quarta-feira, março 23, 2005

Amanhã, poderá ser tarde demais

Recebi este excelente email e trasncrevo-o para aqui, leiam, muito interessante.

"Olá, Já vai para 15 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca.Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Aqui,qualquer projecto demora 2 anos a concretizar-se, mesmo que a idéia sejabrilhante e simples. É regra.Então, nos processos globais, nós (portugueses, brasileiros, americanos,australianos, asiáticos, etc) ficamos aflitos para obter resultadosimediatos, numa ansiedade generalizada. Porém, o nosso sentido de urgêncianão surte qualquer efeito neste país. Os suecos discutem, discutem, fazem"n" reuniões e ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down".O pior é constatar que, no fim, acaba por dar tudo certo no tempo deles,coma maturidade da tecnologia e da necessidade; aqui, muito pouco se perde.
É assim:1. O país é cerca de 3 vezes maior que Portugal;2. O país tem 2 milhões de habitantes;3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (Lisboa,que tem 1 milhão);4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux,ABB, Nokia,...5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores paraos foguetes da NASA.
Digo a todos estes nossos grupos globais de trabalhadores: os suecospodem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto,vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha maiscultura coletiva do que eles. Vou contar-vos uma breve história, só paravos dar uma noção...
A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecosapanhava-me no hotel todas as manhãs. Era Setembro, frio, e a neve estavapresente. Chegávamos bem cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe daporta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia nãodisse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais deintimidade, uma manhã perguntei-lhe:
- Você tem lugar marcado para estacionar aqui? Chegamos sempre cedo,o estacionamento está vazio e você deixa o carro à ponta do parque.
Ele respondeu-me, simples, assim:
- É que, como chegamos cedo, temos tempo de andar. Quem chegar maistarde já vem atrasado, precisa mais de ficar perto da porta. Você nãoacha?
Nesse dia, percebi a filosofia sueca de cidadania! Serviu também pararever os meus conceitos. SLOW vs FAST.Há um grande movimento na Europa hoje, chamado SLOW FOOD. A Slow FoodInternational Association - cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede emItália (o site, é muito interessante. Veja-o). O que o movimento SLOW FOODprega, é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando osalimentos, "curtindo" a sua confecção, no convívio com a família, com osamigos, sem pressas e com qualidade. A idéia é a de se contrapor aoespírito do FAST FOOD e tudo o que ele representa como estilo de vida, emque o americano "endeusificou".A surpresa, porém, é que esse movimento SLOW FOOD serve de base a ummovimento mais amplo chamado SLOW EUROPE, como salientou a revistaBusiness Week na sua última edição europeia. A base de tudo, está noquestionar da"pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidadedo ter" em contraponto à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".
Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhemmenos horas, (35 h / semana) são mais produtivos que os seus colegasamericanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram asemana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade crescer nadamenos que 20%.
Esta chamada "slow atitude" está a chamar a atenção, até dos americanos,apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já).Portanto, esta "atitude sem-pressa" não significa, nem fazer menos, nemmenor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais"qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos pormenorese com menos "stress". Significa retomar os valores da família, dos amigos,do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente ereal, em contraste com o "global" - indefinido e anónimo.Significa a retoma dos valores essenciais do ser humano, dos pequenosprazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até dareligião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercivo, maisalegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde os seres humanos,felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.
Gostaria de que vocês pensassem um pouco sobre isto. Será que os velhosditados "Devagar se vai ao longe" ou "A pressa é inimiga da perfeição" jánão merecem a nossa atenção, nestes tempos de loucura desenfreada?Será que as nossas empresas não deveriam também pensar em programassérios de "qualidade sem-pressa", até para aumentar a produtividade equalidade dos nossos produtos e serviços, sem a necessária perda da"qualidade doser"?No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível. Um personagemcego, interpretado por Al Pacino, convida uma moça para dançar e elaresponde-lhe:- Não posso, porque o meu noivo deve chegar dentro de poucosminutos.- Mas, num momento, se vive uma vida. (responde ele, conduzindo-anum passo de tango). E esta pequena cena é, para mim, o momento maismarcante do filme.
Algumas pessoas correm atrás do tempo, mas parece que só o alcançamquando morrem enfartados, ou algo assim.Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro eesquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que existe.
TEMPO, toda a gente tem, por igual.Ninguém tem mais, nem menos, que 24 horas por dia.A diferença é O que cada um faz do seu tempo.Precisamos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse JohnLennon,"A vida, é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".
Parabéns por ter lido até o fim. Muitos não leram esta mensagem até aofim, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado.
Pense, e reflita até que ponto vale a pena deixar de "curtir" a suafamília, ou os seus amigos. Deixar de estar com a pessoa amada, ou passearna praia no fim de semana.
Amanhã, poderá ser tarde demais.


E assim vai a vida ...

Sem comentários: