quarta-feira, outubro 31, 2007

Na Linha Da Utopia [31.10.2007]

Todos (os) Santos

1. É uma “multidão incontável”, como nos diz o livro do Apocalipse de João. Ninguém no mundo tenha a pretensão de contar o incontável, pois não é uma questão de números mas de qualidade. A Celebração de Todos os Santos faz-nos parar, reparar, viajar, (re)encontramo-nos nos nossos, os que vivemos com os que já partimos. É um gesto, um sinal, um carinho que quererá significar a continuada presença, pois cada ser humano nasce (do e) para o infinito de Deus. Sim, a dignidade humana fala-nos muito acima do finito da histórias e das coisas que todos os dias temos ou não temos em mãos.

2. É a celebração de TODOS os Santos. Todos, mesmo todos, não só para alguns! No fundo, nesse “todos” estão os que viveram do AMOR, os que dialogaram (ou em consciência recta dialogariam) com o “outro”; são os que amaram (Deus é Amor) de todas as nações, culturas, religiões, modos e formas de vida. Os que viveram a comunhão vivem agora essa comunhão de sentido existencial (muito acima do corpo biológico) com a fonte de todo o SER, Deus, o único Absoluto que é acolhido de forma criativamente diversa nas diferentes religiões e culturas e que no Cristianismo assume-se como uma PESSOA! Que proximidade directa e relacional admirável, Deus entre nós, como nesse desejado natal de todos os dias e todas as noites.

3. Dia de Todos os Santos, o dia da maior abertura de espírito! Não dia de todos os “santinhos”, isso não existe, a não ser em ainda muita da pesada tradição que continua a tardar em criar ponte directa com cada contemporaneidade. “Santos” sim, o mesmo é dizer: caminhantes na busca de uma perfeição absoluta, esta que está sempre acima do que somos, sempre a puxar por nós, no mundo do trabalho, das escolas, da sociedade, da comunidade humana. Lembra-nos este dia o essencial: somos bem mais que matéria, somos SER, consciência, lugar de diálogo existencial…que nos recria a esperança e o sentido da vida. No fim de tudo, e na medida em que amamos a vida, esta, transformando-se, só pode continuar, no eterno, no nosso espírito, numa presença carinhosa de paz com todos, com tudo.4. Não é algo instrumental, não é uma coisa técnica, não tem fórmulas, tal como a paz, a poética, a liberdade, a felicidade e o amor não as tem. É bem mais profundo e a sua percepção depende da profundidade de cada coração humano que corajosamente se sabe abrir às possibilidades (e)ternas do amor. Cada gesto, cada vela, cada flor, será esse horizonte pacífico que em Deus nos torna presentes uns nos outros. Como diz Agostinho da Silva, «o tempo que vivemos, se for mesquinho, amesquinha o eterno». Não amesquinhemos, neste dia libertemos esse nosso “eterno” num abraço terno aos nossos; esse abraço que cada dia se quer multiplicar na construção da justiça e da paz!

Alexandre Cruz [31.10.2007]
[imagem: cemitério] fonte: http://www.dw-world.de

terça-feira, outubro 30, 2007

Na Linha Da Utopia [30.10.2007]

As claques e o presidente. É futebol!

1. Há dias, na Assembleia-Geral do Benfica, o caldo entornou-se! No fundo o caldo (das claques do e no futebol) é estruturalmente entornado. Não há muito tempo, até as suspeitas sobre o tráfico de (coisas… e) influências recaiam sobre grandes claques de grandes clubes. Mas tudo passou, como tudo passa, em ambiente de “apitos dourados” e mais apitos (de todas as cores) onde o obscurantismo é o ambiente propício para tudo ser possível. As claques são, hoje, mais um sub mundo deste mundo social futebolístico onde, tão simplesmente, por exemplo, devemos perguntar “o que fazem”, “onde trabalham”, “como ganham o pão de cada dia”, “como têm todo o tempo do mundo para o futebol”? E ainda: “o que fazem de bom pela sociedade e mesmo pelos clubes para parecer que têm ‘carta livre’”?

2. O caso de que falamos na dita Assembleia (desta como doutras) tem a sua merecida e emblemática apreciação. As claques de futebol que dão tanto jeito aos presidentes na hora de gritar e puxar pelo clube parecem querer “tomar” o poder. O presidente da direcção, na preocupação de uma gestão que tire o clube da bancarrota, vê-se surpreendido com os factos: as claques, como hábito, estão muito pouco (ou nada) importadas na gestão da colectividade e só querem o clube sempre a ganhar, só não querendo que se lhes toque no calcanhar. Quando a claque se sentiu “tocada” na Assembleia, eis que a ordem passou a desordem, a ponto de outro anterior presidente “puxar” (em vão) pelo respeito… Chama-se a polícia, e a Assembleia, à força, terminou. Nem parecia gente do mesmo clube! Parecia mesmo o cenário habitual dos estádios onde, tantas vezes, em jogos chamados “de risco” são às centenas os polícias que procuram dominar a “fera” humana…

3. Pelo andar da carruagem, e como são as emoções que comandam o barco clubístico (e social), qualquer dia os líderes das claques passam a ter um estatuto ainda mais especial; lembramo-nos de há algum tempo o guia da claque “super dragões” ter sido recebido na TV como se de figura ilustre, letrada e genial se tratasse. Tantas vezes alimenta-se o modelo de sociedade que se critica. As claques em Portugal (como afinal na Europa e Américas) são alimentadas pelos senhores da gestão do clube, pois estes precisam daqueles para a emoção ir ao rubro. Mas, no meio de tudo isto, verdade se diga: tanto jogadores, árbitros, treinadores e presidentes passam de bestiais e bestas num instante… E as claques, não merecerão uma análise mais cuidadosa da sua vida, quer do que são por dentro ao que manifestam por fora? Concluindo, em matéria que volta e meia vai sendo refrão de fim-de-semana: é lamentável que tantas vezes essa adrenalina das claques se manifeste em intolerância e em vandalismo com os outros e mesmo com as Estações de Serviço na Auto-Estrada! Mas, cuidado, o assunto tem de ser lidado com pinças, são emoções públicas, e estas são bem perigosas. No fundo, o seu tratamento (determinado ou não) depende sempre do modelo de sociedade que queremos.


Alexandre Cruz [30.10.2007]
[imagem: claque do AC Milan] fonte: http://www.chasseurdestades.com/

quinta-feira, outubro 25, 2007

Na Linha Da Utopia

A Ciência terá limites?

1. Esta é uma pergunta retórica. Claro que a ciência, como tudo quanto é a percepção humana sobre a realidade, tem alcances e tem limites. Este é o título (“A Ciência terá limites?”) de conferência internacional que nestes dias (25 e 26 de Novembro) decorre na Fundação Calouste Gulbenkian (www.gulbenkian.pt) e que conta com a presença de múltiplos especialistas de referência. Mas será um erro considerar-se que estas questões unicamente interessam aos especialistas e cientistas…

2. Tanto os esforços de divulgação científica merecem uma atenção dos cidadãos a estas questões, como o facto de que aquilo que se vai investigando vir a ter impactos decisivos na nossa vida diária (seja à distância de uma década) deverá sensibilizar todos (“qb”) para estas questões. Que o diga a história da Revolução Científica do séc. XVI-XVII, com os seus impactos na transformação de paradigmas (dos modos) sociais e pessoais de viver. Hoje será a revolução genética e comunicacional que nos está a transformar, a ponto de termos que REVER (quase) TUDO.

