver as plenas capacidades dos seus alunos e que estejam suficientemente atentas aos que aí apresentam dificuldades de aprendizagem e de comportamento, pois actualmente não existem recursos eficazes para lidar com todos aqueles que têm problemas na área emocional (e já são muitos).- uma cultura de não violência, que as deixe protegidas da exposição maciça a imagens de uma agressividade e de uma sexualidade (perversas); esta última deveria ser integrada na vivência dos afectos, isto é, na sua plena representação emocional, e não apenas agida num plano comportamental. - um pacto televisivo que exclua o telelixo de horários de maior vulnerabilidade para as crianças e para os adolescentes, uma vez que a influência cultural da televisão é, nos dias de hoje, uma das maiores na construção da personalidade dos mais novos.- um controlo da venda de tabaco e de bebidas alcoólicas aos mais novos, para que começar não seja fácil e, sobretudo, não seja oferecido sem nenhuma defesa existente.- a possibilidade da prática de um desporto, pelo menos enquanto durar a escolaridade obrigatória, ou seja, entre os 6 e os 16 ou 18 anos de idade, uma vez que o desenvolvimento e a integração psicomotora são fundamentais para o bem-estar individual e social.- incremento do ensino das artes, nas suas vertentes plástica, dramática e, mais que tudo, musical, isoladamente ou num conjunto de educação para a estética.- desenvolvimento de um maior conhecimento das verdadeiras necessidades psíquicas das crianças e dos adolescentes por todos aqueles que com eles trabalham ou convivem e que assim avaliam o seu bem-estar e de suas famílias, incluindo médicos, assistentes sociais, educadores, professores, juízes, entre muitos e muitos outros.- possibilidade de atendimento em saúde mental (crianças, adolescentes e famílias), se necessário.- que os temas da infância e da adolescência entrassem para a agenda política já e agora neste Portugal 2005, porque o que há para fazer é muito, e qualquer resultado que se deseje demorará três gerações a consolidar.Para que (e citando o juiz-conselheiro Armando Leandro, que realizou a conferência de abertura deste encontro) nascer hoje em Portugal não seja uma mera fatalidade, mas sim um enorme privilégio. Oxalá que sim, porque, por enquanto, nada passa de uma questão de fé.

Pedro Strecht - Pedopsiquiatra
in Jornal Publico de 17.03.2005

terça-feira, março 15, 2005


A eterna saudade, um grande beijo do teu neto, da tua neta e do teu netinho...

Para o meu Avô (a eterna saudade)

Meu querido Avô, hoje que me despedi de ti por uns breves "momentos", deixo aqui para todo o mundo a minha simples homenagem.
Eu sei que sabes o quanto te adoro e que foste um dos grandes marcos da minha ainda curta vida.
Pois bem fica então marcado o nosso reencontro quando Deus quiser que eu vá para ao pé de ti, para ao pé do nosso Pai, Jesus Cristo.

A eterna saudade

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

A IGREJA É HOJE AINDA "ÉTICAMENTE HABITÁVEL"?

Conferência/Debate
A IGREJA É HOJE AINDA "ÉTICAMENTE HABITÁVEL"?

Releitura de um texto de Alfons Auer, 10 anos depois

- Quando dizemos consciência, o que estamos a dizer?
- Temos espaço de diálogo no interior da Igreja a que pertencemos?
- Revemo-nos numa eclesiologia de comunhão; mas sentimo-nos mesmo “em casa”?

18 de Fevereiro de 2005 às 21h30
e
19 de Fevereiro de 2005 às 12h00

Auditório do Seminário de Santa Joana Princesa, Aveiro

Orador
Doutor José Manuel Pereira de Almeida, médico e padre
Doutorado em Teologia/Teologia Moral
Assistente de Anatomia Patológica do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil, Lisboa
Membro de várias Comissões de Ética
Coordenador do Centro de Estudos de Filosofia da Medicina
Docente de disciplinas e Seminários na área da Ética no mestrado em Ciências da Educação da Faculdade de Ciências Humanas da UCP, Lisboa
Coordenador Científico do 1.º curso de Medicina da Universidade da Beira Interior, Covilhã

Promovida pela Comissão Cultural do ISCRA
http:\\www.iscra.pt (Entrada Livre)
Vamos fazer de Aveiro o local ideal para debatermos questões tão importantes para a vida da nossa Igreja.
Enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Hoje é dia dos namorados

Para a mulher da minha vida, que é o suporte e que me ajudo todos os dias a não ter a casa acente em areia.
Amo-te muito Gaby.
Eu Sei que Vou te Amar
(Vinícius de Morais/Tom Jobim)

Eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida eu vou te amar,
A cada despedida, eu vou te amar,
Desesperadamente, eu sei que vou te amar.

E cada verso meu será
Pra te dizer, que eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida.
Eu sei que vou chorar,
A cada ausência tua eu vou chorar,
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou.

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu,
Por toda a minha vida.

Enfim, coisas da vida ...

Morreu a protagonista das aparições de Fátima

A figura e a vida da irmã Lúcia, falecida este domingo dia 13 de Fevereiro de 2005, foram recordadas como um "exemplo de fé" por vários bispos católicos portugueses, que elogiaram a sua discrição apesar do protagonismo da mensagem de Fátima.
Sinceramente quando ontem soube da notícia, não fiquei triste, se calhar a figura e a pessoa da irmã Lúcia, como afirmaram os nossos bispos, por ser tão serena, tão discreta, pelo menos a mim passava-me ao lado. Mas à noite, quando me estava para deitar e fazia o meu habitual "zapping" pelos canais da TV, fiquei a vêr o breve documentário que a RTP, tinha preparado e posteriormente a TVI também fez um programa especial em que estava o cónego António Rego e um primo da falecida carmelita. Só então é que me detive nos meus pensamentos para verificar a importância da irmã Lúcia para a mensagem de Fátima, e que realmente, foi uma figura deveras sublime e que tem colocado as suas ideias em papel, nomeadamente em cartas e livros.
O certo é que as minhas breves orações da noite de ontem, tiveram como grande "personagem" a irmã Lúcia, eu até que nem sou muito ligado à questão de Fátima (sou até de certo modo reticente)!
Só hoje de manhã é que notei que ontem tinha rezado pela irmã Lúcia.

Obrigado á irmã Lúcia, pelo seu exemplo de vivência de fé e de comunhão com a Igreja.
Paz à sua alma.

Enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Começa hoje a quaresma

Evangelho segundo S. Mateus 6,1-6.16-18.
«Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu. Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.» «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te. «E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.»

Hoje Quarta-feira de cinzas, pode até parecer que Jesus nos convida a entrarmos nas modas passageiras, nas aparências superfíciais, mas não. O perfume com que ungirmos as nossas cabeças nesta Quaresma há de ser resultado directo do supérfluo de que nos formos conseguindo libertar.
Pois é caríssimos, começa hoje a quaresma, este tempo especial e muito rico para os católicos. Pessoalmente, considero ser um tempo muito importante e de reflexão (introspecção) interior. Serve para me rever o que ando a fazer, o que não ando a fazer e que deveria fazer.
"Creio que aquele perfume com que Cristo nos aconselha a perfumar a cabeça durante a época do jejum é o desafio para não nos fechemos em nós mesmos e que, da nossa vida se solte uma alegria capaz de contagiar os outros" (*)
Sinceramente, acho que não deverá ser um tempo de trevas / tristeza, mas sim o de uma alegria contagiante, de espera, que chegue o Salvador, a Páscoa viva entre nós.
Vamos de uma vez por todas dar a devida importância a este tempo e nas nossas casas criar um espaço especial para este período.


Enfim coisas da vida ...

(*) - Retirado de um bolg de Rui Almeida

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Existe ainda a família?

Outras Famílias
Por EDUARDO PRADO COELHO - Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2005

