sábado, setembro 09, 2006

V Simpósio do Clero - 1º parte


Pois é meus caros, como deve ser do conhecimento de alguns, realizou-se nesta semana que agora acaba o “V Simpósio do Clero” Português, em Fátima. Vou tentar em 2/3 posts falar acerca de algumas coisas que por lá se debateram e reflectiram porque sinceramente considero este tipo de reuniões importantes demais para passarem em branco, como normalmente acontece.
Vou começar não pelo inicio como deveria ser natural e normal, mas por um parágrafo que achei deveras interessante o que foi redigido, aqui vai:

"No dia 6 de Setembro de 2006 o simpósio avaliou a realidade dos conselhos paroquiais e dos conselhos presbiterais. Foi notada a desilusão perante a situação presente dos mesmos, mas não deixaram de ser pensados na respectiva origem como organismos de comunhão e de corresponsabilidade, e não como sindicatos, montras, adereços, ou espaços para fazer funcionar ou obter uma maioria. São espaços de teste da própria comunhão eclesial. Foram apresentados casos particulares. Por eles foi salientada a necessidade da paciência, da boa preparação dos mesmos, da exigência de serem espaços intelectualmente habitáveis e eticamente responsáveis onde é possível a contínua negociação e onde a comunidade cristã é construída. Por isso, não são meros órgãos consultivos. São espaço privilegiado de concertação que não deve tanto fazer mas pensar a consciência crítica e o modelo morfológico da comunidade." in agencia ecclesia

Os Padres Inquietos questionam o porquê de se notar tanta desilusão. Eu também tenho de confessar que a primeira questão que me ocorreu foi precisamente essa, porquê tanta desilusão que o clero português registou? Outras mais se podem fazer, mas é precisamente nesta questão que poderemos reflectir um pouco.

Como é sabido a grande maioria dos católicos pouca ou nenhuma formação da área religiosa possui, já não falando claro de formação teológica mais básica. E para ajudar, pouco ou nada lêem acerca das temáticas relacionadas com as razões da sua fé. Preferem ler um bom “Código Da Vinci” a ter de ler um simples mas fabuloso “O Príncipe e a lavadeira” de Nuno Tovar de Lemos (Ed. Tenacitas). Já para não falar de quem são as pessoas que compõem os ditos conselhos paroquias? Salvo raras excepções (graças a Deus a minha paróquia é uma delas), a grande maioria dos conselhos paroquias é composta pela Ti Maria que limpa a Igreja, pela Dª Gertrudes que é catequista das criancinhas e ajuda o padre nas “coisas da igreja”, pelo Sr. Zé, o sacristão de serviço, reformado e já “cheio de missas”, etc. Isto claro, quando estes existem, pois pelo que me é dado a perceber por conversas que vou mantendo com colegas das mais variadas regiões do país, uma grande parte das paróquias do interior nem sequer conselho paroquial possuem.
Portanto é muito natural que os conselhos paroquiais pouco ou nada dêem de novo para as suas paroquias, ou porque a formação dos católicos é escassa ou porque a formação desses mesmos conselhos é feita por “quem quer vir a uma reunião na igreja?” ou ainda porque não existem, dado que só “serviam para me chatear” como já ouvi dizer que alguns Srs. Padres respondem.
Sinceramente acho que o clero (excluindo as honrosas excepções) não pretende pedir opinião acerca da vida das suas paróquias, é a lei do quero posso e mando. Mais uma vez ressalvo que a minha paróquia é uma excelente excepção, dado que até conselho permanente possui, coisa que quase nenhuma tem. E depois queixam-se assim em público que os conselhos paroquias são uma desilusão, não servem para nada, são perda de tempo, eles (leigos) não percebem nada disto do que é a Igreja, etc.
Pessoalmente acho os conselhos paroquias OBRIGATÓRIOS em todas as paróquias para que estas possam crescer devidamente e ordenadamente. Onde tem de haver espaço de reflexão, debate sobre todos os temas que interagem com a comunidade paroquial e devem ser constituídas reflexões que serão tidas em conta pela equipa sacerdotal, apesar de claro está, estas não terem um vínculo obrigatório, serem somente de aconselhamento. Duvido então que existam comunidades em que não exista conselho paroquial e me digam que funcionam bem, porque é precisamente neste espaço que todos possuem pela sua condição de baptizados o direito e o dever de contribuir para o crescimento da sua comunidade.
Concluindo, é preciso que o clero se convença que os leigos poderão ser uma enorme ajuda na construção de uma comunidade saudável e que como os discípulos de Emaús, caminhe ao lado do Mestre para a construção de um mundo melhor, onde todos tenham espaço e sejam felizes no encontro com Cristo vivo.

Enfim, coisas da vida …

3 comentários:

Anónimo disse...

boas

Anónimo disse...

olá Fernando!

fui eu que escrevi o anterior...

este tema já nós o abordámos numa conversa on-line...

eu reparo que não é apenas da Igreja a responsabilidade para o 'quero-posso-e-mando'. Nós os católicos também criamos as nossas desculpas e inventamos pretextos para não participarmos....

mas que na minha paróquia a 'governação' deixa a desejar, lá isso é verdade!

por exemplo, no caso da catequese, quando deve ser um momento para incentivar à participação, aquela torna-se um aborrecimento porque colocam faltas, porque colocam sobre tardes e manhãs onde há actividades desportivas, porque funcionam como se de aulas fossem e não deve ser, porque.....

Fernando, aceita um abraço de amizade

RPM
(http://pontosde-vista.blogspot.com)

Morgaine disse...

E eu queria ver opadre da minha paróquia a ler isto. É que, sinceramente, aqui,sobretudo nas camadas jovens, já se perdeu tudo por culpa dele. Antigamente existia um grupo cujo lider era um espectáculo em manter a paróquia a funcionar, com uma participação de jovens em grande escala. Hoje.. nem um! Ó referido lider perdeu a vida nun acidente de viação e mais ninguem quis enfrentar o "posso e mando" de um padre casmurro que teima em fazer das idas á igreja e á catequese uma lei acima de todas as outras actividades que também fazem falta. Perdeu-se a motivação, a garra. E acabou por ficar estagnada. Conselho paroquial? nem vê-lo..