3. Felizmente que já ultrapassámos os tempos da surdez científica; felizmente que, hoje, a conjugação de esforços em diálogo de ciências torna todos mais comprometidos. Mas o desafio ético (da dignidade humana) apresentar-se-á como o eixo de equilíbrio, dando os pilares tanto dos alcances como das fronteiras da própria ciência. Já lá vão os tempos (?) tanto dos endeusamentos científicos como de pretensões unilaterais do tratamento das questões e da procura da verdade.

4. Os limites estão aí, todos os dias, a desafiar toda a proclamada sociedade do conhecimento. Numa ciência que saiba (sempre mais e melhor) dialogar com a realidade concreta, dir-se-á que os limites da ciência pairam nos limites da própria humanidade; mas não só, também os limites das culturas, das políticas, das religiões, das filosofias: enquanto a fome, a sede, a violência, o desequilíbrio ambiental, os esvaziamentos da DIGNIDADE HUMANA persistirem, os limites gritam e apelam a todas as formas de conhecimento para as resoluções inadiáveis.

5. Um dos nomes de referência convidados à conferência é George Steiner, que, partilhando dos limites da ciência, exemplifica dizendo que «não há nenhum instrumentos de observação, por mais sofisticado que seja que nos permita prosseguir para lá das “paredes douradas” externas ou internas do nosso possível universo local. […] O Concorde foi uma maravilha aerodinâmica, tecnológica. Não há qualquer intenção de o fazer voar.» Os dados estão aí. A viagem HUMANA, diferente, continua. Seja ela capaz de integrar todas as formas (humildes) de conhecimento ao serviço da sua própria dignidade. No reconhecimento dos limites estará, também, a ponte de aprendizagem dialogal.

Alexandre Cruz [25.10.2007]
[logotipo da conferência "A ciência terá limites?"] fonte:
www.gulbenkian.pt


Reportagem- Como Se Faz Um Bispo


É muito interessante esta reportagem feita com a qualidade que a TSF nos habituou, ouçam-na e se quiserem podem comentar!

Uma reportagem com a qualidade TSF.

Existem 47 bispos católicos portugueses.
Assumem-se como herdeiros dos apóstolos, mas quem os elegeu? Com o pretexto da recente ordenação episcopal de D. António Couto, a TSF foi ao encontro de algumas das figuras mais relevantes da hierarquia da Igreja Católica.Cinco bispos contam as incertezas por que passaram, nos dias em que Roma tomou conta dos seus destinos. Os teólogos Bento Domingues e Teresa Toldy contestam o sistema secreto que envolve esta selecção. Um trabalho que nos leva por algumas das facetas menos conhecidas de uma instituição marcante na sociedade portuguesa
Como Se Faz um Bispo é uma grande reportagem de Manuel Vilas Boas com montagem e sonorização de João Félix Pereira.

Caso não consiga ouvir carregue neste link: OUÇA AQUI




Enfim, coisas da vida ...

quarta-feira, outubro 24, 2007

Na Linha Da Utopia

Admirável Mundo Plural

1. O mundo, como a vida, conjuga-se no plural. As realidades, tanto na sua grandeza como no seu limite têm sempre muitos ângulos da questão, não são lineares e uniformes, são plurais. Talvez a convivência com a pluralidade tenha sido a maior conquista da espécie humana, como sinal da capacidade de conviver com a diferença de ideias, de pensamento, de filosofias, de políticas, de religiões, de clubes, de modos de viver. Uma conquista angariada em séculos, tantas vezes sangrentos, em que do uniformismo intolerante (muitas vezes fundamentado por visões exclusivistas de foro sócio-político-religioso) foi-se realizando a viagem (humaníssima) até à convivência da pluralidade.

2. Mas não se pense que essa viagem está acabada. Existiram valores (alguns mesmo à revelia) que foram presidindo à construção do pensamento plural, de modo a que este seja a PRESENÇA de todos e não a ausência indiferente. Nos tempos em que estamos, o processo de alimentar as raízes da pluralidade reveste-se de uma urgência inadiável. Para o projecto humano não chega o dizer-se ou reconhecer-se que existem culturas diferentes, que “somos” num tempo plural, multicultural, multiétnico, etc. É bom mas representará só os “mínimos olímpicos”; é pouco para os tempos globais que vivemos! Não sendo preciso ir tão longe, olhe-se, por exemplo, para muitas das comunidades dos EUA, onde cada bairro representa cada comunidade, com exclusividade: comunidades fechadas, impermeáveis à mudança, à diferença e ao diferente.

3. Um dos breves escritos de Eduardo Lourenço (2007), caracterizando muito do indiferentismo do nosso tempo, lembra-nos que o pensamento de Friedrich Nietzshe (1844-1900) “não permite a indiferença”. Diremos que na indiferença não há pluralismo que resista por muito tempo. A pluralidade como um bem social terá, assim, de representar a grandeza da CONVIVÊNCIA HUMANA e não a ausência indiferente do bairro fechado. Que lugar para este alimentar dialogante da pluralidade? Onde e como ocorre esse diálogo constante como plataforma de encontro criativo? Só deste modo passaremos da observada multiculturalidade ao encontro intercultural que (em transcualturalidade) nos diz que é muito mais o que nos une como humanos que as diferenças e incompatibilidades que tanto mais acentuamos. Deste modo dialogante já cada minoria terá a sabedoria de se reinterpretar, não vendo o diálogo com medo nem como perca de identidade mas como nova síntese na grandeza em ser humano com os outros.

Alexandre Cruz [24.10.2007]

[imagem: multiculturalidade] fonte: http://www.cienciahoje.pt

terça-feira, outubro 23, 2007

Na Linha Da Utopia

1. Todos sabemos que nos hipermercados ou em centros grossistas os carrinhos de compras são instrumentos práticos, preciosos na tarefa de mais facilmente percorrer o local e realizar a finalidade dessa deslocação ao mercado. Todos sabemos, também, do incómodo que será chegar a um estacionamento e o espaço estar bloqueado com carros de compras a inundar a área reservada para o carro (sim mas), automóvel.

2. Vamos periodicamente a um desses espaços grossistas da região. Se vai havendo algumas mudanças (a par de obras de melhoramentos, normalmente também nas subidas dos preços!), todavia, algo se mantém como uma constante quase dogmática e infalível: os carros de compras desarrumados! E os mesmos carros de compras que a pessoa ao chegar verifica que atrapalham o estacionamento são os mesmos carros que são deixados para atrapalhar outros frequentadores.

3. Ainda assim, poderemos com facilidade detectar uma diferença: quando o carro tem moeda então esse é mesmo arrumado cuidadosamente, a fim de se poder tirar a moeda que lá se colocou. Ou seja, chegaremos à efectiva conclusão de que a moeda faz a diferença, como também a agradecemos a invenção da moeda no carrinho, pois imagine-se se os grandes hipermercados não contemplassem os seus carros de compras com esse estratégico equipamento: seria impossível lá entrar!