Por motivos complexos, que a sociologia e a psicanálise poderão ajudar a esclarecer, as famílias estão hoje em mutação acelerada - embora as transformações variem conforme os países e as suas tradições.
Um número recente (mais precisamente, o 132, de Novembro-Dezembro) da revista "Le Débat" intitula-se "L'enfant-problème" e procura pensar a redefinição das idades da vida (para utilizarmos a formulação de Marcel Gauchet, director da publicação). Analisa-se o que foi a emergência dos movimentos dos jovens e o seu actual declínio, a possibilidade ou impossibilidade de existir um processo educativo sem participação da família (será que a escola se encarrrega de tudo?), ou ainda a relação extremamente multifacetada da criança com os "media".
Um artigo merece-nos particular atenção: o de Dany-Robert Dufour sobre "Televisão, socialização, subjectivação". A questão é que o modo de produção de sujeitos altera-se profundamente. E em termos que muitas vezes temos dificuldade em compreender.
Existe ainda a família?, pergunta Dufour. Em larga medida, somos levados a dizer que não, se considerarmos a família como um casal estabilizado, com horas regulares de refeições, comportamentos ritualizados, avós, tios, primos e primas, e velhas empregadas que recolhem em silêncio os conflitos, os dramas, as alegrias e os afectos. Mas, ao mesmo tempo, a família dura mais: por vezes, assistimos à sobreposição de quatro gerações. Por outro lado, há famílias que se reduzem a um pai (sobretudo, a uma mãe) e um filho. Na medida em que as relações de conjugalidade se desarticulam, temos um processo triplo que Dufour enuncia nestes termos: indivualização, privativação, pluralização da família. Com formas inesperadas de tolerância e mesmo de cumplicidade sexual, tanto dos pais em relação aos filhos, como dos filhos em relação aos pais.
Assiste-se àquilo que se pode designar como uma desinstitucionalização da família: por um lado, quebra das relações de autoridade e desaparecimento dos conflitos geracionais; por outro lado, aumento das relações de igualdade - de certo modo, todos somos irmãos.
Donde, estamos perante "o fim da organização hierarquizada do espaço-tempo familiar". E, ao mesmo tempo, a família perde o seu valor simbólico e passa a ser "um agrupamento funcional de interesses económico-afectivos".
É aqui que entra em cena a televisão. Segundo as estatísticas, de um terço a dois terços das crianças (incluindo crianças até aos três anos) têm uma televisão pessoal no seu quarto. Daí a tese central do artigo de Dufour: "A televisão muda de facto os contornos da família, enfraquecendo o papel já reduzido da família real e criando uma espécie de família virtual que se vem juntar à precedente".

Depois da leitura atenta deste artigo publicado pelo Sr. Prof. Eduardo Prado Coelho, fiquei deveras assustado com a família da actualidade. Após uma extensa reflexão de minha parte, de certa maneira não posso deixar de concordar com a grande maioria do que acima é escrito, e principalmente com os destaques que efectuei do texto. Na realidade a família nos moldes que a conhecemos está a sofrer uma autêntica mutação e se calhar devido aos media (o que muitos confundem somente com a televisão), se está a tornar num novo modelo em que por vezes só são partilhados quase "interesses económico-afectivos".
No entanto, eu não sou daqueles que culpam os meios de comunicação, por tudo e por nada. Quem faz (escreve, publica, grava, emite, etc.) tudo o que os meios de comunicação são?
Não serão pessoas? Pais e mães de família? Avós, tios, filhos ?
Consequentemente temos então um problema, as pessoas que fazem os media, não têm consciência colectiva e fazem tudo o que for necessário para ter sharing, somente a olhar para o lucro? Se calhar na sua grande maioria até é verdade, o que nos transporta para outro problema que é o de atacar as pessoas que fazem os media, e não tão somente, atacar a(s) instituição(ões). Como eu não gosto que se "ataque" a Igreja por tudo e por nada, porque se todos somos Igreja, então também nós teremos algum motivo para sermos atacados, não é verdade?

Seremos então nós também responsáveis pelos media? penso que sim, todos nós temos responsabilidades no que consumimos, no que vemos, no que "digerimos", portanto como costumo afirmar que só se vende aquilo que as pessoas consomem.

Família, olha para ti mesmo e revoluciona-te, revigora-te


Enfim coisas da vida !!!

Voltei

Quase passado um mês da minha última intervenção, voltei. Estive sem grande tempo para escrever, acima de tudo, para colocar as minhas ideias no "teclado", porque motivos para escrever, como é lógico, houveram muitos durante quase este mês.
Espero sinceramente conseguir escrever aqui, pelo menos 2 vezes por semana.

Enfim coisas da vida !!!

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Pensamento do dia

"Deixemos a visão da beleza das coisas para serem contempladas por aqueles que a podem ver, graças ao auxílio de Deus. Quanto àqueles que são incapazes de a ver, não tentemos levá-los a contemplar o inefável mistério, por palavras" - (De "O Livre-Arbítrio" de Santo Agostinho)

Queria partilhar com todos esta pequena (grande) frase do livro de Santo Agostinho, que simplesmente me deixou a pensar durante um bom par de minutos. Será que nós os Cristãos já percebemos que se calhar esta coisa da evangelização, não passa somente por palavras? E os nossos actos onde é que estão?

Um bom ano de 2005 para todos!