4. Por muito que se batalhe no fenómeno da formação humana e da educação cívica, enquanto não arrumarmos o carro a “pensar no outro” não iremos lá. Serão as coisas pequenas que são, afinal, as grandes demonstrações desses valores fundamentais de uma cidadania activa nas tarefas mais simples. Que pena que ainda estamos a “aprender a arrumar” o carro de compras! Será que para todas estas realidades mais simples do cumprimento dos deveres de cidadão…será para tudo necessário a invenção de uma moeda?! Será que só por interesse lá iremos e não tanto pelo VALOR JUSTO das coisas? (Claro, como tudo o que escrevemos, é um modo - simples - de dizer…)

Alexandre Cruz [23.10.07]
[imagem: carro de compras] fonte: http://mi-blog.com/

segunda-feira, outubro 22, 2007

NA LINHA DA UTOPIA

Sociedade de(des)confiança?

1. As recentes declarações do (PGR) Procurador-Geral da República têm proporcionado os mais variados sentimentos, e vindo despertar mesmo uma opinião pública tantas vezes longínqua destes mecanismos essenciais do Estado de Direito. Ao fim de um ano na gestão de órgão tão importante para a credibilidade democrática, o que está declarado, declarado está, a ponto de o próprio Procurador-Geral, dono da “tutela”, sentir alguns “sons” no telefone. No mínimo estranho, no máximo alarmante; mas está dito, e em entrevista não formal, o que torna as coisas mais verdadeiras.

2. Como comentário ao “comentário” do PGR, muitas vozes se fazem sentir, algumas mesmo estando contra a realização de qualquer escuta telefónica e outras a favor da sua generalização, dizendo que só com um sistema fiscalizador constante (quase inquisitorial) é que conseguiremos instaurar uma ordem de justa justiça. Dir-se-á que tudo isto (da realidade ao comentário) é muito preocupante, mas tanto mais quando o “dono” da casa partilha a sua impotência no lidar com este barco social que, diremos, mais que imposição de uma ordem pela “força” terá de ser capaz de instaurar uma ordem educativa, numa (insistente) ética transversal, pessoal e social.

3. Há breves anos, quando da obra Portugal, o Medo de Existir, do filósofo-ensaísta José Gil, muito se falou sobre a “inveja” como manifestação cultural de menoridade (se o vizinho tem, também tenho de ter!). Alguns pensadores vão sublinhando que, em comparação com outros países europeus, a CONFIANÇA terá de ser a base de construção da nossa comunidade. Mas como assumir a confiança, como factor decisivo, diante de sistemas de corrupção e crime organizado? Se o “combate” tem de ser em todas as frentes (dos sistemas judiciais aos da educação ética), uma coisa será certa: não se pode(rá) generalizar a desconfiança, tanto na comunidade em geral, como fundamentalmente naqueles de cuja acção depende a esperança de sociedade justa.

4. O eco das declarações do PGR estão aí, pairando no ar. Um ar poluído que carece de purificação. Novamente, só a ética nos pode salvar! Como multiplicá-la como antídoto para todas as desconfianças?

Alexandre Cruz [22.10.2007]
[foto: Capa do livro Portugal, medo de existir ] - fonte: http://www.livrarialeitura.pt

sexta-feira, outubro 19, 2007

VIVER SEM OBRIGAÇÕES, GOZAR SEM TRABALHAR

No seu discurso inicial, o Presidente Sarkozy recordou uma frase escrita nas paredes da Sorbone, em Maio de 68, para dizer nesse dia ao povo francês que esse não podia ser o caminho para a renovação e desenvolvimento do país. A frase foi esta: “Viver sem obrigações e gozar sem trabalhar”. Era o ideal de muitos dos protagonistas desse dia.
Os tempos que vão correndo mostram que este parece ser ainda hoje o sonho de muita gente. O ambiente reinante vem, em muitos casos, ao encontro de quem assim pensa e deseja isso mesmo para si. Ganhar muito com pouco ou nenhum trabalho e sem esperar nem gastar tempo. O frenesim na procura do mais fácil e rentável, leva por vezes a entrar por caminhos enviesados e escusos, à margem da lei ou sob uma protecção duvidosa da mesma, permitido o aumento da corrupção, da marginalidade, da irresponsabilidade social. Tudo isto é possível, mesmo habitando-se vivendas vistosas, gozando da estima de uns e dos favores de outros. Uma clandestinidade com muitas abertas, que passa desapercebida a quem só olha para o lado e, quando os olhos se abrem, logo a luz os incomoda.
As obrigações, que tantos rejeitam e que podemos traduzir por deveres e compromissos pessoais e colectivos, pressupõem consciência de responsabilidade, sujeição a normas de conduta, compreensão do bem comum, participação activa na construção de uma comunidade de direitos e deveres, abertura à mútua colaboração, espírito de serviço e de disponibilidade, capacidade de convivência salutar e de verdadeiro discernimento. Só neste clima se pode esperar a satisfação dos legítimos direitos de cada um e de todos. Então, tem sentido a luta pelos mesmos direitos, quando não reconhecidos, negados ou dificultados
Ninguém ignora que governar, até a própria casa, é uma tarefa cada vez mais difícil e penosa. Muita gente não quer regras, a obediência traduzem-na por sujeição de escravos, cada um sabe sempre mais do que os outros e só o que o que ele faz e diz é que tem valor e mérito. Os outros existem para incomodar quem se incomoda com pouco.
A sociedade está a empobrecer progressivamente. Só um atordoamento publicitário que cria e alimenta ilusões e anestesia a inteligência de quem devia pensar e ser crítico, pode impedir esta dolorosa e preocupante verificação. Também têm culpa desta doença que vai minando a vida em sociedade, muitos meios de comunicação social que cultivam o superficial e o emotivo e só aterram na realidade quando o escândalo é grande e torna a notícia rentável. As revistas dos escaparates, que são depois as que nos consultórios são monte de papel à disposição de quem espera, para poder queimar o tempo e alimentar a fantasia, dizem, com grande aparato gráfico, o vazio de muitas vidas, tornadas “famosas” pelo número de casamentos e de escândalos.
Gozar à tripa larga, sem dar nas vistas, foi o conselho de um conhecido treinador de futebol a alguns jovens jogadores, envolvidos em festa, que não honrava pessoas decentes e sérias. Porque se abriu para eles, em corrente abundante, a torneira dos milhões, muita gente julga que está aí para eles e para a gente nova, em geral, o segredo de uma grande felicidade, presente e futura.
A vida não se pode isentar de obrigações. Ela mesma as necessita e as gera para evitar a sua desagregação e obter a honrosa classificação de ser serviço. Do mesmo modo, também para o normal das pessoas, o trabalho que proporciona a alegria do que se goza e satisfaz. Fugir a obrigações e a trabalhos é falsear a vida e envenenar o prazer do que legitimamente se goza. Aqui o segredo da história que perdura e deixa rasto. A opção pela historieta e pela banalidade, pelos caminhos sujos e pelos meios falsificados, é de vida curta, porque de consciência perturbada.


António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro
[foto: Universidade de Sorbone] fonte: http://www.wikimedia.org/

quinta-feira, outubro 18, 2007

Poesia própria

Bem começo a ficar preocupado, estou mesmo a ficar mais "pensador"! Hoje surgiu-me esta frase assim do nada. O que acham?

O amor vive pelas palavras e cimenta-se com os seus actos.

autor: Fernando Cassola Marques


Enfim, coisas da vida ...
[Uma tarde em mira] - fotografia pessoal

NA LINHA DA UTOPIA

Sociedade mais inclusiva, quando?

1. Já estivemos a anos-luz deste ideal que perseguimos. Que o digam os heróis que ao longo tantos dos séculos como das últimas décadas têm lutado por uma sociedade (mais) inclusiva, que saiba acolher cada pessoa na sua situação, especialmente na procura de um tempo social que tenha como referência de especial atenção a pessoa que tem mais dificuldades, o “pobre” (aquele a quem falta algo) e nele elas a pessoa com deficiência.

2. Periodicamente, de forma especial em datas comemorativas (seja de âmbito local ou mundial) convivemos com as promessas interessantes de quem diante dos factos espelha a justa sensibilidade para com esta causa de todos. Mas no dia (mês, ano) seguinte tudo volta à estaca “zero”, quase ao ponto de partida, deixando na ansiosa insegurança quem já vive um peso incalculável, como também as suas famílias e as pessoas e instituições que acompanham a vida das pessoas com deficiência.

3. Do ano 2003, Ano Europeu da Pessoa com Deficiência, continuam ainda um conjunto de expectativas para serem cumpridas (dos passeios das estradas públicas até aos acessos a edifícios, e muitas vezes em construções novíssimas); da estruturante Declaração de Salamanca (10 de Junho de 1994, http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/deficiente/lex63.htm) continua aberto o longo caminho a percorrer nessa estruturação de uma educação inclusiva que tarda em ser a referência paradigmática na perspectiva de uma educação para todos e ao longo de toda a vida. Mas, sublinhe-se, para se chegar onde já se chegou tem sido heróica a entrega daqueles que, contra todos os ventos do pragmatismo, vão dando esta sensibilidade como o único caminho possível de futuro.

4. Todos sabemos que passeios da rua adaptados para a pessoa com deficiência são caminhos melhores para todos. Desta evidência, porque tarda desmedidamente a implementação dos novos modelos de acessibilidades (tanto de “caminhos” porque antes) de mentalidades? Porque aquilo que deveria ser o essencial pedagógico para todos é praticamente esquecido? Porque os cidadãos não “sentem” (só quando toca na pele) esta como uma causa de todos e essencial para uma sociedade mais sensível? Porque vêm as políticas, agora, também, sacar os cêntimos de pessoas cuja vida…? Porque andamos para trás em termos de sensibilidade social? Eis onde chegámos, e como o permitimos. Quem diria!

Alexandre Cruz [18.10.07]
imgem retirada do site: http://www.acessibilidade.net/

quarta-feira, outubro 17, 2007

NA LINHA DA UTOPIA

O perdão da dívida

1. Não se pense que falamos do “perdão da dívida” aos países pobres. Esse perdão seria bem-vindo, pois verdade se diga que muita da riqueza dos países ricos é conseguida à custa dos recursos explorados nos países pobres. Muitas destas nações em maior dificuldade estarão ainda a acolher a novidade efectivamente democrática e a encetar caminhos de real desenvolvimento, este que foi sendo travado pelo interesse estratégico de grandes (consideradas) potências ocidentais. Esse “perdão da dívida externa” tem merecido as maiores atenções e divulgações e, no fundo, não se trata de perdão mas sim de JUSTIÇA. Felizmente muitas têm sido já as vozes, da política às artes, sensibilizadoras para esta justiça do perdão da dívida, permitindo aos países de economia pobre um novo arranque no seu processo de justo desenvolvimento. Embora perdão sem um novo compromisso sócio-político cai em saco roto…

2. Falamos de outro pretenso perdão (esquecimento, será?) de dívida. O caso do pai rico banqueiro que não sabia que seu filho havia pedido ao banco alguns milhões de contos (alguns, tanto faz o número para quem vive nessas esferas!), e, pelos vistos, pelo passar dos dias e das ideias, a dívida já deve estar quase perdoada!... Acontece tudo neste país!... Claro que, de facto, oficialmente, pouco se sabe e quase nada se deve dizer sobre o caso. Mas, o simples facto dessa possibilidade existir nessa gigante entidade bancária do país continua a fazer vir à luz do dia a desconfiança das entranhas dos processos, das agendas económicas, do modo como – em regime de pretensa igualdade de dignidade no tratamento das questões – uns continuam a ser mais iguais que outros. Pobre (rico) país!

3. Felizmente levantaram-se algumas vozes…mas que até têm lá os seus interesses, não vão os euros parar a outra algibeira! Mobilizaram-se entidades competentes, mas tudo em versão soft (leve), pois está consagrado prioritário a “imagem” em relação à “ética” dos milhões. Um arrastamento de silêncios e cumplicidades demonstra-nos bem a raiz dos nossos travões a um desenvolvimento justo, onde os tempos e lugares da ética e transparência terão de ser a fasquia de referência em qualquer área comum. Segundo os analistas da especialidade, essa entidade já havia passado um complexo “verão quente” ao que agora este caso denuncia maus hábitos de um “sistema”. Mas, não será possível ir à boleia por muito tempo; quando a ética de esvai abre-se a permeabilidade a tudo... No implacável mundo económico, não se resiste muito tempo na suspeita, a todo o custo se procuram seguranças. Assim, ISTO, por quanto tempo?!

Alexandre Cruz [17.10.2007]
imagem retirada do site: www.aomestre.com.br/

terça-feira, outubro 16, 2007

Poesia

Começo agora a descubrir muito ao de leve a poesia. Sempre tive enorme dificuldade em me conseguir concentrar para pensar seriamente nas palavras soltas e breves que são utilizadas na poesia. No entanto cada vez mais começo a gostar de lêr e relêr algumas poesias. Será então este um sinal de velhice? ou que estarei a ficar maduro?
Deixo-vos aqui com um poema lindíssimo que hoje por acaso li e sinceramente gostei.


Soneto dos 45 anos

Que soubeste fazer da tua vida
depois de tantos anos à procura
do que chamavas terra prometida
no meio da floresta mais escura?

Por que deste consolo a essa ferida
que ainda continua a arder sem cura
se do teu coração não há saída
e o tempo te devora em lenta usura?

O que te ensina hoje cada dia
se já pouco te dói como doía
e tudo se transforma em quase nada?

Apenas o amor, que será só
memória de quem és, do pó ao pó
- cinza talvez, mas cinza apaixonada.

A Luz da Madrugada, por Fernando Pinto do Amaral. Dom Quixote.

Enfim, coisas da vida ...

Como sobreviver a esta Igreja?

Em entrevista à Notícias Magazine, a 5 de Outubro, Monsenhor Luciano Guerra, reitor do Santuário de Fátima, profere um conjunto de afirmações que, no mínimo, são insultuosas para todas as Mulheres. Passo a citar: «NM: Na sua opinião uma mulher que é agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar--se? Resposta: Depende do grau de agressão»; «NM: O que é isso de grau de agressão? Resposta: Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos»; «NM: Então, reformulando a questão: agressões pontuais justificam um divórcio? Resposta: Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso e gravidade suficiente para deixar um homem que amava.» Transcrevo apenas uma pequena parte da preciosidade que é esta entrevista. E pergunto: Como podemos ser em consciência católicos perante uma Igreja como esta? Monsenhor Luciano Guerra fala ainda do divórcio, do aborto, do mal que a presença das jovens junto dos rapazes que tem como consequência a falta de aproveitamento!
Em pleno século XXI, no momento emque se vive uma crise real de valores, de esperança, uma procura da palavra redentora, venha ela de onde vier, num momento emque a humanidade se
vê confrontada com guerras, atentados e lutas fratricidas em nome de um Deus, como compreender o obscurantismo destas afirmações? Como justificar a nós mesmos ser Católicos perante tal Igreja? Como sobreviver a esta Igreja?


Luísa Castel-Branco - Escritora e Apresentadora de TV (in Jornal Destak)
imagem retirada do site: http://www.cm-sintra.pt/
Vou tentar obter a entrevista do Monsenhor Luciano Guerra e lê-la com a devida atenção e depois voltarei concerteza a este tópico, pois não pode ficar assim no ar!
Enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, outubro 15, 2007

Na Linha Da Utopia


Alargar (ou limitar) o debate europeu?


1. Aproximam-se dias importantes para o projecto europeu. 50 anos depois do Tratado de Roma (já ineficiente no nova Europa) procura-se a todo o custo a assinatura de algo, de documento, de um tratado com linhas comuns. De uma ideia de Constituição “chumbada” pela França e Holanda, nestes últimos tempos o receio é tanto que se procuram ler mesmo em novas nomenclaturas essa esperança continuadora do inédito percurso europeu pós-guerra.

2. Mas talvez o maior de todos os problemas continue a ser a distância das comunidades locais em relação ao sonho europeu. Quando os votos nos possíveis referendos europeus derivam (ou não) do estado da situação económica, dos custos ou dos benefícios, tal facto demonstra-nos bem em que critérios temos andado. Dir-se-á que já no princípio assim era: o carvão e o aço, como permutas geradores de “laços” que ao menos evitassem a guerra como solução dos problemas.

3. O assunto (europeu) anda, mais que nunca, a ser lidado com pinças. A tal ponto que, de receio em receio, o “lema” norteador é mesmo evitar referendos, não venham estes a desiludir as expectativas. Neste contexto, por défices anteriores de explicar a Europa aos europeus, será que chegámos a uma situação em que o melhor será fechar, silenciar, limitar o debate europeu? Quase como uma operação clínica, qualquer distracção pode ser fatal. Os tempos actuais são de ansiedade, mas, melhor seria que ao longo dos tempos passados se tivesse conseguido alargar, efectivamente, o debate europeu.

4. O mundo precisa de uma Europa viva, com ideias, muito para além de um afirmado “racionalismo” (este hoje já quase sem razão, asfixiado na tecnologia); a Europa precisa de se repensar à luz do mundo e dos seus valores constitutivos. Nestes estarão tanto um pluralismo inclusivo de visões dignificantes como a constatação de matrizes que ergueram esta forma de democracia. Não será o esvaziamento de si mesmo que dará a capacidade acolhedora da diferença de pensamento e de modo de vida. Na Europa da dignidade humana, por ilusão ou confusão (no entendimento do que significa “pluralismo”), por medo ou pré-conceito, temo-nos esvaziado, quase esquecendo (pluralmente) donde vimos.

5. Claro, neste terreno pantanoso (pela “rama”), é tanto mais difícil saber para onde vamos. Ainda assim, continuará a ser histórico o caminho europeu; mas será tanto melhor quanto mais cedo se “escancarar” um debate aberto de uma Europa social e existencial no Séc. XXI. Parece que por agora este debate antropológico continua a ser adiado; o que se procuram são mesmo as assinaturas, não ideias que saibam ser unas e plurais. Pena, mais uma oportunidade adiada (?)!

Alexandre Cruz [15.10.2007]
imagem retirada do site: http://www.tecnociencia.es/

quinta-feira, outubro 11, 2007

NA LINHA DA UTOPIA

Da massa cinzenta à massa crítica

1. Dir-se-á que a ideia ainda está incompleta. Talvez o lema ideal fosse “Da massa cinzenta à massa crítica, e desta ao compromisso humano do bem comum”. Não chega uma “massa cinzenta” de conhecimentos que, intelectualmente, se adquire. A viagem da finalidade última da vida (em comunidade) move o conhecimento humano para uma visão de crítica social, esta que não se fique pela fácil teoria “criticista” mas que “agarre” o compromisso como visão dinâmica de verdadeira entrega ao bem comum.

2. O salto quantitativo da “massa cinzenta” tem sido elevadíssimo, especialmente, nestas últimas duas décadas; mas nem por isso o avanço qualitativo português nesse mesmo tempo correspondeu às expectativas. Os défices eram muitos e continuam a sê-lo. Mas, talvez o maior seja a persistente distância entre o mundo intelectual e uma “massa crítica” verdadeiramente comprometida com o “resolver os problemas” deste canto da Europa. Nunca tivemos tantos cursos e formados, mas (talvez) nunca se sentiu tanta dificuldade em gerir e orientar toda essa energia repleta de possibilidades adiadas.

3. Observando, e constatando pelas lideranças políticas que vão emergindo, verificar-se-á esse desfasamento entre níveis de conhecimento científico altíssimo de centenas e mesmo milhares de investigadores portugueses (que cá como fora vão brilhando) e a pobreza de “massa crítica” social, défice que se espelha, por vezes, em tão precipitados e ineficazes horizontes liderantes demonstrativos de desconhecimento da realidade concreta dos cidadãos que são chamados e servir. Governos, oposições e cidadãos, habituámo-nos (?) a adiar, mendigar e a esquecer que esse “encoberto” é mesmo cada um de nós! Sem “mágica”, com rigor!

4. “Servir”, é isso mesmo! É esta a palavra-chave de tudo. Lideranças que sirvam generosamente, é esse o referencial que importa salientar. É a partir dessa “praxis” (as mais das vezes tão difícil) que todas as teorias críticas ou todos os conhecimentos se hão-de redimensionar. Generosidade com cultura, será a linha de reconstrução da realidade, num terreno em que “massa cinzenta” não é sinónimo (simplista) de cultura, às vezes até é o contrário. Conclusão, ao nosso país, agora falta o erguer uma “massa crítica” estimulante e sempre presente, mas esta vivente da autêntica ética de servir, e não provinda de tantos “viveiros” que de “amor à comunidade” têm tão pouco. Pelas “últimas” notícias do país, é a revolução ética que nos pode salvar! Essa também se aprende, na vida!

Alexandre Cruz [11.10.07]
(imagem retirada do site: www.unesco.org.br)

MINORIA ENTRE MINORIAS

Dez anos depois de ter sido elevado aos altares um cigano, Zeferino Gimenez Malla, foi publicado um documento do Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes, especialmente dedicado à etnia cigana, que merece alguma atenção, tanto por parte da sociedade civil e dos governantes, como da Igreja e das diversas confissões religiosas.
Em Portugal vivem 40 mil ciganos ou talvez um pouco mais. São uma minoria entre as diversas minorias, mas não da última hora, como tantas outras, pois se instalaram entre nós no século XV. O mesmo aconteceu em Espanha, onde o seu número é de 600 mil.
Não é difícil verificar que em algumas comunidades locais, bem como em escolas, há ainda muita suspeita e pouco acolhimento em relação aos membros desta etnia, que na sua maioria não são já imigrantes, mas cidadãos portugueses. É verdade que os ciganos, vivam onde viverem, em Portugal, na Espanha, na França ou em qualquer outro país, são sempre e acima de tudo ciganos, coesos e fieis à sua cultura e tradições, todos eles cidadãos de uma pátria sem território, mas considerada a sua pátria comum.
Muitas coisas mudaram nas suas vidas, por normais exigências de integração no país, onde vivem. Muitos deles já se documentaram, fixaram a sua residência, escolarizaram-se, gozam da segurança social, têm emprego ao lado de não ciganos, tiraram cursos superiores, dirigem associações e, não se furtando à defesa dos seu direitos, assumiram os deveres correspondentes. Mas, em muitos outros casos nota-se a necessidade de maior formação humana e social, bem difícil de se proporcionar se não for atendida a sua cultura com os valores que lhe são próprios e se se pensar fazer coisas em seu favor sem os ouvir e os tornar protagonistas naquilo que lhes diz respeito.
No aspecto religioso, sabe-se que a sua adesão a expressões religiosas que mais se coadunem com a sua cultura, modo de ser e de se expressar, é muito grande. A Igreja Católica tem de há muitos anos um serviço nacional dedicado à sua promoção, com outros similares nas diversas dioceses do país, e tem sido pioneira na atenção às suas necessidades e aspirações, humanas e sociais. Outras confissões religiosas protestantes de linha pentecostal, têm muito aderentes ciganos.
Num encontro internacional recente, realizado em Roma, foi dado a conhecer que há na Igreja mais de uma centena de ciganos clérigos (padres e diáconos) e consagrados, oriundos de diversos países da Europa e da Ásia. Muitos participavam nesse encontro.
A etnia cigana testemunha valores importantes e fundamentais, que hoje escasseiam em países ocidentais. Entre outros, o espírito de família, o acolhimento e respeito pelos idosos, a hospitalidade e a solidariedade para com os membros da etnia, a virgindade da mulher antes do casamento, o respeito pelos mortos, a concepção humana do trabalho…
O que falta para que esta minoria seja reconhecida, promovida e integrada, uma vez que ainda é marginalizada em muitos aspectos, dado o apoio do governo e da comunicação social a outras minorias recentes, discutíveis pela sua dimensão e objectivos sociais?
Toda a atenção à etnia cigana deve acolher e respeitar e sua cultura e valores e atender às condições de um diálogo, eficaz e personalizado. Se os ciganos são capazes de cursos superiores, a nível civil e religioso, e de assumir as responsabilidades inerentes, não lhes escasseiam capacidades de promoção e mesmo de integração comunitária.
Um trabalho de formação e sensibilização junto das comunidades locais e dos agentes civis (autarquias, escolas, serviços púbicos em geral) e, também, dos agentes pastorais é indispensável que se faça e se faça bem. Para que o seja, não pode dispensar o seu contributo activo.
Se é importante conhecer línguas, não o é menos conhecer as pessoas que vivem connosco. Marginais há-os em todos os grupos sociais. Temos de nos perguntar quem é que hoje mais envenena o ambiente e corrompe a convivência na nossa sociedade.


António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro

(foto retirada do site: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/santo.aspx?Dia=2&Mes=8&SantoID=592)

quarta-feira, outubro 10, 2007

NA LINHA DA UTOPIA


A manifestaçãodas liberdades


1. Há dias realizou-se a comemoração do cinquentenário do I Congresso Republicano, realizado em Aveiro, momento do qual saiu oportuna sugestão para a realização de um IV Congresso, agora já em tempos de liberdade (os outros foram realizados em 1969 e 1973). Estando o país a caminho do centenário da República (2010), muito terreno de reflexão, que se deseja ampla, estará na agenda nacional, debate este que deverá envolver todos os cidadãos humanos (optamos por esta nomenclatura “cidadãos humanos” que prioriza a dignidade do ser humano, enraizada na Declaração dos Direitos Humanos, pois há muitas visões de cidadania, até a cidadania só para alguns, ficando excluídos os que estão “fora”, na marginalidade, da(s) cidade(s).


2. Por vezes deixa-nos a pensar tanto um governado poder chamado social(ista) que vai esquecendo a sociabilidade (tudo são números de uma economia sempre à frente de tudo!), como nos deixa a reflectir (na essência) também o limitado alcance e a menor profundidade de “ser”, de “sentido do essencial”, de visões que exaltam e mesmo quase “divinizam” a “república”, como se ela fosse bem mais importante que as pessoas concretas. Colocar qualquer sistema sócio-político acima das pessoas será o primeiro passo para esquecê-las... Tantas histórias da história humana e nacional já mostraram indignificantes realizações neste contexto. É certo que, caminhando na história, os sistemas sociais haverão de garantir não só uma neutralidade (que nunca ninguém consegue), mas uma “inclusão” proporcionada de tudo quanto for bom para a comunidade, “seja bem-vindo quem vier por bem!”


3. Saber (con)viver com a manifestação da diferença de pensamento social, político, religioso, clubístico, será sinal de uma autêntica preparação democrática assente na respeitabilidade da opinião de cada pessoa. Mas o discernimento sobre a razoabilidade desta ou daquela diversidade é terreno sempre novo. Neste contexto erguer-se-á a formação humana como referencial construtivo e uma visão de pluralismo que seja garantida pelo sistema de regulação humanista e dignificante (esta uma função nuclear do Estado de Direito). A democracia, assim, por inerência, contextualizará tanto as manifestações da liberdade de pensamento, como também o respeito das regras previamente acordadas e dignificantes das mesmas manifestações. Uma qualquer causa não justifica uma qualquer manifestação ou a sua fiscalização ou mesmo impedimento. Temos, ainda, muito a caminhar para chamar “LIBERDADE” às liberdades que vamos experimentando. Precisamos de cidadãos humanos. Venha o (livre) Congresso de Aveiro!

Alexandre Cruz [10.10.07]
(imagem retirada do blog: http://naoapaguemamemoria2.blogspot.com/2007/10/comemorao-dos-50-anos-do-i-congresso.html)


NA LINHA DA UTOPIA

“Pena da Vida”

1. É uma virtude apreciar a vida! Não só quando ela escapa ou quando é colocada em perigo por visões que a desprestigiam, mas todos os dias o apreciar a vida como um “dom”, superior à nossa própria ordem da racionalidade, ao nosso “querer”, é sinal de autêntica profundidade de uma existência pessoal que abre “portas” a um autêntico sentido de vida. Como em tudo, só quando se reflecte e aprecia se pode proteger!...

2. Na pressa agitada e “stressada” dos tempos que correm cada vez tornar-se-á mais difícil esse apreço pelo mistério do “Ser pessoal” que nos envolve tudo o que somos; os tempos são mais de quantidade que de qualidade. Talvez o altíssimo conhecimento científico do nos viesse garantir (quase como obrigação ética) esse nova sensibilidade no apreciar da vida; mas nem por isso, com pena, mais conhecimento tantas vezes não é sinónimo de maior zelo cuidadoso…

3. Dia 10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental e Dia Mundial Contra a Pena de Morte, o Conselho da Europa decidiu proclamar este dia como “Jornada Europeia Contra a Pena de Morte”, decisão esta que havia sido bloqueada ao nível da União Europeia pelo veto de Varsóvia, Polónia. A irreverente razão polaca toca no essencial, dizendo que a Europa precisa de fazer um reflexão mais ampla sobre o direito à vida, aspecto que toca problemáticas como o aborto e a eutanásia. Fracturante, mas é a verdade da vida!...

4. Cruzaram-se, nesse contexto, as visões diplomáticas com a visão objectiva da própria realidade. Dir-se-á que, mais que dias “contra” (que têm o seu lugar como início de um caminho) a Europa pós-racionalista precisará, para se refrescar, dos dias a favor dos valores fundamentais, entre eles o valor que fundamenta a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a dignidade da Pessoa Humana. Terá de ser esta a fonte, quando não reflectimos já “poluídos”! Talvez seja hora, para além destes dias comemorativos, de incentivar todos os esforços dos que têm “pena da vida”.

5. Quando não, continuamos a querer o sol na eira e a chuva no nabal. Defendemos dias “contra” os males terríveis que se fazem (entre eles a pena de morte que todos os anos continua a ceifar milhares de pessoas em países chamados de modernos), por outro lado, esquecemo-nos da coerência interna dessa defesa da dignidade humana ao permitir, diplomática e elegantemente, outras execuções de vidas inocentes. Devolvamos (pedagogicamente) à VIDA toda a sua grandeza, não estraguemos. Ela é, por essência, intocável, inviolável, única, um “dom” que nos ultrapassa e que não temos o direito de gerir como dá jeito! Seja em que latitude for. Só assim haverá rumo certo! Enquanto isso, vamo-nos enganando e a vida passa!

Alexandre Cruz [09.10.2007]

terça-feira, outubro 09, 2007

BONO VOX E A GRAÇA DE DEUS

Esta é parte de uma entrevista interessante com o vocalista dos U2, Bono Vox.
Visionem-na até ao fim, é interessante, e sinceramente tem alguns pontos de vista bastante perturbadores para nós cristãos e claro ajuda-nos a reflectir sobre a nossa maneira de olharmos para o mundo e para a sociedade que nos rodeia.

Enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, outubro 08, 2007

Fórum::UniverSal

Quando o sentido universal e a cultura marcam encontro, entre o ‘fazer’ e o ‘significado’
CONVERSA ABERTA SOBRE A ACTUALIDADE 1ª QUARTA DO MÊS CUFC 21.00h
10 de Outubro [2ª Quarta] 21.00h::CUFC
Que Educação/Universidade(s) temos e queremos?
c/ Eduardo Marçal Grilo Ex-Minstro da Educação Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian
Moderação: José Manuel Moreira Prof. Catedrático UA


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NA LINHA DA UTOPIA

Legislação simples para mais eficácia

1. Diz-se muitas vezes que a nossa legislação é profundamente complexa, impenetrável na linguagem, só consegue “entrar” quem é especialista, ficando à margem quem não estudou tal área de especialidade. Se é naturalíssimo em certas áreas de fronteira científica só conseguir acompanhar quem está “por dentro”, talvez naquilo que deve ser preocupação de todos a simplicidade comunicacional torna-se uma virtude indispensável. É sempre difícil mas é mesmo importante, para um maior envolvimento da comunidade. Esta área do direito precisará do esforço que noutras áreas se tem feito (por exemplo destaque-se o empenho de projectos na área da Ciência Viva que procura sensibilizar o grande público para a ciência). Precisaremos de programa “direito vivo”?!

2. Os especialistas dizem que somos “especialistas” em desdobramentos e “prolongamentos” prolixos no que ao direito diz respeito. Saliente-se, cabalmente, que nesta área específica quantidade não é sinónimo de qualidade e será a “praxis” (prática) a desafiar a teoria em que temos vivido. Será olhando para o estado da justiça, saúde e educação que vemos os frutos (ou a sua ausência) de tanta e tanta legislação. Se ao fim das décadas democráticas estamos como estamos, onde as três áreas fundamentais continuam titubeantes ainda em “experiências”, ter-nos-á faltado (?) uma capacidade maior de legislação que tivesse contextualizado e presidido, ela própria, ao máximo consenso possível nas áreas fundamentais de um país.

3. Extremamente interessante é a constatação que, nos primeiros tempos globais, nos vem dos escritos da Utopia (1516). Tomás Moro (1478-1535) diz que nessa ilha ideal as leis eram simples, por forma a que todos pudessem compreender. Precisamos desta (re)aproximação. A comunidade em geral carece de conhecer mais esta área estruturante e sustentável, afinal, da própria democracia. Quanto mais esta distância existir mais dificuldades entre governantes e governados reinará, persistindo o diálogo de surdos e a falta dos consensos fundamentais. Tudo isto a pretexto das 11 páginas maçudas e impenetráveis que António Barreto comentou (Público 07.10.07). Esses decretos eram sobre “Educação”. Seria de pressupor uma melhor comunicação educativa...! Por isso estamos onde estamos; decretos atrás de decretos que até os da especialidade têm dificuldade em entender. Menos quantidade, mais clareza e objectividade!

AC [08.10.07]

Na Linha Da Utopia

Quantas Barragens?!

1. Há dias foi apresentado o Plano Nacional de Barragens. Sabemos que as necessidades de energia são muitas, sendo esta uma fatia fundamental de despesa habitual do país. Neste sentido, todo o esforço, tardio, é estratégico e por isso bem-vindo. Mas, serão três, quatro barragens? Cinco, já soaria a promessa exagerada! De forma alguma: a promessa é mesmo a construção não de sete ou oito, mas (números redondos) dez barragens! Claro, depois de dez estádios, dez barragens para 2020, é essa a última promessa, para produzir 7000 megawats nesse final da década de 20. (Bom, ao menos nestas barragens sabemos que, mais mês menos mês, ficarão cheias!...)

2. O discurso do 5 de Outubro elegeu, novamente, a “corrupção” como combate e (“inovadamente”) a EDUCAÇÃO como aposta decisiva. Sobre a primeira matéria, o Eng. João Cravinho, “aconselhadamente” agora emigrado, (em grande entrevista à Visão) continua a ver à distância o seu esforço da des-corrupção colocado na prateleira; quanto à educação, um forte apelo “cidadânico”, de empenho de pais e comunidade local desperta-nos para o sentido da hierarquia de prioridades, devendo-se destacar um sentido de exigência estimulante que (pro)mova a escola e a comunidade educativa como missão decisiva no “agarrar” os desmotivados, abandonados e auto-excluídos da escola. Que dramático o abandono escolar e a desqualificação dos portugueses que merecia a garantia de uma promessa para 2020!

3. Que democracia é esta que continuamente publicita e promete e tem ainda, “longemente”, por cumprir o que prometeu? (Os milhares de postos de trabalho?) É para levar a sério, ou será para não ligar?! Há dias falava-se que o “prometismo”, a forma elegante de fazer política, já chegou ao poder local… E ainda: porque é que os portugueses acreditam muitas vezes facilmente na proclamada “banha da cobra”?! Nos tempos em que estamos, é problemático (seja de que quadrante for) o prometer-se, como é sintomático da profundidade cívica (ou não!) o acreditar-se na promessa. Mas, já agora, quanto às dez barragens (sem derrapagens orçamentais!) previstas, para quê e para quem tanta energia, se a natalidade é o que é, a escola “idem aspas” e os cuidados de saúde são o que são?!4. Será que continuamos a prometer ao lado?! As crianças, os doentes, idosos, desempregados, as pessoas com deficiências, os professores, escolas… também merecem uma promessa…! Sonhamos com o dia em que não se façam promessas, elas afastam-nos da autenticidade.

Alexandre Cruz [06.10.2007]

quinta-feira, outubro 04, 2007

VALORES REPUBLICANOS E COLABORAÇÃO NO BEM DE TODOS

Políticos e intelectuais laicos referem-se frequentemente aos valores republicanos para justificar juízos, atitudes e acções, marcados pelo laicismo agnóstico ou na linha de fidelidade a objectivos sociais e políticos de associações laicas, antigas e modernas. Se por “valor”, seja ele republicano ou monárquico, se continua a entender aquilo que vale sempre e para todos, sem excepção, ainda bem, tanto mais que a sobreposição pública de interesses pessoais e de grupos, vai tornando tudo relativo e a tudo faz perder a consistência de objectivo e de universal. Chega-se à conclusão de que já nada vale, a não ser o que interessa a cada um. Esta erosão atinge também os valores morais e éticos que determinam o viver em sociedade e os comportamentos necessários para uma vivência mútua, serena e construtiva, quem quer que seja que os propõe ou defende. Normalmente quando se fala de valores republicanos dá-se como matriz a Revolução Francesa, com a proclamação da trilogia que lhe está historicamente associada: igualdade, liberdade fraternidade, não se esquecendo o valor da tolerância. Os revolucionários não foram inovadores. Viviam na Europa, no seio de uma cultura com raízes cristãs e judaicas e os valores propostos eram património desta cultura, embora as contingências históricas por vezes os ocultassem onde eles deviam ser testemunhados com maior clareza e eloquência. As tensões provocadas pela Revolução, com o ódio programado contra a Igreja, bem como as desconfianças e atitudes negativas desta em relação ao que se proclamou como se fosse novo e sem paternidade e apenas fruto da ideologia reinante, explicam estas tensões e a sua continuação histórica. Não fora o propósito de apagar a história e fazer dela uma leitura enviesada, e as coisas não tinham tomado o rumo que ainda hoje acoberta, com iguais sentimentos, muita gente por essa Europa fora. A discussão das raízes culturais cristãs da Europa, ainda que não únicas, faz-se a partir de uma leitura liberta e realista da história e nunca terá valor sério quando feita pela pré determinada direcção que se pretendeu impor-lhe. O redactor da proposta de uma constituição europeia, um francês de renome que vai ser aí recebido e homenageado por um bem concebido aparato ideológico, pensa que a Europa moderna se deve encontrar consigo mesma, rejeitando as suas raízes cristãs e explicar-se a si própria à luz dos valores republicanos que lhe dão forma e consistência. A constituição deixou de o ser e tenta-se agora um simples tratado, que salve a situação e mantenha o mesmo silêncio em relação ao essencial. Esta pobreza, numa tão apregoada cidadania, pôs de parte a verdade histórica e alimenta-se de conveniências políticas e arranjos diplomáticos; vai mutilando as leis que deixaram de se orientar para o bem comum que é a sua razão de ser, para favorecer interesses diversos; vai deteriorando as relações humanas e sociais, europeias e internacionais, cedendo a pressões e a promessas; já não fala dos direitos humanos na sua globalidade e integralidade, porque as pessoas valem hoje menos que os resultados económicos, sempre prioritários e aglutinadores. Afinal, da igualdade, da liberdade e da fraternidade, bem como da tolerância, menosprezada a matriz cristã que lhes pode dar consistência e sentido de universalidade, pouco pode restar. Ficará daí apenas a bandeira de apoio para os que, caídos no vazio cultural ou na intolerância odienta, mais não fazem do que destruir, por campanhas sem sentido de cidadania ou por perversão desta, tudo o que vai contra os propósitos de um determinado laicismo agnóstico? A verdadeira laicidade respeita a autonomia e defende a inter relação e a comunicação construtiva em todos os campos em que as pessoas se situam e sempre a favor destas. Não falta gente sensata que vê que este é o verdadeiro caminho. Dizer que “todos devem ser respeitados” exige o contributo dialogado de todos para que assim seja.Isso não acontece quando, por falta de respeito às pessoas e ao legítimo pluralismo, se persegue quem sempre as defendeu, deitando mão de mentiras publicadas e de defesa de leis redutoras, impostas sem critérios do melhor bem que se tornam uma afronta dispensável a cidadãos deste país democrático.
António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro


Pois, e como hoje inicei esta nova fase de publicação de textos escritos por pessoas que sabem escrever e bem sobre a vida. Aqui vai mais um aritgo, mas desta feita semanal de D. António Marcelino. Enfim, coisas da vida ...

Na Linha Da Utopia

Será a Europa um Estádio?

1. Um jogo de futebol bem jogado é interessante! Com equipas que aliem a táctica ao desportivismo de forma enérgica, audaciosa mas saudável, é fenómeno que motiva e trás consigo um entretenimento que contagia as cidades e a, também saudável, emoção pública. Na generalidade, quem não gosta de ver o clube da sua cidade ou do seu país, no justo respeito pelas regras do jogo, a vencer um bom jogo de bola?! (Dizemos, na generalidade…)

2. Mas há muito que o futebol deixou de ser esse jogo em campo, nas quatro linhas, sendo na actualidade um autêntico império comercial. E quando se chega a este ponto, a tentação de vencer a todo o custo vai crescendo, multiplicando todas as redes de contactos, publicidades à frente, fusões e confusões, tendo nos “apitos da corrupção” o seu ponto alto de um estado de sítio que parece tornar-se numa grande “ilusão mentirosa” com que se convive pacificamente. Haja adeptos que não pensem no que está por trás de tudo isto, mas que gritem e, sabe Deus como, sem condições, deixam até a família e a vida para trás para depositar toda a esperança na vitória (vir) para a frente!

3. Bem mais que o jogo em campo, o futebolismo europeu (qual movimento político ou religioso com os seus símbolos e os seus seguidores, onde quer que o clube vá!), fez de um desporto um jogo económico que vive fora do próprio campo relvado. É um facto! Que o digam a multidão dos que vivem à sombra da bola, por exemplo, os empresários de jogadores (que enriquecem num já) e os comentadores e jornalistas (que fazem toda a exegese e analítica, tantas vezes do “nada” fazendo a notícia) e as própria televisões (que hoje atingem proporções inimagináveis).

4. Quando em excesso, acaba por tal fenómeno ser o centro da vida, “onde estiver o teu tesouro, aí está o teu coração!” Muitos corações sofrem a vitória ou a derrota… A presente Liga dos Campeões Europeus atingiu um patamar sem precedentes na história europeia. Com aspectos bons, tal como o encontro de grande cidades europeias que hoje “combatem” no terreno futebolístico (ainda bem!), mas com um mega-escândalo económico que ultrapassa todas as regras da razão económica. Jogadores a 30 milhões de Euros?! A tal preço muito farão pela Humanidade! Mau investimento, é o que está (mal)! Desporto já há pouco, olheiros muitos, a ver qual a seguinte jogada $! Quem diria que na Europa chegávamos a isto?! Sobreviverá a Europa sem futebol? UEFA = UE?!
AC [04.10.2007]
Começo aqui a publicar as excelentes crónicas diárias do meu amigo e padre Alexandre Cruz do CUFC. Um muito obrigado ao Pe. Alexandre e um abraço ao amigo. Não percam diáriamente num blog perto de si.
Enfim, coisas da vida ...

segunda-feira, outubro 01, 2007

De volta ...

Ora muito bem depois destes tempos conturbados por um lado e muito relaxantes por outro, estou de volta ao mundo virtual e acima de tudo ao mundo real!
Finalmente, consegui acabar a licenciatura com a entrega da tese final de curso e claro também gozei umas mais que merecidas férias com a minha família.
Portanto, estou de volta e com a cadência que o tempo me deixar. Mas espero que, seja pelo menos semanalmente.

Até já ...